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Mercados

5 estratégias para investir no 2° semestre, aponta UBS (e uma para evitar)

Banco de investimento suíço revela principais apostas recomendadas a clientes para proteger os portfólios no cenário atual de juros em alta

Turbulência nos mercados: Investidores ampliam proteções na carteira para atravessar o cenário de inflação e juros elevados
23 de Junho, 2022 | 05:43 pm
Tempo de leitura: 5 minutos

Bloomberg Línea — Uma carteira com alta liquidez, apostas em empresas de qualidade e commodities estão entre as principais recomendações do banco suíço UBS a clientes para navegar no ambiente de maior turbulência em meio à pressão inflacionária e juros elevados no mundo.

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Em relatório divulgado nesta quinta-feira (23) com as perspectivas econômicas para o segundo semestre, o UBS descreve quatro cenários possíveis: estagflação, “pouso suave”, queda na demanda e reflação. E mapeia como se proteger em cada um deles.

Na avaliação de Solita Marcelli, CIO (Chief Investment Officer) do UBS nas Américas, uma recessão nos Estados Unidos não é inevitável. Em teleconferência nesta quinta, Marcelli reforçou que é possível um “pouso suave”, mas que tudo irá depender dos próximos dados de inflação divulgados.

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“Se virmos uma queda na demanda seguida por uma redução nos gastos dos consumidores por causa dos juros altos, as empresas vão reduzir suas expectativas de ganhos, ampliar demissões e aí teremos uma recessão”, disse. O banco, contudo, não espera esse cenário até pelo menos 2024.

Confira, a seguir, as principais estratégias do UBS para proteger os investimentos no cenário atual:

1. Alta liquidez

Caso a narrativa de uma estagflação continue ditando o rumo dos mercados, a avaliação dos especialistas do UBS é que os investidores devem construir e ampliar a fatia mais líquida do portfólio, isto é, com ativos que tenham mais facilidade de serem convertidos em dinheiro sem perder o seu valor.

Essa estratégia, muito conhecida como reserva de emergência ou de oportunidade, deve totalizar o equivalente a três a cinco anos de gastos, segundo eles - ou seja, muito além dos seis meses que muitos especialistas recomendam. No Brasil, um ativo muito utilizado para esse propósito é o título público Tesouro Selic, que acompanha a evolução da taxa básica de juros, atualmente em 13,25% ao ano, e tem liquidez diária.

“Ao construir uma estratégia de liquidez, os investidores podem mitigar o risco de uma venda forçada, obter rendimento e se preparar para capturar oportunidades de mercado à medida que surgem”, diz o relatório. A alocação em fundos de investimento também pode ser interessante, segundo o UBS, com potencial de apresentar desempenho mesmo se os títulos e as ações estiverem caindo.

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2. Busca por empresas de qualidade

De forma a construir defesas contra uma potencial queda na demanda, na qual expectativas mais baixas de lucros corporativos enfraquecem o desempenho das ações, o UBS recomenda o aumento de exposição a ações de qualidade. Themis Themistocleous, head de investimentos da região da Europa, da Oriente Médio e da África do UBS, destacou durante a conferência o setor de saúde, que “não é sensível ao desempenho da economia e não é exposto à pressão de materiais básicos”. A busca por empresas que paguem dividendos também está entre as apostas do banco de investimento.

3. Ações de valor

Assim como Janus Henderson, BlackRock e New Capital, o UBS também tem uma preferência por ações de valor (de empresas com bons fundamentos a preços descontados), incluindo o setor de energia. ”Acreditamos que nomes de valor teriam um desempenho particularmente bom em nosso cenário de ‘pouso suave’, pois o aumento da confiança de que os lucros corporativos podem permanecer resilientes beneficia alguns setores cíclicos, como o financeiro e o de energia”, escreve o banco.

Segundo o UBS, uma inflação acima de 3% ao ano também suporta a tese. A casa diz gostar ainda de ações ligadas à “era da segurança”. “Como governos e empresas visam reforçar a energia, os dados e a segurança alimentar, achamos que isso estimulará a demanda por soluções de zero carbono, segurança cibernética e rendimento agrícola.”

4. Oportunidades para o longo prazo

Ainda que seja necessária uma cautela maior no contexto atual, a forte liquidação das bolsas globais pode abrir oportunidade para a construção de posições com foco no longo prazo, avaliam os gestores.

“Um alívio mais rápido do que o esperado das preocupações do mercado sobre a inflação pode desencadear um rali em certas ações de crescimento, mesmo que este continue sendo um cenário de baixa probabilidade neste estágio”, diz o relatório.

O investimento em private equity também está entre as sugestões aos clientes dado que, após declínios no mercado, a classe tem sido historicamente associada a fortes retornos.

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5. Commodities

Um dos grandes destaques nos mercados tem sido as commodities, com demanda sólida mesmo em um ritmo de crescimento econômico moderado e oferta restrita. “Somos a favor de uma abordagem ativa à exposição em commodities e vemos espaço para outros 10% a 15% de alta em índices amplos de commodities à vista nos próximos seis meses”, escreveu o UBS no relatório.

Além da visão construtiva em energia, o UBS vê também alta em metais industriais, principalmente cobre e alumínio, apoiados por medidas favoráveis de estímulo à política chinesa. “Esperamos que os estoques de metais, que na maioria dos casos estão em níveis estruturalmente baixos, sofram mais pressão baixista no segundo semestre, uma vez que os saldos do mercado permanecem apertados”.

E, para diversificar, commodities agrícolas também entram nas carteiras dos clientes do UBS. “Embora nossa perspectiva para o terceiro trimestre dependa da quantidade de grãos que a Rússia e outros produtores fora da Ucrânia podem exportar, vemos preços mais altos do petróleo, a probabilidade de um terceiro ano consecutivo do La Niña e ameaças de protecionismo comercial mantendo os preços mais altos.”

América Latina fora do radar

Em resposta a uma pergunta da Bloomberg Línea na conferência, Marcelli, CIO do UBS nas Américas, explicou que a casa tem preferido ficar de fora de ativos da América Latina por causa do cénario atual.

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“Com a inflação e os juros subindo globalmente, temos evitado ter grande exposição à América Latina tanto em ações quanto no mercado de títulos privados. E, mesmo para clientes com maior apetite ao risco, quando comparamos a região com outros mercados, ainda preferimos áreas de mais qualidade e ratings mais elevados que os encontrados hoje na América Latina.”

Dentre os emergentes, o país preferido é a China, que, na avaliação de Min Lan Tan, head de investimentos para Ásia e Pacífico do UBS, deve ser mais resiliente que outros mercados asiáticos, apesar da fraca performance desde 2021 e da política de zero covid, que afeta a atividade. Além disso, há oportunidade dados os valuations próximos das mínimas do ano, disse.

“Pequim está aumentando o apoio político após dados econômicos decepcionantes, e esperamos que a economia experimente um segundo semestre melhor. Em um contexto de portfólio global, as ações chinesas também estão menos expostas a temores sobre inflação e política monetária mais apertada”, destacou.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.