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Estilo de vida

Como os influenciadores ganham dinheiro no TikTok?

Aplicativo foi o mais baixado de 2021 e liderou a lista à frente de plataformas que já tiveram esse posto, como Instagram, Facebook e WhatsApp

"O TikTok tem algumas funcionalidades de monetização de conteúdo não existentes no Instagram"
18 de Março, 2022 | 04:29 am
Tempo de leitura: 5 minutos

Bloomberg Línea — Pergunte ao Google qual o aplicativo mais baixado do mundo e a resposta virá em letras garrafais: TikTok. Segundo a agência de dados Statista, o aplicativo de compartilhamento de vídeos curtos registrou 656 milhões de downloads durante o ano de 2021. Instagram, Facebook e WhatsApp, vieram na sequência com 545 milhões, 416 milhões e 395 milhões de downloads, respectivamente.

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No segundo semestre do ano passado, o TikTok bateu a marca de um bilhão de usuários ativos no mundo, de acordo com a própria plataforma, que não divulga o registro dividido por países. Por aqui, a conta brasileira mais seguida da rede social é da influenciadora digital Virginia, conforme a plataforma SocialTracker, com cerca de 30,3 milhões de seguidores. O humorista Tirullipa vem na sequência, com 27,2 milhões, e a atriz Larissa Manoela logo depois, com 24,3 milhões.

“Desde o nosso lançamento aqui, recebemos uma resposta muito positiva do mercado e estamos entusiasmados com o forte engajamento de nossos usuários brasileiros e a tendência contínua de crescimento no país”, disse Kim Farrell, diretora de Marketing do TikTok para a América Latina, à Bloomberg Línea.

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O TikTok pertence à holding chinesa ByteDance, atualmente a startup mais valiosa do mundo, segundo a Bloomberg News. A ByteDance se tornou a primeira empresa chinesa de internet a alcançar o sucesso global com o TikTok, e foi avaliada em US$ 140 bilhões em uma rodada de investimentos em 2020 e depois subiu para até US$ 500 bilhões antes de cair desse pico, informou a Bloomberg News. A companhia chinesa preparava uma oferta pública inicial (IPO), mas suspendeu os planos no ano passado, assim como outras companhias asiáticas.

O aplicativo foi criado pela companhia em 2016 e chegou ao Brasil em 2018, com um impulso fundamental durante a pandemia, com as medidas de lockdown estimulando que as pessoas se conectassem mais por meio das redes sociais.

“O TikTok é uma plataforma global e estamos comprometidos em construir uma experiência local personalizada, independentemente do mercado em que operamos. Temos uma estratégia de localização forte, em que incentivamos os usuários a criarem conteúdos relevantes para sua cultura e tendências regionais. Acreditamos que isso tenha feito a diferença para nosso sucesso no país” disse a representante da plataforma à Bloomberg Línea.

Veja mais: Profissão influencer: criar conteúdo nas redes é um negócio de verdade

Como funciona a estratégia para influenciadores?

Ainda que tenha menos usuários ativos que o Instagram, que registrava cerca de dois bilhões de seguidores em dezembro de 2021, o TikTok tem um grande nível de importância entre criadores de conteúdo e influenciadores digitais.

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Conforme Judeilton Reis, Head de Social Media da Mynd, o aplicativo “tem um potencial gigantesco de crescimento” e vem ganhando “cada vez mais apelo publicitário”. “Quanto antes o influenciador se tornar presente na plataforma, mais ele irá se desenvolver e ganhar espaço”, disse o representante da agência à Bloomberg Línea. A Mynd é uma agência especializada em marketing de influência e entretenimento, dos sócios Fátima Pissarra, Preta Gil e Carlos Scappini, com cerca de 350 personalidades, entre nomes como as cantoras Claudia Leitte e Luísa Sonza, e o ex-BBB Gil do Vigor.

“Se a meta for financeira, o TikTok vem ganhando cada vez mais apelo publicitário e gerando sim lucro para os creators”, disse Reis. “Mas vale ressaltar que são necessárias constância, dedicação e estratégia para alcançar as marcas. Esse é um ponto que levamos hoje na Mynd para o nosso casting. É muito importante criar um conteúdo que segmente seu público e tenha apelo publicitário.”

Quanto aos ganhos que um influenciador pode ter com o TikTok, o especialista diz que varia muito. “Na Mynd, trabalhamos com todo tipo de creator e conversamos diariamente com as marcas. Nós percebemos que ter um número alto de seguidores nem sempre é garantia de um grande alcance. Outros fatores contribuem para a precificação do post, por exemplo: Quem é o creator? Qual é o seu público? Qual é a média de visualizações dos seus vídeos? Esses são alguns fatores determinantes.”

Como se ganha dinheiro com conteúdo?

Judeilton explica que a precificação de posts no TikTok e no Instagram é diferente.

“Na maioria das vezes, o influenciador cobra mais por uma publicidade no Instagram do que por uma no TikTok. Mas é importante ressaltar que, dependendo da popularidade do creator, isso pode mudar. Se ele for mais conhecido no TikTok, por exemplo, seu preço na plataforma será maior.”

Há ainda diferentes formas de monetizar o conteúdo. “O TikTok tem algumas funcionalidades de monetização de conteúdo não existentes no Instagram”, explica. “No TikTok, por exemplo, você consegue monetizar através da ferramenta de indicação de amigos, chamada TikBônus. Ela garante que o usuário lucre ao indicar um amigo para se cadastrar no aplicativo. É possível também monetizar as lives e vídeos postados, receber gorjetas de seus seguidores e através da publicidade nos posts”.

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Questionado sobre a importância da presença dos criadores de conteúdo em ambas as redes sociais, Reis diz que a expansão é sempre importante. “O influenciador tem que estar ligado nas novas tendências e se apropriar delas logo no início, já que cada rede social tem um público diferente, e essa é uma maneira de expandir a audiência, lucrando, consequentemente, com isso.”

Alcance ampliado

O TikTok vem recebendo reconhecimento de sua importância até mesmo em esferas mais tradicionais - e que até pouco tempo não tinha uma conexão tão significativa com redes sociais.

Em fevereiro deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral firmou um acordo com a rede social para a coordenação de esforços no combate à disseminação de desinformação nas eleições de outubro. O TikTok se comprometeu a criar uma página em sua plataforma que centralizará informações educativas e confiáveis sobre o processo eleitoral.

A rede também apoiará a transmissão ao vivo de eventos realizados pelo TSE e divulgará conteúdos de serviços ao eleitorado, além de cartilhas e treinamentos sobre combate à desinformação. O TikTok abrirá um canal de denúncias sobre disseminação de conteúdo desinformativo, informando ao TSE sobre o andamento da apuração dessas denúncias e se comprometendo em remover conteúdos maliciosos e apoiando as instituições de checagem.

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Veja mais: Aplicativos fecham acordo contra ‘fake news’ na eleição; Telegram fica fora

Nos Estados Unidos, a Casa Branca realizou uma reunião com cerca de 30 influenciadores de mídia social no último dia 10 sobre a política americana sobre a Ucrânia, em um esforço para combater a propaganda russa, conforme reportou a Bloomberg News.

O briefing para os influenciadores, muitos dos quais também têm grande presença no Twitter e no YouTube, incluiu uma avaliação dos EUA sobre o rumo da guerra.

Alcançar os criadores digitais reflete o reconhecimento do governo do presidente Joe Biden de que muitas pessoas nos EUA, principalmente os jovens americanos, recebem notícias sobre a Ucrânia por meio de canais sociais.

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.