Mercados

Quais são as apostas do BofA na Bolsa brasileira em cenário de maior incerteza?

Banco americano tem preferência pelas chamadas empresas de valor, com destaque para os setores de consumo de alta renda, commodities e bancos

Para analistas do BofA, ainda é muito cedo para mudar a estratégia para empresas de crescimento
13 de Junho, 2022 | 03:19 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Os mercados entraram em forte liquidação nesta segunda-feira (13), com a expectativa - e o temor - de que o Federal Reserve tenha que fazer um aperto monetário mais agressivo nos Estados Unidos para controlar a forte pressão inflacionária no país.

Nesse cenário, o Bank of America (BAC) atualizou sua carteira de ações recomendadas na América Latina, incluindo os papéis de empresas como a Neoenergia (NEOE3), gigante do setor elétrico que possui valuations atrativos, segundo o relatório. Saem da carteira as ações da Multilaser (MLAS3), de forma a reduzir exposição ao consumo, e Assaí (ASAI3), dado o impacto negativo dos juros elevados.

Com posição overweight (acima da média do mercado, o que significa recomendação de compra) na Bolsa brasileira, o BofA - como o Bank of America é também conhecido - avalia que o Brasil tem potencial de crescimento de lucros para este ano, valuations relativamente atraentes e grande peso de empresas de valor. Segundo os analistas, são nessas ações que os investidores devem estar alocados.

Ações de valor são aquelas de empresas com fundamentos sólidos que são negociadas abaixo do seu valor justo e que, portanto, representam uma oportunidade de compra. Exemplos dessas ações na bolsa brasileira são as de bancos, de empresas de commodities e do setor elétrico.

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Segundo David Beker, Paula Andrea Soto e Carlos Peyrelongue, que assinam o relatório, ainda é muito cedo para mudar a estratégia para ações de empresas de crescimento, apesar da queda no acumulado do ano que sugere que há oportunidades.

Ações de crescimento, por sua vez, são aquelas de companhias com potencial maior de crescimento futuro, ainda que os indicadores financeiros não reflitam neste momento resultados tão sólidos ou equivalentes aos múltiplos com que são negociados. Exemplos são as empresas de tecnologia.

Os analistas do Bank of America destacam que o Brasil está à frente do mundo no ciclo de alta de juros e que a atividade surpreende pelo lado positivo, mas destacam que as preocupações fiscais e eleitorais estão esquentando, com a maior proximidade das eleições presidenciais.

Os papéis de Neoenergia se somam aos de Vibra Energia (VBBR3), Raízen (RAIZ4), B3 (B3SA3), BB Seguridade (BBSE3), Hypera Pharma (HYPE3), WEG (WEGE3) e Eletrobras (ELET3), que também compõem a seleção do banco de investimento americano na América Latina.

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O BofA também diz gostar de grandes bancos para compor a estratégia defensiva: Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4). “Os investidores se preocupam com o ciclo de inadimplência, mas o crescimento da carteira de crédito, as taxas mais altas e os índices de cobertura robustos devem ser mais do que suficientes para financiar níveis mais altos de provisionamento [para cobrir perdas com empréstimos não pagos]”, escreve o time de análise.

Além do setor bancário, a casa também tem visão construtiva para nomes de commodity na Bolsa, tendo estimativas acima do consenso do mercado em petróleo e alumínio, bem como papel e celulose. É o caso de Petrobras (PETR4), PetroRio (PRIO3), Vale (VALE3), Suzano (SUZB3) e CBA (CBAV3), empresas que também compõem a seleção do BofA.

O banco tem ainda exposição a nomes de empresas de consumo voltado para o público de alta renda, caso de Grupo Soma (SOMA3) e Arezzo (ARZZ3), além de Mercado Livre (MELI), em e-commerce.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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