Internacional

Combate à covid ameaça oferta e demanda de commodities na China

Restrições para conter a variante ômicron reduziram o consumo de combustível, com interrupções nas cadeias de suprimentos

Quanto mais tempo Pequim insistir na estratégia de Covid Zero, maior será o impacto no consumo de commodities porque essas compras vão sendo adiadas
Por Bloomberg News
25 de Março, 2022 | 09:05 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Quase 80% da economia chinesa foi afetada de alguma forma pelo pior surto de covid-19 em dois anos. A oferta de commodities está abalada e a ameaça à demanda vem aumentando.

As restrições impostas para conter a disseminação da variante ômicron atingiram principalmente as viagens de curta e longa distância, reduzindo diretamente o consumo de combustível e causando interrupções nas cadeias de suprimentos.

Quanto mais tempo Pequim insistir na estratégia de Covid Zero, maior será o impacto no consumo de commodities porque essas compras vão sendo adiadas. Isso inclui, por exemplo, a compra de cobre para fabricação de eletrônicos e de aço para a fabricação de automóveis. A produção também está em risco porque os estoques de matérias-primas estão diminuindo e os trabalhadores estão em casa.

Paralisações generalizadas em empresas que processam metais podem elevar preços que já bateram recordes nas últimas semanas por causa da guerra na Ucrânia. Isso preocuparia os responsáveis pelo combate à inflação e pelo planejamento econômico. No entanto, a demanda deve recuar em algum momento e o impacto líquido nos preços ainda é incerto.

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Demanda de petróleo

Refinarias de petróleo independentes que se concentram na província de Shandong precisaram revender petróleo e frear operações diante da queda da demanda. A consultoria OilChem calcula que essas refinarias reduziram o processamento para cerca de 50% da capacidade, o menor nível em mais de cinco anos, excluindo o período de chegada da pandemia em 2020.

Na semana passada, o Goldman Sachs Group baixou as previsões para o preço do petróleo do tipo Brent e para o consumo de petróleo na China no segundo trimestre devido ao lockdown em grandes centros urbanos como Xangai e Shenzhen.

Oferta de metais

Todas as principais províncias produtoras de aço enfrentam restrições à circulação de caminhões. Em breve pode faltar matéria-prima para as usinas siderúrgicas, alertou a Lange Steel Information Research Center. A escassez de material provocará queda na produção se as restrições impostas para combater a Covid-19 não forem flexibilizadas na semana que vem, segundo o centro de pesquisa.

No caso dos metais de base, o principal impacto até agora é no lado da oferta. As restrições à circulação de veículos dificultam o escoamento de matérias-primas e produtos finalizados.

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Uma processadora de cobre e alumínio reduziu temporariamente a produção em suas unidades em Tangshan devido à falta de matéria-prima.

Produção de carvão interrompida

A epidemia atrapalha a produção de carvão porque o trabalho de mineração e o transporte das minas para as fábricas estão mais lentos. As filas de caminhões que aguardam para carregar e descarregar combustíveis fósseis estão ficando mais longas.

O carvão é o principal combustível da China e ajuda a determinar os preços dos metais. Esses preços tendem a subir se o custo de produção aumentar por causa da falta de combustível.

As importações e exportações de commodities da China também correm risco com os portos mais congestionados.

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