Finanças pessoais

Encher o tanque no Brasil já custa um terço do salário mínimo

No país, custo médio de um litro de gasolina é de R$ 7,28; preços elevados dos combustíveis são uma das principais queixas contra Bolsonaro

Surtidor de gasolina
Por Peter Millard e Maria Eloisa Capurro
27 de Maio, 2022 | 10:45 am
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — Encher o tanque no Brasil custa mais do que em qualquer outra grande economia latino-americana.

Os preços elevados dos combustíveis são uma das principais queixas contra Jair Bolsonaro a poucos meses das eleições de outubro, e os brasileiros culpam o presidente pela alta mais do que a invasão da Ucrânia, segundo pesquisa Ipespe realizada entre 16 e 18 de maio.

Embora combustível caro tenha se tornado um problema no mundo todo, não é à toa que o assunto recebe tanta atenção no Brasil, onde o custo médio de um litro de gasolina é de R$ 7,28. Os brasileiros gastam cerca de um terço de um salário mínimo para encher um tanque com capacidade média de 55 litros.

Nos Estados Unidos, essa parada no posto de gasolina custa cerca de 6% da renda mensal de um trabalhador que ganha salário mínimo.

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No Brasil, custa cerca de um terço do salário mínimo para encher um tanque com capacidade média de 55 litrosdfd

Bolsonaro respondeu à crescente pressão apoiando o projeto de lei que limita o ICMS sobre combustíveis cobrado pelos estados. A proposta foi aprovada na Câmara na quarta-feira (25) com apoio esmagador e agora segue para o Senado.

Ele também já demitiu três presidentes da Petrobras (PETR3; PETR4) por conta da frustração com os preços que a estatal cobra das distribuidoras, acompanhando os níveis internacionais.

Enquanto isso, as ações da Petrobras tiveram um desempenho inferior ao de outras grandes petrolíferas desde o início da guerra na Ucrânia, principalmente por causa da preocupação dos investidores de que os lucros serão sacrificados a pedido do governo para ajudar a conter a inflação.

A situação da Petrobras de empresa estatal que também tem investidores privados a coloca em uma posição desconfortável quando os preços do petróleo sobem.

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Bolsonaro diz que apoia a privatização da empresa para evitar que o governo seja responsabilizado quando os preços sobem – uma mudança acentuada de sua posição há quatro anos, quando disse que a venda do controle da petrolífera estava fora de cogitação.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas para as eleições presidenciais, é a favor de a Petrobras subsidiar o preço do combustível em vez de pagar dividendos aos acionistas.

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