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Mercados

Mercados em descompasso nos EUA e na Europa, com foco em política de juros

Investidores que buscam barganhas levantam os futuros nos EUA, mas cautela com bloqueios na China, guerra e expectativa em semana de bancos centrais domina a cena

As variáveis que orientarão os mercados
02 de Maio, 2022 | 08:22 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Barcelona, Espanha — A política monetária está sob os holofotes. Os olhos dos investidores voltam-se para a reunião do Federal Reserve (Fed) de 3 a 4 de maio, onde se espera que o banco central norte-americano aplique um aumento dos juros para paliar a inflação, que em março atingiu 8,5%, o nível mais alto desde o final de 1981.

Os futuros de índices sobem ligeiramente nos Estados Unidos, amparados pelos caçadores de oportunidades depois da forte queda de sexta-feira. Mas a cautela continua. Além da expectativa com relação à política monetária, os investidores acompanham o impacto das restrições à mobilidade na China e o desenlace da guerra na Ucrânia. Apple Inc., Microsoft Corp e Tesla Inc. avançaram no pré-mercado. A Activision Blizzard Inc. subia após Warren Buffett ter comprado mais ações em uma aposta de arbitragem sobre sua fusão.

Enquanto as ações davam margem a um avanço, os preços do petróleo caíam e os títulos do Tesouro norte-americano mostravam prêmios mais elevados. Os rendimentos dos bônus devem permanecer elevados devido à inflação em alta, às altas acentuadas das taxas de juros pelo Fed e à redução do balanço patrimonial da autoridade monetária, Seema Shah, estrategista global chefe da Principal Global Investors, escreveu em uma nota, segundo a Bloomberg.

Os administradores de recursos institucionais japoneses - conhecidos por suas compras de dívida nos EUA nas últimas décadas - estão agora alimentando a grande venda de títulos à medida que o Fed promete reduzir seu balanço de quase US$ 9 trilhões.

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Na Europa, com feriado no Reino Unido, as bolsas operam em baixa. A confiança na economia da Zona do Euro caiu para o nível mais baixo em um ano, já que o impacto da guerra na Ucrânia drenou o sentimento geral da indústria para os consumidores.

✳️ Fed, destaque da semana

Entre os operadores, a expectativa geral é de que o Fed eleve os juros em meio ponto percentual, o maior aumento desde 2000. Até setembro, o aperto seria de dois pontos percentuais, calculam os profissionais do mercado.

As perguntas que se impõem se referem ao tamanho da dose, à duração do tratamento para controlar a inflação e se a política de aumento de juros pode desencadear uma recessão econômica.

• O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que meio ponto percentual, ou 50 pontos base, “estarão sobre a mesa para a reunião de maio”.

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• Como relatado pela Bloomberg, os mercados monetários estão descontando 200 pontos base de aperto até a decisão do Fed em setembro, de acordo com os swaps de taxas de juros.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Lockdown lá, impacto aqui

🏦 Semana agitada para bancos centrais

Além do Fed, o Brasil divulga na quarta-feira seu parecer sobre a taxa de juros. Na quinta-feira é a vez do Banco Central Europeu (BCE) decidir o que fazer com o custo do dinheiro. Noruega, Reino Unido e Austrália também têm reuniões de política monetária agendadas e todos apontam para uma mensagem em comum: subidas de juros para combater a inflação.

💻 O rumo das ações tecnologia

Os mercados estarão de olho no desempenho das principais ações tecnológicas depois que o Nasdaq Composite recuou mais de 4% na sexta-feira, elevando suas perdas para 13% para o mês, seu maior desde novembro de 2008.

📉 PMI chinês desaba

Os índice de gestores de compra PMI da China, que saíram à luz este fim de semana, caíram com força devido aos bloqueios pelo surto de Covid-19. O setor de serviços apontou 41,9, contra 48,4 em março, enquanto em abril o setor manufatureiro marcou 47,4, contra os 49,5 da leitura anterior. Os mercados chineses estarão fechados para feriado até a quarta-feira.

🔴 Tensão da Rússia

As pressões sobre os preços estão sendo estimuladas pelo elevado custo das commodities, que vão do combustível aos alimentos, em parte devido às interrupções da guerra da Rússia na Ucrânia.

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Esses desafios podem se intensificar: a União Europeia está preparada para propor uma proibição do petróleo russo até o final do ano, com restrições às importações introduzidas gradualmente até lá, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Um retrato dos mercados na manhã de segunda-feiradfd

🟢 As bolsas na sexta-feira: Dow Jones (-2,77%), S&P 500 (-3,63%), Nasdaq Composite (-4,17%), Stoxx 600 (+0,74%), Ibovespa (-1,86%)

O peso das ações de tecnologia levou as bolsas de valores norte-americanas não apenas a fecharem na sexta-feira no vermelho, mas também a registrarem perdas no balanço do mês. Na semana passada, além dos receios de uma política do Fed mais rígida, as preocupações dos investidores foram agravadas por relatórios trimestrais de gigantes tecnológicos como Apple e Amazon. Em abril, o S&P 500 caiu 8,80%, a maior queda desde março de 2020. O Nasdaq Composite perdeu 13,26% no período, o pior desempenho desde 2008. A Dow Jones Industrials caiu 4,91% no mês.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Feriados: China, Hong Kong, Reino Unido

• Indicadores PMIs: Estados Unidos, Canadá, Zona do Euro, Alemanha, França, Espanha, Itália, Brasil, México

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• EUA: Preços no Setor Manufatureiro ISM/Abr; Índice ISM de Emprego no Setor Manufatureiro/Abr; Gastos de Construção/Mar; Pesquisa Fed com Principais Bancos de Empréstimos

• Europa: Zona do Euro (Confiança de Empresas e Consumidores/Abr; Clima de Negócios/Abr; Expectativas de Inflação ao Consumidor/Abr); Alemanha (Vendas no Varejo/Mar)

• Ásia: Japão (Vendas de Veículos/Abr; Índice da Confiança Entre as Famílias/Abr)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus; Balança Comercial/Abr); Argentina (Receita Tributária)

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📌 E para amanhã:

• Feriados: China (Dia do Trabalho), Japão (Dia da Constituição)

• EUA: Índice Redbook; Encomendas à Indústria/Mar; Ofertas de Emprego JOLTs/Mar; Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

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• Europa: Zona do Euro (Encontro do Eurogrupo; IPP/Mar; Taxa de Desemprego/Mar); Alemanha (Taxa de Desemprego/Abr); Reino Unido (PMI Industrial/Abr; Índice BRC de Preços Praticados no Varejo)

• Ásia: Hong Kong (PIB/1T22)

• América Latina: Brasil (Produção Industrial/Mar)

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• Bancos Centrais: Decisão sobre juros da Austrália. Discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE.

• Balanços: Pfizer, Norsk Hydro, AMD, S&P Global, Airbnb, Estee Lauder, Starbucks, BP, BNP Paribas, Eaton, Deutsche Post, Marathon Petroleum, AIG, KKR, Hilton, DuPont, Teva, Lyft

--Com informações da Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.