Negócios

Petrobras encerra tumultuada troca de bastão com posse de Coelho

José Mauro Coelho assume comando da estatal em momento que altos preços dos combustíveis fazem pressão política

Petrobras
Por Mariana Durao
14 de Abril, 2022 | 06:36 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — A Petrobras (PETR4) escolheu José Mauro Coelho para se tornar o próximo presidente-executivo da maior produtora de petróleo da América Latina, em um momento em que os altos preços dos combustíveis a colocam sob escrutínio político.

A estatal empossou Coelho em uma cerimônia nesta quinta-feira (14), encerrando uma tumultuada transição de liderança. O evento ocorreu após uma reunião de acionistas na quarta, na qual os investidores minoritários obtiveram uma vitória ao aumentar sua representação no conselho para quatro membros, em vez de três.

A Petrobras também elegeu como presidente Marcio Andrade Weber, engenheiro civil da Universidade do Estado do Rio Grande do Sul. Weber trabalhou anteriormente na Petrobras e já era membro do conselho.

Coelho assumirá o controle da Petrobras em um momento em que os altos preços dos combustíveis a transformaram em um saco de pancadas político antes das eleições de outubro. Ele será o terceiro CEO da Petrobras sob o presidente Jair Bolsonaro, que espera que ele ajude a difundir a frustração pública com os preços dos combustíveis.

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Na cerimônia, Coelho agradeceu a Bolsonaro por confiar nele para administrar a empresa e prometeu melhorar a comunicação com o Congresso, que vem discutindo subsídios e fundos de estabilização para reduzir os preços dos combustíveis. Ele também reforçou o compromisso da empresa com desinvestimentos e preços de combustível baseados no mercado.

“Esse cenário leva ao aumento da concorrência, com benefícios para o consumidor brasileiro”, disse.

Bolsonaro disse que quer alguém na Petrobras que faça um trabalho melhor em comunicar suas políticas de preços de combustível do que a gestão anterior. A Petrobras acompanha os preços internacionais enquanto protege os consumidores da volatilidade de curto prazo.

Ele não foi a primeira escolha de Bolsonaro. Ele já havia escolhido um conhecido consultor de energia para o cargo, que acabou desistindo devido a possíveis conflitos de interesse.

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Coelho substitui Joaquim Silva e Luna, um general que vinha brigando com Bolsonaro por causa dos altos preços dos combustíveis e foi demitido do cargo pelo presidente. Uma estabilização dos preços do petróleo facilitaria o trabalho de Coelho.

“O ruído do preço do combustível diminuiu e o principal risco daqui para frente é se os preços do petróleo continuarem subindo”, disse Marcos Peixoto, gerente de portfólio da XP (XP) em São Paulo. “Todos os nomes indicados pelo governo são técnicos e grandes mudanças são improváveis.”

Investidores minoritários reelegeram Marcelo Gasparino e Marcelo Mesquita para o conselho. O banqueiro bilionário José João Abdalla, um dos maiores acionistas da Petrobras, também conseguiu uma vaga, assim como o especialista em governança e ex-membro do conselho Francisco Petros.

Coelho na presidência da Petrobras

Como CEO, Coelho precisará navegar pelas prioridades conflitantes de Bolsonaro, que está preocupado com as consequências políticas do petróleo de US$ 100, e investidores que querem que a empresa continue cobrando preços de combustível baseados no mercado e pagando dividendos robustos. Os investidores também querem que a empresa continue desinvestindo bilhões de dólares em ativos e se concentre nos campos gigantes do pré-sal que geram mais receita.

Os dois antecessores anteriores de Coelho foram demitidos em meio a disputas públicas com Bolsonaro sobre os preços dos combustíveis. Luna disse que sofreu pressão política para conter os preços da gasolina e do diesel que levaram à sua demissão. A Petrobras teve um desempenho inferior ao de seus pares este ano com a preocupação de que subsidiaria o combustível. As ações subiram 10% em São Paulo este ano, atrás do índice Ibovespa.

Embora Coelho tenha defendido a paridade internacional de preços de combustível no passado e seja improvável que mude a política atual da Petrobras, não está claro o que acontecerá com a empresa após as eleições de outubro. Bolsonaro expressou frustração com os preços internacionais, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também candidato, culpou Bolsonaro pelos preços nas bombas e sugeriu que a empresa cobrasse preços abaixo do mercado.

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--Com a colaboração de Vinícius Andrade

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