Brasil

Inflação: prévia de junho desacelera em 12 meses, mas segue acima de 12%

IPCA-15 subiu 0,69% em junho, acima da taxa de 0,59% em maio; BC decide nova taxa de juros em agosto

Barraca de feira no bairro da Tijuca, no Rio
Por Maria Eloisa Capurro
24 de Junho, 2022 | 10:57 am
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — A inflação anual do Brasil diminuiu em junho, segundo o IPCA-15, mas permanece ainda acima de 12%, o que traz um alívio apenas limitado ao ciclo de aumentos das taxas de juros do Banco Central e também aos planos de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

Os preços ao consumidor medidos pelo IPCA-15 subiram 12,04% em 12 meses, em linha com a estimativa média de 12,03% de uma pesquisa da Bloomberg. Em termos mensais, a inflação atingiu 0,69%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (24). Em maio, a variação havia sido de 0,59%.

O integrantes do Banco Central, liderados pelo presidente Roberto Campos Neto, sinalizaram mais uma alta de juros para agosto, somando-se a um ciclo agressivo que já elevou a taxa de referência para os custos de empréstimos em 11,25 pontos percentuais desde março de 2021, para 13,75% ao ano.

Os aumentos do custo de vida são impulsionados já há algum tempo pelos gargalos na cadeia de suprimentos, em linha com os maiores custos globais de commodities. Para complicar ainda mais o combate à inflação, a Petrobras (PETR3, PETR4) elevou na semana passada os preços da gasolina e do diesel, uma vez que seus preços acompanham as cotações do petróleo no exterior.

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Preços ao consumidor continuam bem acima da meta do Banco Centraldfd

O Comitê de Política Monetária do BC deve aumentar a taxa básica de juros em meio ponto percentual ou menos em sua próxima decisão política como parte dos esforços para reduzir a inflação para perto da meta no próximo ano, disse Campos Neto na quinta-feira (23).

A maioria dos analistas de mercado prevê uma inflação de 8,5% em 2022 e de 4,7% em 2023, segundo as últimas estimativas divulgadas pelo Banco Central. A autoridade monetária tem como meta que a variação dos preços ao consumidor atinja 3,5% e 3,25% para esses anos, respectivamente.

O custo de vida mais alto tem sido ser a maior dor de cabeça de Jair Bolsonaro antes das eleições presidenciais de outubro. O presidente da República, que está atrás de seu rival Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto, propôs medidas para reduzir os impostos sobre os combustíveis e agora considera aumentar os subsídios para os mais necessitados.

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