Internacional

Como anda o bem-estar financeiro na Europa após um mês de guerra

Capacidade de equilibrar receitas e despesas piorou em relação a 2020 com inflação e incertezas em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia

Cai o nível de bem-estar financeiro da Europa, mas poupança acumulada vai ajudar em tempos de inflação alta
24 de Março, 2022 | 07:37 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Passada a fase de lockdown na Europa, o continente esperava por uma inflação ainda elevada no primeiro semestre deste ano, mas com um viés de queda a partir da segunda metade de 2022. A guerra entre Rússia e Ucrânia mudou esse cenário e gerou um impacto direto no bem-estar financeiro dos países europeus, reduzindo a capacidade da população de equilibrar receitas e despesas esperada para 2022.

O Barômetro de Bem-estar Financeiro medido pelo Intrum, maior empresa de cobrança e gestão de crédito da Europa, mostra que os 24 países europeus avaliados tiveram uma piora em seus resultados em comparação ao ano anterior. Basicamente, o índice leva em conta três indicadores: capacidade de pagamento de contas, capacidade de poupança e educação financeira da população.

“A Europa estava esperançosa com o fim das restrições de circulação, mas ainda apreensiva com a inflação. Porém, com a guerra, ficou um pouco mais obscura a retomada do crescimento do continente ainda em 2022. A inflação, que tinha uma perspectiva de queda no segundo semestre, provavelmente não vai mais acontecer”, Ulisses Rodrigues, CEO da Intrum Brasil, em entrevista exclusiva para a Bloomberg Línea.

Para o executivo, o europeu tende a conter suas despesas ao longo de 2022, viajar menor e usar parte da poupança acumulada ao longo do tempo para enfrentar os próximos meses. “Muita coisa vai depender de quanto tempo a guerra durar. O atual nível de poupança das pessoas permite que as famílias usem parte desse dinheiro para manter suas dívidas equilibradas, que mantém a Europa como um todo fortalecida”, diz Rodrigues.

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Os mais bem preparados

Áustria, Alemanha e Suíça, nesta ordem, formam o grupo de países mais bem preparados para enfrentar a sombra econômica que aparece pela frente. Na segunda posição em 2020, a Áustria superou a Alemanha no ano passado graças ao rendimento mantido pelas famílias e também à educação financeira do país acima da média europeia.

Caindo uma posição, para o segundo lugar no índice de bem-estar financeiro, a Alemanha tem na elevada renda das famílias um forte ponto de apoio para superar as incertezas políticas, porém, a pesquisa identificou uma queda na capacidade de poupança futura dos alemães. Já a Suíça saltou da décima quinta para a terceira posição devido a um comportamento não esperado. Enquanto a maioria dos economistas esperava um aumento dos gastos dos suíços após o fim das restrições, a população se manteve firme na estratégia de poupar, garantindo uma melhora expressiva no índice.

Os mais expostos

Há mais de uma década de crises econômicas, a Grécia tem o pior nível de bem-estar financeiro da Europa pelo terceiro ano consecutivo. Em uma economia que depende fortemente do turismo, os consumidores gregos estão particularmente preocupados com o impacto de longo prazo da pandemia. Segundo pesquisa do Consórcio Europeu para Pesquisa Política (ECPR), três em cada 10 gregos disseram esperar que leve entre um e dois anos para a Covid-19 parar de ter um efeito negativo em suas finanças. Um quarto (25%) deles disse esperar que a recuperação virá daqui a mais de dois anos, bem acima dos 14% da média europeia.

O Brexit influenciou na posição do Reino Unido no ranking, que ficou apenas na posição 22 de um total de 24 países pesquisados. O impacto de longo prazo da saída da União Europeia nas cadeias de suprimentos e no comércio do país permanece incerto. Além disso, a quedas na capacidade dos consumidores de pagar as contas em dia, na capacidade de economizar e na alfabetização financeira, especialmente entre a geração Z de consumidores mais jovens, influenciaram na posição deste ano.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.