Fundo de tecnologia da Tiger Global cai 15% em abril, com perda anual de 44%

A Tiger Global está caminhando para o pior ano de sua história, em um momento em que empresas de tecnologia de alto crescimento passam por dificuldades

Chase Coleman, fundador da Tiger Global Management
Por Hema Parmar e Isabela Fleischmann
03 de Maio, 2022 | 11:38 AM

Bloomberg — Os problemas de desempenho da Tiger Global Management estão se acumulando.

O fundo de hedge da empresa caiu 15% em abril, elevando sua perda em 2022 para 44%, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O fundo de longo prazo da Tiger Global foi ainda pior, caindo 25% no mês passado e estendendo sua queda no ano para 52%, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque a informação não é pública.

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Uma porta-voz da Tiger Global, que no final do ano administrava US$ 100 bilhões em toda a empresa, incluindo US$ 35 bilhões em seus fundos de hedge, long-only e crossover, não quis comentar.

Abril contribuiu para um início de 2022 muito decepcionante para nossos fundos públicos”, disse a empresa aos investidores em uma carta vista pela Bloomberg. “Os mercados não têm sido cooperativos devido ao cenário macroeconômico, mas não acreditamos em desculpas e, portanto, não ofereceremos nenhuma.”

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Fundada em 2001, a Tiger Global está caminhando para o pior ano de sua história. A queda ocorre em um momento em que as empresas de tecnologia de rápido crescimento dos EUA e da China – que impulsionaram os ganhos da empresa – atingem um momento difícil. Em abril, o Nasdaq 100, índice pesado em tecnologia, caiu 13%, sua maior queda mensal desde 2008. O S&P 500 caiu 8,8%, sua maior queda em abril desde 1970.

A empresa de Chase Coleman há tempo era uma das empresas com melhor desempenho no mundo dos fundos de hedge. Até 2020, os retornos anualizados da Tiger Global no fundo de hedge foram de mais de 20%, com apenas dois anos de queda. Mas o declínio de 7% no ano passado foi seguido pelas perdas deste ano - desempenho que provocou uma nota incomum de contrição em uma carta separada ao investidor no mês passado.

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“Neste momento, estamos humildes, mas firmes em nossa convicção e confiantes sobre a oportunidade de avançar”, escreveu a empresa após revelar uma queda de 34% no primeiro trimestre. “Estamos reavaliando e refinando nossos modelos usando todos os insumos disponíveis para nós.”

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Na América Latina, a Tiger vem investindo em empresas de tecnologia mais antigas - pelo menos desde 2006 - como a NetShoes, Peixe Urbano, Mercado Livre, Decolar.com. A empresa é uma das maiores acionistas do Nubank e tem no portfólio recentes investimentos em startups como a Nowports, Oico, ZAK, Pomelo, Favo e unicórnios como a Nuvemshop e a NotCo.

A pedido da Bloomberg Línea, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que há quatro acordos de concentração envolvendo a Tiger Global Management no Brasil. São eles:

  • Aquisição de participação societária minoritária no capital social da B2W Companhia Digital, holding das lojas Americanas
  • Aquisição de participação societária minoritária indireta no capital social do Hotel Urbano
  • Aquisição indireta de uma participação societária na GetNinjas
  • Aquisição indireta de participação societária no capital social da 99 Taxis

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Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups