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Agro

China: devastação de campos de trigo acende alerta de segurança alimentar

País é um dos maiores importadores de trigo do mundo; com a destruição de suas safras, dependência da importação pode aumentar

Eventos climáticos podem ser um desafio para o agronegócio da China
Por Alfred Cang e Jasmine Ng
14 de Maio, 2022 | 07:21 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Vídeos mostrando hectares de trigo na China sendo destruídos ou cortados antes de amadurecer viralizaram nas mídias sociais, levantando dúvidas sobre a qualidade da safra em algumas áreas em um momento em que os preços globais estão subindo.

O Ministério da Agricultura está investigando a possibilidade de alguma destruição ilegal da safra de trigo, segundo comunicado, citando relatos de que, em algumas regiões, as terras agrícolas estão sendo desmatadas para projetos de construção, e em outras os produtores estão colhendo o grão prematuramente para vender como silagem para ração animal.

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A produção agrícola é uma questão particularmente sensível na China. O país luta pela autossuficiência em alimentos básicos, como trigo e arroz, mas se tornou o maior importador mundial de milho e soja. Nos últimos dois anos, o país também emergiu como um dos principais compradores globais de trigo.

Isso torna o país especialmente vulnerável ao aumento dos preços das safras em todo o mundo, já que a guerra na Ucrânia, combinada com ondas de calor, secas e inundações em outros países, derrubam a oferta global e inflacionam os custos dos alimentos. A produção da China é afetada por terras agrícolas limitadas, seus próprios problemas climáticos e lockdowns rigorosos que restringiram o tráfego de trabalhadores e atrasaram o plantio.

Os campos de trigo de inverno da China devem ser colhidos em cerca de 20 dias, disse o ministério, acrescentando que a colheita passou por muitos problemas, incluindo inundações incomuns no outono passado. A previsão de chuva recorde no sul da China nos próximos dias pode representar outro desafio para a produção agrícola do país.

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Considerando as condições precárias e as preocupações com a qualidade da safra, não é de surpreender que os agricultores estejam trocando o trigo por feno, pois isso pode oferecer um retorno melhor do que o grão, disse Andrew Whitelaw, analista da Thomas Elder Markets, com sede em Melbourne.

Se a China tiver uma safra ruim nesta temporada, provavelmente terá que continuar com um forte programa de importação”, segundo Whitelaw. “Já existem dúvidas quanto às ambições de segurança alimentar da China”, disse ele, acrescentando que o país vem importando grandes quantidades de trigo este ano.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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