Mercados

Ações lutam para ficar no azul e petróleo cai com acordo EUA-Europa sobre energia

Tantos os futuros de índices nos EUA como as bolsas europeias abriram no vermelho, mas ganharam tração e migraram para o campo positivo

As variáveis que orientarão os mercados
25 de Março, 2022 | 08:49 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — O fim de semana chega com os investidores em ações lutando para levantar os principais indicadores dos Estados Unidos e da Europa. Depois de uma abertura negativa, tanto as bolsas europeias como os futuros de índices norte-americanos tentavam se manter em terreno positivo.

Ainda assim, o rumo é incerto e dependente de um cenário duvidoso. Para ajustar sua exposição nos mercados financeiros, os investidores observam com atenção as notícias sobre as sanções à Rússia e a reação dos mercados de commodities. Os indicadores da Europa e dos EUA têm se descolado cada vez mais, já que o impacto da guerra na Ucrânia é direto no continente.

Instantes atrás, o índice Stoxx Europe 600, que durante boa parte da manhã esteve entre altas e baixas, se deixava orientar pelos ganhos dos setores de tecnologia e imobiliário. Os papéis da Trelleborg AB subiam depois que o grupo industrial sueco concordou em vender seus negócios de pneus. Por outro lado, as empresas de energia mostravam um desempenho abaixo do esperado, seguindo a queda de preços do gás natural com a notícia de que os EUA e a União Europeia chegaram a um acordo de suprimento da matéria-prima, diminuindo a dependência europeia do abastecimento russo.

Os futuros do S&P 500 e Nasdaq 100 mostravam pequenas variações positivas. Os prêmios do Tesouro, que subiam no começo da manhã, cediam instantes atrás. Ultimamente, o rendimento de curto prazo do Tesouro tem visto um aumento trimestral mais acentuado desde 1984. O petróleo recuava - o WTI já era cotado em torno de US$ 100 o barril.

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😶‍🌫️ Mercados atordoados

São duas as frentes de preocupação dos investidores. A primeira é o desenrolar da guerra e do isolamento da Rússia, que não só afeta o tabuleiro das forças geopolíticas, como traz consequências visíveis à inflação mundial.

De outro lado vem a política monetária dos bancos centrais mundiais. A inflação já vinha sendo tratada como um indesejável intruso e, com a guerra, o problema se agrava. Na tentativa de controlar a espiral inflacionária, as autoridades monetárias estão lançando mão de medidas como o aumento de juros e o fim dos programas de recompra de ativos (que deram liquidez aos mercados no período mais agudo da pandemia).

⏹ Freada econômica?

Porém, um aperto monetário neste cenário de maior inflação e incertezas pode frear a economia bruscamente. Alguns especialistas em análise técnica identificam nas curvas de juros dos bônus do Tesouro dos EUA a expectativa de que haja uma forte desaceleração econômica - há quem fale até em recessão.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Um mês de guerra e a Europa aperta o cinto

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Um panorama dos mercadosdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (+1,02%), S&P 500 (+1,43%), Nasdaq (+1,93%), Stoxx 600 (-0,21%), Ibovespa (+1,36%)

No aniversário de um mês da invasão russa à Ucrânia e com todas as incertezas no ar, as bolsas de valores dos EUA registraram ganhos consideráveis no fechamento de ontem. Mesmo com o esperado impacto da guerra sobre as economias mundiais e o aperto monetário anunciado aos quatro ventos pelo Fed, Wall Street se ateve à percepção de que a economia americana sentirá menos os solavancos econômicos. Os preços do petróleo recuaram 3%, apagando os ganhos da jornada anterior, quando o mercado reagira à queda dos estoques de petróleo bruto dos EUA na última semana.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Expectativas de Inflação a 5 anos/Mar e Confiança do Consumidor - Michigan/Mar; Vendas Pendentes de Moradias/Fev)

• Europa: Cúpula de líderes da União Europeia. Zona do Euro (Massa Monetária M3, Empréstimos ao Setor Privado); Alemanha (Índice Ifo de Clima de Negócios/Mar); Reino Unido (Vendas no Varejo/Fev); Espanha (PIB/4T21); Itália (Confiança Empresarial/Mar)

• América Latina: Brasil (Confiança do Consumidor FGV/Mar; IPCA-15/Mar)

• Bancos Centrais: Discursos de Catherine Mann (BoE) e dos membros do Fed John Williams, Thomas Barkin e Christopher Waller

📌 E para segunda-feira:

• EUA: Balança Comercial de Bens/Fev; Estoques do Varejo excluindo Automóveis/Fev; Índice de Atividade das Empresas Fed Dallas/Mar

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• Ásia: Japão (Taxa de Desemprego/Fev); Hong Kong (Balança Comercial/Fev)

• América Latina: Brasil (Boletim Focus, Transações Correntes/Fev; Investimento Estrangeiro Direto/Fev); México (Balança Comercial/Fev); Argentina (Vendas no Varejo)

• Bancos centrais: Pronunciamento de Andrew Bailey, presidente do BoE

-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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