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Agro

Guerra na Ucrânia leva China a ‘quebrar tabu’ e comprar milho do Brasil

China raramente comprou do país - o segundo maior exportador da commodity - nos últimos nove anos por razões fitossanitárias

Maiz
Por Tarso Veloso e Alfred Cang
25 de Maio, 2022 | 05:40 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os operadores de grãos estatais da China começaram a comprar milho brasileiro em um movimento extremamente raro, já que o país busca se proteger contra quaisquer interrupções nos embarques de seus principais fornecedores nos Estados Unidos e na Ucrânia.

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A China encomendou de 250.000 a 400.000 toneladas métricas de milho do Brasil para setembro, segundo operadores. A compra foi feita antes de um acordo assinado na segunda-feira (23) que garante o acesso do Brasil ao mercado chinês, disseram os operadores, que não quiseram ser identificados porque não estão autorizados a falar publicamente.

O Brasil é o segundo maior exportador de milho do mundo, mas a China raramente comprou do país nos últimos nove anos devido a preocupações fitossanitárias. Em reunião em Brasília, as duas nações finalmente concordaram com diretrizes sanitárias após anos de discussão, abrindo caminho para o aumento das compras.

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A China já compra a maior parte da soja brasileira, outro ingrediente alimentar para seu vasto rebanho de suínos. Mas seus maiores fornecedores de milho normalmente são os EUA, onde a safra deste ano está ameaçada pela seca, e depois a Ucrânia, que foi cortada do mercado mundial pela invasão da Rússia. O movimento mais recente pode ameaçar a participação de 70% dos Estados Unidos no comércio de milho chinês.

O Ministério do Comércio chinês não respondeu a um pedido de comentário enviado por fax pela Bloomberg News fora do horário comercial.

O Ministério da Agricultura brasileiro não respondeu a um pedido de comentário. Na segunda-feira, o órgão publicou o anuncio do negócio.

“Estamos trabalhando neste acordo há mais de 3 anos e, claro, com a situação na Ucrânia, eles estão comprometidos em resolver sua necessidade de milho”, disse Glauber Silveira, diretor-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Milho no Brasil. “Agora que o protocolo está assinado, o segundo passo lógico é liberar as diferentes variedades de milho para evitar problemas com a alfândega.”

Os futuros do milho em Chicago caíram 2,8% desde segunda-feira, em meio à preocupação de que a demanda por milho mais caro dos EUA diminuirá como resultado do acordo.

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Embora a China cultive a maior parte de seu próprio milho, seu tamanho significa que ainda é o maior importador do mundo, gastando quase US$ 8 bilhões na safra do ano passado. A Cofco e o China Grain Reserves Group, mais conhecido como Sinograin, normalmente lidam com as maiores compras agrícolas da China.

“Também não vamos ficar muito otimistas com isso”, disse Silveira. “Sim, é outro destino, mas não queremos contar demais com um comprador já que eles podem voltar a comprar da Ucrânia no futuro.”

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