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Mercados

Mercados internacionais descompassados em dia de balanços e macro forte

Investidores aguardam números de titãs da tecnologia e dados macroeconômicos para avaliar a resistência da economia; futuros de índices recuam nos EUA e bolsas europeias sobem

As variáveis que orientarão os mercados
26 de Abril, 2022 | 08:48 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Barcelona, Espanha — Dia de dados macroeconômicos fortes no mercado norte-americano, além de balanços de gigantes dos setores tecnológico e bancário. Os mercados da Europa e dos Estados Unidos operavam em descompasso na manhã de hoje. As bolsas do continente subiam, se ajustando à alta de ontem em Wall Street, já que o europeu Stoxx 600 fechou com 1,81% de queda. Entre os futuros de índices nos EUA, o movimento é negativo.

O cenário das bolsas, no entanto, é incerto e depende de inúmeros fatores. Continuam ecoando no mercado a perspectiva de taxas de juros mais elevadas em âmbito mundial, notadamente nos EUA, e os desdobramentos da guerra na Ucrânia.

Instantes atrás, os futuros de índices norte-americanos cediam, à espera dos números de titãs da tecnologia. Os investidores querem ver como a inflação e a comportamento dos consumidores está afetando a saúde financeira das companhias. Nos negócios prévias à abertura das bolsas, as ações do Twitter (TWTR) subiam, repercutindo a aceitação da oferta de US$ 44 bilhões lançada por Elon Musk. Os prêmios do Tesouro diminuíam e o dólar mostrava estabilidade.

Na Europa, o Stoxx 600 recuperava-se de um mínimo de seis semanas, com a Novartis AG e o UBS Group AG dando os maiores impulsos com suas demonstrações financeiras. O setor de recursos básicos lideravam o avanço, impulsionados pelos ganhos melhores que os esperados da fabricante de papel UPM-Kymmene Oyj e da fabricante de rolamentos SKF AB. As ações da HSBC Holdings, por sua vez, caíam. O banco informou que a compra de ações adicionais era improvável este ano, após um declínio em uma medida chave de força de capital em seu balanço.

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📡 A macro no radar

Hoje o mercado receberá indicadores que darão uma mostra da fortaleza da economia norte-americana, como o de pedidos de bens duráveis, o índice Redbook, a confiança do consumidor e a venda de casas novas. Os balanços também serão um vetor importante. No geral, os informes corporativos têm sustentado o ânimo dos compradores - cerca de 80% das empresas que divulgaram seus números até agora superaram as expectativas de lucro. Até o fim da semana teremos balanços de gigantes como Alphabet, Apple, Amazon e Meta Platforms.

🇨🇳 China pede calma

O noticiário da China continua entre os destaques. O receio de lockdowns mais amplos na China, que está firme na sua política de covid zero, alarma os investidores sobre o risco de uma desaceleração global, já que intensifica o impacto sobre as cadeias de abastecimento. Mas o país tenta acalmar os mercados: o banco central chinês se comprometeu a usar seus instrumentos de política monetária para apoiar sua economia. Disse que dará apoio às indústrias e pequenas empresas atingidas pela pandemia e que manterá a liquidez nos mercados razoavelmente ampla.

📊 Café com números

Dentre os balanços divulgados na manhã europeia, estão os do Santander, cujos números superaram as estimativas. O maior concessor de empréstimos da Espanha lucrou 2,54 bilhões de euros (US$ 2,72 bilhões) no primeiro trimestre, superando o consenso dos analistas de 2,26 bilhões de euros. O UBS Group AG também surpreendeu positivamente no primeiro trimestre. O banco sediado em Zurique reportou um lucro líquido de US$ 2,1 bilhões.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Musk x Twitter: perguntas que buscam respostas

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Um panorama dos mercadosdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow Jones (+0,70%), S&P 500 (+0,57%), Nasdaq Composite (+1,29%), Stoxx 600 (-1,81%), Ibovespa (-0,35%)

O setor de tecnologia ajudou as bolsas norte-americanas a reverterem as perdas de grande parte da sessão, provocadas sobretudo pelo receio de que o Covid-19 continue a atingir a economia chinesa. As empresas tecnológicas lideraram os ganhos, impulsionadas pelas perspectivas com relação aos balanços trimestrais que estão por vir: Alphabet, Meta Platforms, Amazon e Apple. No final do dia, as ações do Twitter avançaram com o acordo de compra, por US$ 44 bilhões, da rede social pelo bilionário Elon Musk.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Pedidos de Bens Duráveis/Mar; Índice Redbook; Índice de Preços de Imóveis/Fev; Confiança do Consumidor CB/Abr; Venda de Casas Novas/Mar; Índice de Manufatura Fed Richmond/Abr; Perspectiva do Setor de Serviços de Texas/Abr; Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

• Europa: Reino Unido (Dívida Líquida do Setor Público/Mar; Necessidade de Financiamento Líquido do Setor Público/Mar)

• Ásia: China (Lucro Industrial chinês/Fev)

• América Latina: México (Vendas no Varejo/Fev); Argentina (Vendas no Varejo)

• Bancos centrais: Discursos de Sam Woods (vice-presidente do BoE) e Sabine Mauderer (Bundensbank)

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• Balanços: Microsoft, Alphabet, Atlas Copco, Visa, PepsiCo, Novartis, UPS, Texas Instruments, Raytheon Technologies, Ganfeng Lithium, HSBC, General Electric, Mondelez, 3M, UBS, General Motors, Capital One, Warner Bros Discovery, Santander, ADM, Valero, Chipotle, MSCI

📌 E para amanhã:

• EUA: Pedidos e Juros de Hipotecas de 30 anos - MBA; Índice de Compras MBA; Balança Comercial de Bens/Mar; Nível de Estoques do Varejo excluindo Automóveis/Mar; Estoques no Atacado; Vendas Pendentes de Moradias/Mar; Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA; Relatório Semanal EIA de Estoques de Destilados

• Europa: Alemanha (Confiança do Consumidor GfK/Maio); França (Confiança do Consumidor/Abr)

• Ásia: Japão (Produção Industrial/Mar); Vendas no Varejo/Mar

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• América Latina: Brasil (IPCA-15/Abr; Empréstimos Bancários/Fev); México (Balança Comercial/Mar); Fluxo Cambial Estrangeiro

• Bancos centrais: Discursos de Christine Lagarde (presidente do BCE), Johannes Beermann (Bundensbank) e Tiff Macklem (Bank of Canada)

• Balanços: LG, Meta, Vale, T-Mobile, Qualcomm, Amgen, Yara, Boeing, PayPal, Canadian Pacific, GlaxoSmithKline, Mercedes-Benz, Iberdrola, Ford, Kraft Heinz, Hess, Lloyds, Spotify, UniCredit, Credit Suisse, Hertz

--Com informações da Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.