Saúde

Covid: Crematórios de Hong Kong ficam praticamente no limite após surto

Cidade registrou quase 1 milhão de casos em seu surto atual e fechou praias como medida de contenção

Cidade sofre pressão do surto mais sério em toda a pandemia
Por Linda Lew
16 de Março, 2022 | 11:59 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Os crematórios de Hong Kong estão sobrecarregados com a maior taxa de mortalidade por covid-19 do mundo, se aproximando de 1 milhão de infecções no surto atual.

“Nossos crematórios estão funcionando 24 horas por dia e já estão perto de sua capacidade total”, disse a presidente-executiva Carrie Lam em briefing nesta quarta-feira (16). “Em pouco tempo, tivemos muitas mortes, e isso afeta a logística de questões funerárias”.

O sistema de saúde da cidade cedeu com o surto, que levou as mortes a ultrapassarem 4.630 – a maioria idosos, não vacinados e residentes em casas de repouso. O aumento já forçou Hong Kong a começar a usar unidades refrigeradas móveis para armazenar corpos depois que os necrotérios públicos ficaram sobrecarregados.

Enquanto isso, a mídia local relatou na semana passada casos em que sacos para corpos ficavam ao lado de leitos de pacientes hospitalares, o que gerou um pedido de desculpas das autoridades de saúde, que disseram que medidas foram tomadas para acelerar a transferência de corpos.

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O centro financeiro em breve receberá duas remessas de caixões por mar, disse Lam, depois que o lockdown de Shenzhen gerou preocupações sobre o abastecimento.

De maneira mais ampla, as autoridades de Hong Kong estão coordenando esforços com a China continental para garantir o fornecimento de produtos essenciais, e Lam disse que seu governo cooperaria totalmente se Shenzhen implementar medidas mais rigorosas para conter o surto.

Quase 1 milhão

Hong Kong registrou 962.581 casos neste surto, com o total aumentando ainda mais depois que o governo divulgou o histórico dos resultados dos testes rápidos. Mais de 184 mil testes rápidos positivos de 26 de fevereiro a 5 de março foram submetidos a uma plataforma como parte de um esforço para reconhecer esses testes em contagens.

O número oficial se compara a uma estimativa de pesquisadores da Universidade de Hong Kong de que 3,6 milhões de habitantes de Hong Kong – cerca de metade da população – contraíram a doença até 14 de março.

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As autoridades de saúde relataram 29.272 casos de covid na quarta-feira, além de 217 mortes. O número total de óbitos em Hong Kong desde o início da pandemia subiu para 4.846 e agora supera as mortes na China continental.

O surgimento da variante ômicron colocou em xeque a estratégia Covid Zero de Hong Kong, a mesma da China continental, pois o número cada vez maior de casos sobrecarrega os hospitais e excedeu a capacidade da cidade de rastrear e isolar pacientes positivos. As autoridades sustentam que continuarão adotando uma abordagem de tolerância zero, mesmo depois de recuarem nos principais pilares que sustentam a política.

É “simplesmente irrealista” que Hong Kong tome as medidas que usou nas ondas anteriores devido ao alto número de casos, disse Lam. A estratégia futura da cidade para a covid ou outras crises de saúde pública será guiada por três áreas: resultados de saúde pública, resultados econômicos e aceitação e tolerância das pessoas às medidas de saúde, disse ela.

“Não posso ver a economia em frangalhos”, disse.

Lam também comentou que as praias de Hong Kong serão isoladas para impedir que as pessoas se aglomerem, embora atualmente não tenha planos de reforçar ainda mais as medidas de distanciamento social.

--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.

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