Barcelona, Espanha — Guerra, alta dos juros, medo de default e o covid à espreita. Com estes quatro elementos pairando no ar, a única conclusão certeira sobre os mercados é de que a volatilidade dará o tom. O movimento é de queda tanto entre a maioria dos futuros de índices nos Estados Unidos como nas bolsas europeias - estas últimas caem com mais intensidade.
O índice Stoxx Europe 600 chegou a baixar mais de 2% nesta manhã, pressionado sobretudo pelo mau desempenho das ações do setores de recursos básicos, consumo e tecnologia. Os futuros norte-americanos começaram a manhã com quedas menos pronunciadas, com os contratos atrelados ao S&P e ao Nasdaq flutuando, indicando o caminho de uma jornada volátil. Lembrando que ontem o Nasdaq fechou em um “mercado de urso” (bear market), ou mercado de baixa, depois de ter caído 20% de sua alta recorde.
Os títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos voltavam a ganhar valor, expressa pela queda dos rendimentos. Tanto o ouro como o petróleo caíam. O barril tipo WTI saía a menos de US$ 97.
🦠 Ameaça Covid
Os surtos de Covid-19 na China levaram o país a impor um novo lockdown na cidade de Shenzhen, importante centro de tecnologia, e também na província de Jilin, no norte. As medidas podem levar a um novo choque nas cadeias de produção, contribuir para uma desaceleração da economia chinesa e afetar a inflação de oferta. As ações chinesas tiveram seu pior dia desde novembro de 2008 e levam os outros mercados a sentir este impacto.
📈 Aperto monetário
É grande a expectativa com relação à reunião do Federal Reserve (Fed), amanhã. É praticamente certo que o banco central dos Estados Unidos suba sua taxa de referência em 25 pontos-base, criando um divisor de águas na tentativa de frear a inflação. Caso se confirme, este será o primeiro aumento de juros pelo Fed desde 2018.
Depois de abrir caminho ao aperto monetário, e considerando que com a guerra a inflação só tende a piorar, o Fed optará por uma política de subida de juros mais agressiva? Alguns operadores acreditam que sim e esperam cerca de sete elevações de 0,25 ponto porcentual em 2022.
🇧🇷 No Brasil, amanhã também será um dia decisivo. O Comitê de Política Monetária (Copom) deve seguir com a mão pesada quando o tema é política monetária, uma reação à alta dos combustíveis e à aceleração maior que o previsto do IPCA de fevereiro.
⚠️ Dívida russa
A Rússia iniciou o processo de pagamento de dois cupons de bônus que vencem esta semana. Trata-se do acordo de dívida mais vigiado desde que a nação rica em energia invadiu a Ucrânia.
O Ministério das Finanças emitiu uma ordem para pagar aos detentores de eurobônus equivalentes a $ 117 milhões, embora não tenha especificado se o pagamento é em dólares, a moeda em que foram emitidos, ou rublos. O Ministro das Finanças Anton Siluanov disse repetidamente que a nação acabará pagando em rublos se as sanções impostas à Rússia não permitirem a liquidação em dólares.
Se o pagamento for em rublos, colocaria a nação no rumo de sua primeira inadimplência em moeda estrangeira desde que os bolcheviques se recusaram a servir ou a reconhecer as dívidas do czar, um século atrás.
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🟢 As bolsas ontem: Dow (0,00%), S&P 500 (-0,74%), Nasdaq (-2,04%), Stoxx 600 (+1,20%), Ibovespa (-1,60%)
As bolsas americanas não sustentaram os ganhos do início da sessão, quando se acendeu uma centelha de otimismo após a notícia de uma nova rodada de conversações entre autoridades russas e ucranianas. O Nasdaq 100 fechou em um mercado de baixa (“bear market”) pela primeira vez desde março de 2020, depois de ter caído 20% de sua alta recorde. O movimento de baixa também reflete as novas restrições na China, por conta da política “covid zero”, em um cenário de aumento do número de casos da doença no país.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Índice de Preços ao Produtor IPP/Fev, Relatório da OPEP, Índice Empire State de Atividade Industrial/Mar, Estoques de Petróleo Bruto Semanal API, Índice Redbook
• Europa: Zona do Euro (Pesquisa ZEW de Percepção Econômica, Produção Industrial/Jan); Alemanha (Pesquisa ZEW e Índice de Preços por Atacado/Fev); Reino Unido (Pedidos de seguro-desemprego; Taxa de Desemprego/Jan e em 3 meses), França (IPC-Fev)
• Ásia: China (Preços de Imóveis/Fev); Japão (Balança Comercial/Fev)
• América Latina: Argentina (IPC/Fev)
• Bancos centrais: Pronunciamento de Andrea Enria (BCE)
📌 E para amanhã:
• EUA: Decisão sobre juros pelo Fed, Relatório mensal da IEA, Pedidos de Hipotecas MBA/Semanal, Índice do Mercado Hipotecário, Vendas no Varejo/Fev, Estoques das Empresas/Jan, Estoques de Petróleo Bruto, Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA/Semanal, Produção de Gasolina
• Europa: Itália (IPC/Fev)
• Ásia: Japão (Utilização da Capacidade Instalada/Jan, Produção Industrial/Jan, Núcleo de Encomendas de Maquinaria/Jan)
• América Latina: Brasil (Decisão sobre juros pelo BCB, IGP-10/Mar, Crescimento do Setor de Serviços/Jan, Fluxo Cambial Estrangeiro)
• Bancos centrais: Pronunciamentos de Fabio Panetta e Frank Elderson (BCE)
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-- Com informações de Bloomberg News