Sob a batuta da inflação

Também no Breakfast: Inflação dirige o mercados, que operam voláteis nos EUA; Um milhão de bolsas, carteira digital e ESG: o plano do Google na América Latina e O jogo virou? Por que startups estão perdendo talentos para a ‘velha economia’

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Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

Mais uma vez, a pressão sobre os preços irá dominar os noticiários. Nesta sexta-feira (10), as atenções dos investidores se voltarão à divulgação do principal índice de inflação dos Estados Unidos.

O renomado economista Mohamed El-Erian, que há quase um ano previu com precisão que a inflação elevada nos Estados Unidos seria persistente, afirmou na quinta-feira (9) que o índice de preços ainda não atingiu o pico.

Apesar de concordar com estimativas do mercado para o índice de preços ao consumidor de maio, o estrategista disse à Bloomberg Television que o que lhe preocupa é que o dado mensal de junho será pior do que o apresentado em maio, na comparação mensal. “Aqueles que corajosamente disseram que a inflação atingiu o pico e está caindo podem ter que mudar de ideia”, disse.

Por outro lado, Cathie Wood, CEO da Ark Investment Management, defende que estoques gigantescos mantidos por empresas americanas sugerem que a inflação vai diminuir.

“Eu nunca vi um aumento dos estoques como esse em toda a minha carreira, e olha que estou aqui há muito tempo”, disse Wood, célebre gestora reconhecida por suas apostas em inovação tecnológica, em entrevista à Bloomberg Television. “Essa questão dos estoques ressalta a razão pela qual temos dito que achamos que a inflação vai arrefecer.”

Grandes empresas varejistas que acumularam estoques no ano passado em meio à crescente demanda do consumidor e gargalos na cadeia de suprimentos agora estão operando com estoques maiores que a média histórica.

Na trilha dos Mercados

Depois do giro de posicionamento do Banco Central Europeu (BCE), que ontem assumiu sua vertente linha dura, mais um dia agitado se inicia para os mercados financeiros. Dependendo de como pinte a inflação ao consumidor, a sessão pode ganhar até contornos dramáticos: no caso de se mostrar persistente, prenunciará uma política monetária mais agressiva pelo Federal Reserve (Fed), que na próxima quarta-feira arbitra sobre as taxas de juros dos Estados Unidos.

💸 Os economistas do Deutsche Bank esperam que a variação mensal dos preços acelere novamente, de 0,3% em abril para 0,7% em maio, o que manteria em 8,3% a inflação na comparação anual.

🔝❓Tocará ou não o teto? O comportamento dos preços nos EUA e a proximidade de reuniões de política monetária (na próxima semana também tem decisão sobre juros dos bancos centrais do Reino Unido, do Japão e do Brasil) devem ditar cautela aos mercados.

🔴 Será um momento crucial. Se a pressão sobre a renda variável continuar negativa, os mercados ficarão ainda mais perto do terreno de baixa (bear market). Teoricamente, o mercado de baixa, no caso do S&P 500, chegaria se este tocasse os 3.835 pontos - patamar 4,5% inferior ao nível atual (4.017) e onde marcaria 16,31% de queda a partir de seu máximo do ano, 4.800 pontos, registrado em 3 de janeiro.

😠 A outra face do BCE. Ontem, a autoridade monetária europeia mostrou, pela primeira vez em uma década, um tom agressivo. Reconheceu abertamente o desafio da inflação e a necessidade de devolvê-la à meta, sugerindo que na reunião de julho aplicará um aumento de 0,25 ponto percentual ao juro da Zona do Euro. Também abriu, formalmente, a porta para um acréscimo de 0,50 ponto percentual no encontro de setembro, dependendo se as perspectivas para a inflação “persistem ou se deterioram”.

✳️ Voláteis, esta manhã os futuros de índices nos EUA já foram de menos a mais. As bolsas europeias se mantinham no vermelho.

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones Industrials (-1,94%), S&P 500 (-2,38%), Nasdaq Composite (-2,75%), Stoxx 600 (-1,36%), Ibovespa (-1,18%)

O anúncio do Banco Central Europeu de que aumentará as taxas de juros e sua revisão do quadro macroeconômico alimentou as preocupações dos investidores, que já haviam recebido uma cascata de alertas de organismos multilaterais para um crescimento econômico mundial mais lento e uma inflação persistente. O BCE sinalizou uma alta de 0,25 ponto percentual em julho, e uma maior poderia vir em setembro, dependendo de como se comporte a inflação.

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No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: IPC/Mai (9h30 de Brasília), Rendimento Real/Mai, Confiança do Consumidor e Expectativas de Inflação - Universidade de Michigan, Balanço Orçamentário Federal/Mai

Europa: Alemanha (Saldo das Transações Correntes/Abr); Reino Unido (Expectativas da Inflação); Espanha (IPC/Mai)

Ásia: China (IPC, IPP, Crescimento dos Empréstimos)

América Latina: Brasil (Vendas no Varejo/Abr); México (Produção Industrial/Abr)

Bancos centrais: Discursos de Christine Lagarde (presidente do BCE), Joachim Nagel (presidente do Bundesbank)

Destaques da Bloomberg Línea

O que significa o apoio do PSDB a Simone Tebet

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• Também é importante: • Um milhão de bolsas, carteira digital e ESG: o plano do Google na América Latina • ‘Com aquisição da VBI, queremos liderança em ativos imobiliários’, diz Pátria • Guedes pede a supermercados que segurem preços para ‘ajudar o país’ • Kavak, startup mais valiosa da América Latina, realiza cortes no Brasil

• Opinião Bloomberg: O jogo virou? Por que startups estão perdendo talentos para a ‘velha economia’

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Edição: Michelly Teixeira | News Editor, Europe