Internacional

Crise alimentar pode ser atenuada se Ásia não entrar em pânico

Em meio à alta de preços, é necessário que países mantenham a calma e evitem acumular alimentos para não repetir cenário de 2008

Felizmente, hábitos alimentares variados e estoques podem abrandar crise
Por Jasmine Ng
26 de Maio, 2022 | 01:31 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A crise alimentar mundial já é grave à medida que preços saltam e o protecionismo aumenta, mas há uma boa chance de os governos impedirem que piore ainda mais se seguirem uma lição da crise de 2008. Basta não entrar em pânico.

Com um indicador de preços globais já em nível recorde após a invasão da Ucrânia pela Rússia, uma série de países reduziu as exportações de trigo, açúcar a óleos de cozinha, exacerbando os riscos de segurança para o resto do mundo. As condições climáticas também preocupam. Mas enquanto trigo, milho e a soja dispararam, o arroz, um alimento básico para mais de 3 bilhões de pessoas, até agora tem se mantido mais estável.

Ásia produz e consome 90% do arroz do mundodfd

Se as nações não entrarem em pânico ou começarem a acumular, podem impedir que a crise atual se torne uma repetição da de 2008, quando os preços do arroz dispararam e colocaram a segurança alimentar em risco, de acordo com Peter Timmer, professor emérito da Universidade de Harvard, que estuda segurança alimentar há décadas.

“A lição de 2008 é: não assuste o mercado”, disse Timmer, que trabalhou com governos asiáticos nas suas respostas políticas durante a crise alimentar de então. “Tenha cuidado com o que você faz nas importações, nas exportações e nos controles do arroz”, alertou.

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Formuladores de políticas dos Estados Unidos à China lutam contra inflação elevada e desaceleração do crescimento, enquanto consumidores enfrentam custo de vida alto e a fome se espalha. 90% do arroz - uma das culturas mais importantes do mundo - é massivamente produzido e consumido na Ásia.

Rali do arroz e do trigodfd

A crise de 2008 forneceu lições essenciais, pois ressaltou como os choques comerciais impostos por governos podem sobrecarregar os preços das commodities.

A alta do arroz naquela época se deu principalmente por causa das proibições de exportações dos principais produtores, sobretudo Índia e Vietnã, devido à escassez doméstica e ao aumento de preços. Isso desencadeou a compra de pânico em outros países, especialmente nas Filipinas, criando um efeito cascata.

Existem algumas semelhanças hoje. Preços de energia crescentes, mau tempo e proibições de exportação contribuíram para a atual alta nos preços dos alimentos, assim como fizeram naquela época, embora a guerra na Ucrânia tenha acrescentado uma nova dimensão.

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Este ano, com o aumento dos preços agrícolas, vários governos se mobilizaram para proteger seus próprios suprimentos: a Indonésia restringiu as exportações de óleo de palma, a Malásia proibiu os fluxos de frango, enquanto a Índia limita as vendas de trigo e açúcar.

Embora existam preocupações que o arroz pode ser o próximo, por ser absolutamente crítico para a segurança alimentar e estabilidade política na Ásia, também há diferenças em relação a 2008. Timmer disse que os países diversificaram seus hábitos alimentares e acumularam enormes estoques em uma tentativa de evitar choques de preços.

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