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Com faturamento de R$ 120 milhões, Boca Rosa agora quer um ‘império’

Nascida no complexo de favelas da Maré, no Rio, Bianca Andrade foi eleita uma das 500 personalidades mais influentes da AL pela Bloomberg Línea

Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — Se você nunca ouviu falar das marcas Boca Rosa Beauty e Boca Rosa Hair, é bom passar a prestar atenção nesses nomes. Bianca Andrade, aos 27 anos, é a criadora por trás - e também o rosto de campanhas - das marcas de maquiagem e produtos para cabelo, respectivamente. Em um ano que poucas pessoas se preocupavam em usar produtos de maquiagem por cumprir medidas de distanciamento social, no auge da pandemia de Covid, a marca da influenciadora digital conseguiu aumentar seu faturamento e fechar 2020 com R$ 120 milhões.

“Não é como se eu colocasse isso tudo no bolso, é importante que as pessoas saibam. Não é um dinheiro que fica para mim, tem muitas pessoas envolvidas. É um dinheiro que fica para o meu império, é o que faz a nossa máquina girar”, disse Bianca em entrevista à Bloomberg Línea.

“Eu sou ambiciosa, sonho em ser a marca de maquiagem que mais vende no Brasil.” Sua marca de maquiagem é uma cocriação com Payot, e a de cabelo com a Cadiveu.

Bianca começou sua carreira de influenciadora digital de forma simples: ensinando maquiagem em vídeos no Youtube, aos 16 anos. Nascida no Complexo da Maré, conjunto de favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro, ela começou suas publicações em seu blog e canal de vídeos em 2011, o Boca Rosa - como era conhecida por usar batom de cor rosa. Hoje, ela acumula 16,5 milhões de seguidores no Instagram e 5,7 milhões de inscritos no canal do Youtube, além de participações em filmes, capas de revistas e a passagem pelo reality Big Brother Brasil em 2020, quando se tornou mais conhecida fora do universo da internet.

Eu entrei no BBB com um propósito: me posicionar como empreendedora para o público do sofá. O público da internet já me conhecia, o pessoal do offline não. Eu entrei na intenção de me posicionar como empreendedora. Saí dividindo opiniões, mas minha marca vendeu três vezes mais.

—  Bianca Andrade

Os ganhos de Bianca Andrade com o Instagram giram em torno de US$ 32 mil e US$ 54 mil por post, conforme a ferramenta Influencer Marketing Hub (que não tem ligação oficial com a rede social), com uma taxa de engajamento de 2,20%. A efeitos de comparação, a cantora Anitta, que tem um dos perfis brasileiros mais seguidos da rede social, - com 57 milhões de seguidores -, tem uma taxa de engajamento de 1,19%, de acordo com a ferramenta.

500 da Bloomberg Línea

Bianca foi eleita uma das 500 personalidades mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea, e conta que se sente realizada por ter ajudado a criar a profissão de influenciadora no país. Para ela, o ponto de virada entre ser somente o rosto de campanhas para ter sua própria marca foi quando percebeu que gostava tanto do bastidor quanto de estar na frente das câmeras.

Ela conta que a trajetória das Kardashians, família de influenciadoras americanas, foi inspiradora para que ela percebesse que era possível ter um negócio, além de ser influencer contratada por outras marcas.

“Eu pesquisei muito sobre as Kardashians e como elas conseguiam ser famosas e isso não interferir nos negócios delas. Cheguei a assistir uma palestra da Kris Jenner em Los Angeles. Logo depois lancei a Boca Rosa Beauty”, conta a carioca, que hoje mora em São Paulo. “Muitos dos meus produtos são inovadores, coisas que eu queria e ainda não via no mercado brasileiro. Hoje tem milhares de produtos parecidos com os meus. Para mim, isso é sinônimo de sucesso.”

No Brasil, Bianca diz que vê a presidente do conselho do Magazine Luiza, Luiza Trajano, como referência. “Ela é simples, ousada, vendedora, trabalhadora. Eu aprendi isso para minha vida.”

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“Eu virei a chavinha, de só influenciadora para também empresária, quando uma amiga, dona de uma marca, disse que eu também poderia ter minha própria marca. Fiquei com aquilo na cabeça”, relembra.

Ela conta que enfrentava dificuldades de enfrentar os paradigmas por ser mulher, jovem e influenciadora. “Eu não era levada a sério no começo. Quando sento em mesas com empresários e eles não me conhecem costuma ser mais fácil.”

“Mas eu não levava para o pessoal. Eu entendia que era um obstáculo e eu tinha que enfrentar.”

A influenciadora diz que, durante a pandemia, percebeu como estar na internet foi importante não só para as sua próprias marcas como também para ajudar a fortalecer seus parceiros, para quem trabalhava como influenciadora fazendo campanhas publicitárias.

“Uma das minhas mentoras sempre diz que ‘a rua mais movimentada do mundo é a internet’, e foi onde todo mundo se encontrou durante a pandemia. É o maior PDV [ponto de venda] que alguém pode ter hoje em dia, e foi o único que funcionou quando as lojas físicas tiveram que fechar.”

Entre seus próximos passos de expansão, Bianca diz que estão, primeiro, a consolidação de seu escritório, o Boca Rosa Company, uma espécie de holding de suas marcas físicas; e, em seguida, quer entrar no ramo de produtos infantis, “Boca Rosa Baby”. Ela deu à luz seu primeiro filho, Cris, em julho deste ano, e conta que ser mãe a ajudou a se tornar ainda mais forte para ir em busca de seus objetivos.

“Não é fácil. Não existe ‘Mulher Maravilha’, a gente não é ‘Mulher Maravilha’. Tem dias que eu sento e choro para acalmar os ânimos. E ao mesmo tempo sempre encontramos a solução para tudo.”

Eu invisto em...

Bianca conta que já passou muito tempo valorizando demais seu trabalho e seu esforço, e hoje busca equilíbrio, e tenta passar mais tempo com seu marido e filho.

Eu invisto em bem estar. Já passei a vida me estrangulando por trabalho. Hoje, minha família, meu bebê, me traz esse equilíbrio, que é fundamental pra minha empresa. Nada funciona se você não estiver bem, se não tiver saúde, e pandemia nos mostrou isso também

—  Bianca Andrade

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.