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Rumo a um ano de pesadelo? Esses são os investimentos da Tiger Global no Brasil

No Nubank, o valor da participação da Tiger caiu US$ 468,1 milhões no primeiro trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior

Tiger é investidora de unicórnios que recentemente fizeram demissões no Brasil
03 de Maio, 2022 | 07:20 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — A Tiger Global está caminhando para o pior ano de sua história, em um momento em que empresas de tecnologia de alto crescimento passam por dificuldades. Em uma carta para os investidores que a Bloomberg teve acesso, a empresa disse que “abril contribuiu para um início de 2022 muito decepcionante para nossos fundos públicos“ e que “os mercados não têm sido cooperativos devido ao cenário macroeconômico, mas não acreditamos em desculpas e, portanto, não ofereceremos nenhuma”.

Pessoas familiarizadas com o assunto - que pediram para não serem identificadas porque as discussões são privadas - afirmaram para a Bloomberg News que o fundo de hedge da empresa caiu 15% no mês passado, elevando a perda anual para 44%. Ano passado, o tigre abocanhou mais participações globais do que nos últimos anos combinados desde 2012, segundo dados do Pitchbook.

Na América Latina, a Tiger chegou sem fazer muito barulho e investiu em empresas de tecnologia mais antigas - pelo menos desde 2006 - como a NetShoes, Peixe Urbano, Mercado Livre (MELI) e Decolar.com.

Hoje, entre as empresas listadas, a Tiger tem participações na Stone (STNE), XP (XP), GetNinjas (NINJ3) e Nubank (NU).

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No Nubank, a Tiger é uma das maiores acionistas e o valor da participação da gestora novaiorquina na Nubank Holdings caiu US$ 468,1 milhões no primeiro trimestre deste ano em comparação com o trimestre anterior, segundo dados da Bloomberg.

A gestora também tem no portfólio recentes investimentos em startups como a Nowports, Oico, ZAK, Pomelo, Favo e unicórnios como a Nuvemshop e a NotCo, além de unicórnios que recentemente fizeram demissões de centenas de funcionários no Brasil, como a Loft e a Facily.

Questionado pela Bloomberg Línea, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que há quatro acordos de concentração envolvendo a Tiger Global Management no Brasil. São eles:

  • Aquisição de participação societária minoritária no capital social da B2W Companhia Digital, holding das lojas Americanas (AMER3)
  • Aquisição de participação societária minoritária indireta no capital social do Hotel Urbano
  • Aquisição indireta de uma participação societária na GetNinjas
  • Aquisição indireta de participação societária no capital social da 99 Taxis

A Bloomberg Línea apurou que a Tiger Global Management participou de rodadas que somadas geram cerca de US$ 1,4 bilhão investidos em startups brasileiras (sem considerar as empresas listadas em bolsa). Veja os valores das rodadas que a gestora participou no Brasil:

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Oico - US$ 5,5 milhões

Inventa - US$ 20 milhões

Facily - US$ 63 milhões

Zak - US$ 15 milhões

Favo - US$ 26,5 milhões

Cora - US$ 116 milhões

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Loft - US$ 425 milhões

Hotel Urbano - US$ 48,9 milhões*

*O Hotel Urbano, renomeado Hurb, disse que a Tiger já não tem mais participação na empresa

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups