Com inflação, supermercado vira principal gasto das classes C e D no Brasil

Levantamento de fintech do Grupo Santander mostra também que gasto com combustíveis aumentou 7% entre fevereiro e março

Supermercado. Foto: Rawpixel.com
04 de Maio, 2022 | 05:35 PM

Bloomberg Línea — Os gastos dos brasileiros das classes C e D mudaram nos últimos meses. De acordo com dados da Pesquisa de Hábitos de Consumo da Superdigital, fintech do Grupo Santander, em março deste ano as despesas com supermercado representavam 37% do orçamento destas famílias.

A mesma pesquisa mostrou também que, no mesmo mês, brasileiros das classes C e D tiveram um aumento com gastos de passagens aéreas (11%), rede online, como aplicativos e streamings (11%), seguido de combustíveis (7%), serviços, como o comércio de produtos, (7%) e transportes (4%).

Por outro lado, o levantamento mostra que os dispêndios em setores como diversão e entretenimento recuaram (9%), seguido de telecomunicações (2%).

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“Certamente o que impactou os gastos com companhias aéreas foi a alta sofrida nos preços das passagens, decorrente do aumento no valor dos combustíveis. Prova disso é que o próprio gasto com combustível das classes C e D também cresceu”, explica Luciana Godoy, CEO da Superdigital no Brasil.

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Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, registrou taxa de 1,62%, a maior taxa para um mês de março desde a implementação do Plano Real, em 1994, segundo dados do IBGE.

No período, o principal impacto na inflação veio dos transportes, alta de 3,02% em março. A taxa foi puxada pela alta nos combustíveis, alta de 6,70% no período. Em seguida, aparecem os alimentos, com alta de 2,42%.

Quem são e com o que gastam?

Estimativas da consultoria Tendências, divulgadas em março deste ano, com base em dados do IBGE, Ministério da Economia, Ministério da Cidadania e Ministério do Trabalho e Previdência indicam que 33,3% da população brasileira se encontram na classe C, com renda mensal domiciliar estimada entre R$2,9 mil e R$7,1 mil.

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Já as as classes D e E correspondem a 50,7% da população, ou seja, a maior parte dos brasileiros, com renda mensal familiar estimada em até R$2,9 mil.

De acordo com o levantamento da Superdigital, as classes C e D gastaram no mês de março a maior parte de seus orçamentos com supermercado (37%), seguido de gastos com restaurantes (13%), e lojas de artigos gerais (10%), enquanto os gastos com combustível ocupam o 4º lugar no orçamento destas famílias (8%).

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Em relatório, a Tendências afirma que os salários devem seguir pressionados, tendo em vista a continuidade da abertura de vagas de menor qualidade, a manutenção da inflação em patamar elevado, a ausência de ganho real do salário mínimo e a expectativa de estagnação econômica.

“No longo prazo, a migração das famílias mais pobres para classe média deve ser lenta, tendo em vista o fim do bônus demográfico, o crescimento econômico médio do país abaixo dos 2,5%, a ausência de valorização real do salário mínimo e o menor gasto em políticas de transferência de renda nos próximos anos”, diz o relatório.

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Melina Flynn

Melina Flynn é jornalista naturalizada brasileira, estudou Artes Cênicas e Comunicação Social, e passou por veículos como G1, RBS TV e TC, plataforma de inteligência de mercado, onde se especializou em política e economia, e hoje coordena a operação multimídia da Bloomberg Linea no Brasil.