Mercados

Alívio a restrições na China anima os mercados da Europa e dos EUA

Contudo, no mercado pairam incertezas como a reação das economias à inflação e aos juros maiores e impacto do novo cenário nos balanços do 2T22

As variáveis que orientarão os mercados
28 de Junho, 2022 | 06:31 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — As nuvens não se dissiparam, há mais incertezas que certezas, mas o relaxamento dos protocolos da China para deter os contágios por Covid-19 anima os mercados. Com o gigante asiático voltando à normalidade, diminuem as preocupações em torno das interrupções nas cadeias de abastecimento e do crescimento global.

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🛤️ Voltando aos trilhos. A China reduziu pela metade o tempo que os recém-chegados devem passar isolados - a maior mudança até agora em uma política de restrição que deixou o país isolado e fez crescer as ameaças à economia mundial. A ideia de um novo impulso à demanda levantava tanto as cotações do petróleo como das moedas sensíveis às commodities.

🤕 Fragilidade. Contudo, ainda que a China tenha soprado um ar de otimismo, o cenário continua incerto e o mercado, suscetível - especialmente no setor de renda variável. O contexto de juros cada vez mais altos, remédio dos bancos centrais para paliar a inflação recorde, acende o temor de uma recessão. Além disso, é grande a expectativa quanto aos balanços empresariais, cuja temporada do segundo trimestre já está começando.

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🏊‍♀️ Na contracorrente. Enquanto isso, o Banco Popular da China se comprometeu a manter uma política monetária expansionista. Enquanto os demais bancos centrais mundiais têm apertado os cintos com juros mais altos, a instituição chinesa acena com novos estímulos, os quais provavelmente privilegiariam o aumento do crédito, em vez de redução dos juros.

→ Também move os mercados

🔮 Direção sobre o futuro. A atenção do mercado também está dirigida ao evento promovido em Portugal pelo Banco Central Europeu (BCE). O destaque de hoje é a presidente Christine Lagarde, de quem o mercado espera ouvir alguma pista sobre o pacote para evitar fragmentações no mercado de dívida do bloco. Mas o dia forte será amanhã, quando, além de Lagarde, discursam o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e do Bank of England (BoE), Andrew Bailey.

💶 Juro mais alto na Europa. Esta manhã, Lagarde voltou a falar de seu seu plano de aplicar uma primeira alta das tasas de juros em julho, de 0,25 ponto percentual, mas disse que a autoridade monetária estaria disposta a intensificar a ação para fazer frente à inflação recorde, se o julgar necessário.

Um panorama desta manhã de terça-feiradfd
🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-0,20%), S&P 500 (-0,30%), Nasdaq Composite (-0,72%), Stoxx 600 (+0,52%), Ibovespa (+2,12%)

As bolsas norte-americanas iniciaram a última semana do mês com quedas, em um dia de baixo volume financeiro e com os investidores recalibrando suas carteiras para o próximo semestre. O mercado continua atento à possibilidade de uma recessão e à agressividade com a qual o Fed decide aumentar suas taxas de juros para conter a inflação mais alta em décadas. Os pedidos de bens duráveis às fábricas dos EUA aumentaram mais do que o esperado em maio, sugerindo que o investimento empresarial mantém-se firme até agora.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Balança Comercial de Bens/Mai; Nível de Estoques do Varejo excluindo Automóveis/Mai, Estoques no Atacado; Índice Redbook; Índice de Preços de Imóveis/Abr; Estoques de Petróleo Bruto Semanal - API

Europa: Alemanha (Clima do Consumidor GfK/Jul); França (Confiança do Consumidor/Jun)

Ásia: Japão (Vendas no Varejo/Mai)

América Latina: Brasil (Empréstimos Bancários/Mar); México (Taxa de Desemprego/Mai); Argentina (Transações Correntes/1T22)

Bancos centrais: Pronunciamentos de Christine Lagarde (presidente do BCE), Philip Lane (BCE), Frank Elderson (BCE), Fabio Panetta (BCE), Mary Daly (Fed de São Francisco), Jon Cunliffe (BoE)

📌 Para a semana:

Quarta-feira: PIB dos EUA e discursos de presidentes em evento do Banco Central Europeu: Christine Lagarde (BCE), Jerome Powell (Fed) e Andrew Bailey (BoE). Loretta Mester (Fed Cleveland) e James Bullard (Fed St Louis) também têm previstos pronunciamentos.

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Quinta-feira: PMI da China. Renda do consumidor americano, deflator PCE, reivindicações iniciais de seguro-desemprego

Sexta-feira: CPI da Zona Euro; gastos com construção nos EUA, Índice ISM de Manufatura

(Com informações da Bloomberg News)

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.