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Agro

Produção mundial de soja encolhe mais 10 milhões de toneladas

Quebra de safra na América Latina fará com que o comércio internacional seja reduzido em pelo menos 4% neste ano

Produção mundial de soja será ainda menor do que o esperado
09 de Março, 2022 | 04:03 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Em apenas dois meses, a produção mundial de soja encolheu quase 19 milhões de toneladas devido aos problemas climáticos na América do Sul e o Brasil é o principal responsável pela menor oferta global do grão. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualizou sua estimativa para a oferta e demanda mundial de grãos e reduziu novamente seu dado. O novo número indica que o mundo colherá neste ano 353,8 milhões de toneladas de soja, 10 milhões a menos do que o volume projetado em fevereiro.

Do corte apresentado hoje, o peso do Brasil é de 70%. O USDA fez uma nova redução para a produção brasileira, dessa vez, de 7 milhões de toneladas em comparação ao mês passado, estimando uma colheita de 127 milhões de toneladas no país. As projeções para Argentina e Paraguai também foram revisadas para baixo devido à estiagem que atrapalhou o desenvolvimento das lavouras em toda América do Sul na safra atual.

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Com menos soja no mundo, a expectativa é que o comércio global também sofra os impactos. A estimativa é que as exportações globais fiquem 158,6 milhões de toneladas, volume 4% menor do que o previsto em janeiro. O novo número também representa uma queda de 3,6% sobre o comércio realizado no ano passado.

Ucrânia vai exportar 18% menos milho em 2022

A guerra entre Rússia e Ucrânia também está deixando suas consequências. Maior produtora de milho da Europa, a Ucrânia não deve ter problemas para produzir, mas como já sentido pelo mercado, terá dificuldades em exportar. A expectativa do USDA é que o país colha aproximadamente as 42 milhões de toneladas estimadas em fevereiro, mas as vendas serão bem menores. Pertencente ao TOP 5 dos exportadores de milho, as vendas externas da Ucrânia neste ano foram revisadas para 27,5 milhões de tonelada, cerca de 6 milhões a menos do que estimado no mês passado.

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O principal fator que impacta as exportações são as dificuldades logísticas que o país enfrenta. Com sua infraestrutura rodoviária e ferroviária comprometidas, os ucranianos não tem conseguido escoar safra de milho e muito importadores têm ido se abastecer em outros países da Europa, como França e Polônia. A Ucrânia também é um raros países de relevância no cenário internacional que ainda mantêm uma produção de milho convencional, devido às restrições aos transgênicos impostas pela Europa. Diante do quadro já surgem discussões sobre a flexibilização de algumas regras ue permitam os europeus a comprarem e produzirem milho geneticamente modificado.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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