Unicórnios, riscos e oportunidades em meio ao sell-off

Também no Breakfast: Mercados embolsam ganhos e ponderam discurso duro de Powell; Gestores reduzem apostas para o Ibovespa em 2022 e O que muda para os passageiros com a nova holding da Gol e da Avianca?

Tempo de leitura: 4 minutos

Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

As ações de “crescimento” (growth stocks), chamadas assim pelo seu grande potencial, ganharam a preferência entre investidores entre 2020 e 2021. O cenário favorável, porém, se fissurou com a menor liquidez global e o contexto de alta dos juros nos Estados Unidos. E os unicórnios latino-americanos listados em bolsas não ficaram imunes aos ventos contrários que sopram neste ano nos mercados.

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🦄 A Bloomberg Línea fez um levantamento de como se saíram as ações de oito unicórnios emblemáticos para a região neste começo de ano. São eles: Mercado Livre, Globant, Nubank, dLocal, PagSeguro, Stone, VTEX e Decolar.

🤑 É hora de comprar?

Na hora da queda, surge sempre esta pergunta. No caso do megainvestidor Warren Buffett, seu foco está - sempre - dirigido às oportunidades abertas pela crise. Depois de reduzir suas posições no setor bancário, ele voltou com uma aposta de nada menos que US$ 2,9 bilhões no Citigroup.

😨 O outro lado da moeda

Mas os investidores de varejo estão passando por maus bocados. As ações se aproximam de um mercado em baixa. A venda massiva (sell-off no jargão do mercado) nos últimos dias eliminou US$ 200 bilhões em criptomoedas em um único dia. E o Morgan Stanley descobriu que os investidores amadores que entraram no mercado quando os lockdowns começaram em 2020 perderam todos os seus ganhos.

Vários fatores estão em jogo, mas a inflação é a maior culpada. O salto dos preços provocou o maior aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed) em 22 anos, com mais por vir, e engrossa o coro dos economistas que preveem uma recessão nos próximos 12 meses. Os riscos cada vez maiores levaram os mercados a uma queda, com o S&P 500 caindo perto de 15% e o Nasdaq 100 perdendo quase 25% no acumulado do ano.

🤷‍♂️ O grito de guerra comum nos mercados em baixa nos últimos anos tem sido “compre na queda”. Mas o que acontece se a queda persistir?

Inflação é a principal responsável pelo derretimento dos mercadosdfd

Na trilha dos Mercados

Depois da forte alta de ontem nas bolsas dos dois lados do Atlântico, hoje os investidores aproveitam para embolsar parte dos ganhos. O pano de fundo dos mercados continua sendo a inflação e, sobretudo, o peso da mão do Federal Reserve (Fed) no aumento do custo do dinheiro.

🏦 Custe o que custar? Ontem, o presidente do Fed, Jerome Powell, fez um discurso bastante duro e voltou a dizer que o Fed vai “continuar agindo” até que a pressão sobre os preços caia de maneira “clara e convincente”. Ninguém, segundo ele, deve duvidar da determinação da autoridade monetária de conter a maior inflação em 40 anos. A mensagem que seguirá ecoando nas mesas de operações é que o Fed não medirá esforços para elevar os juros acima, inclusive, do nível de neutralidade, o que poderia afetar o ritmo de expansão da economia.

📡 Inflação do radar, como não? Na agenda do dia, dados de inflação na Europa podem dar uma ideia do que o Banco Central Europeu (BCE) pretende para sua próxima reunião de política monetária. Amanhã serão publicadas a ata do BCE e, nos EUA, o Índice de Indicadores Antecedentes - qualquer sinal de desaceleração econômica no front pode tensionar os mercados.

🇪🇺 Notícias (nada animadoras) da manhã. A inflação do Reino Unido subiu ao nível mais elevado em 40 anos (+9% no ano até abril), quando Margaret Thatcher era a primeira-ministra. Os últimos dados macroeconômicos na Europa estão longe de ser alentadores. As vendas de veículos novos caíram pelo décimo mês seguido (-20% em abril, o pior declínio do ano), arrastadas pela desconfiança dos consumidores e pela crise nas cadeias de abastecimento.

Um panorama à primeira horadfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (+1,34%), S&P 500 (+2,02%), Nasdaq Composite (+2,76%), Stoxx 600 (+1,22%), Ibovespa (+0,51%)

As ações em Wall Street avançaram com o declínio dos casos de Covid-19 na China e o desempenho favorável das vendas no varejo nos EUA. Os investidores também ponderaram os comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, que insistiu que não hesitará em subir os juros acima de seus níveis de neutralidade para conter a inflação. O Walmart foi o ponto negativo do dia - em resposta à redução de suas previsões de lucro, suas ações registraram sua pior queda intradiária desde 1987.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados

No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Juros e Pedidos de Hipotecas MBA; Índice de Compras MBA; Licenças de Construção/Abr; Construção de Novas Casas/Abr; Estoques de Petróleo Bruto; Atividade das Refinarias de Petróleo - EIA

• Europa: Zona do Euro (IPC/Abr); Alemanha (Saldo das Transações Correntes/Mar; Licenciamento de Veículos/Abr); França (Licenciamento de Veículos/Abr); Reino Unido (IPC/Abr; IPP/Abr; Índice de Preços do Varejo - RPI/Abr; Licenciamento de Veículos/Abr)

• Ásia: Japão (Produção Industrial/Mar; Utilização da Capacidade Instalada/Mar; Núcleo das Encomendas de Maquinário/Mar; Balança Comercial/Abr)

• América Latina: Brasil (Fluxo Cambial Estrangeiro); Chile (PIB/1T22)

• Bancos centrais: Reunião de política não monetária do BCE. Análise de Estabilidade Financeira do BCE. Discursos de Andrea Enria e Elizabeth MacCaul (BCE) e de Burkhard Balz (Bundesbank)

• Balanços: SQM, Tencent, Cisco, Lowe’s, Target, TJX

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E mais na versão e-mail do Breakfast:

• Também é importante: O que muda para os passageiros com a nova holding da Gol e da Avianca?, Gestores reduzem apostas para o Ibovespa em 2022, Sequoia Capital não tem planos de vender ações do Nubank e SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, é avaliada em US$ 125 bilhões

• Opinião Bloomberg: Compartilhamento de dados do Google é assustador

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⇒ Essa foi uma pequena amostra do Breakfast, que na versão completa inclui muitas outras notícias de destaque do Brasil e do mundo.

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Edição: Michelly Teixeira | News Editor, Europe