PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
ESG

Santander compra 80% da WayCarbon de software de gestão ESG

Santander anuncia acordo para a compra de 80% da consultoria WayCarbon Soluções Ambientais e Projetos de Carbono

Apesar de a Way Carbon ser brasileira e o processo de aquisição ter sido conduzido no país, a compra foi feita pelo Grupo Santander, na Espanha. Por isso, não houve fato relevante na B3
08 de Março, 2022 | 05:12 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — O Grupo Santander (SANB11) anunciou nesta terça-feira (8) um acordo para a compra de 80% da WayCarbon Soluções Ambientais e Projetos de Carbono, empresa líder em consultoria ESG (sigla em inglês para meio ambiente, governança e sociedade) sediada no Brasil. O valor do negócio não foi divulgado. Apesar de a Way Carbon ser brasileira, a compra foi feita pelo Santander na Espanha. Essa foi a razão de a filial não ter divulgado fato relevante na B3.

A principal ferramenta desenvolvida pela Way Carbon é o seu software Climas, que funciona integrado ao ERP (Enterprise Resource Planning, sistema de gestão integrado), permitindo às companhias monitorarem e analisarem, em tempo real, mais de 5 mil parâmetros, a fim de preencher seus relatórios de sustentabilidade sobre todas as operações.

PUBLICIDADE

Veja mais: Magalu fecha parceria com WayCarbon para gestão de emissões

Além do Climas, há outros softwares que disputam o mercado de gestão de indicadores e performance ESG, como o SIS (Sistema de Indicadores de Sustentabilidade), da TBL Manager, e a plataforma Deep ESG, de uma startup homônima de São José dos Campos (interior paulista). A vantagem do Climas é que muitas companhias abertas brasileiras o adotam. E com a compra da consultoria pelo Santander, o banco poderá ter acesso a esse mercado.

“A WayCarbon é uma empresa B (que equilibra propósito e lucro) focada em catalisar a transição para a economia de baixo carbono, e já vínhamos registrando um ritmo acelerado de crescimento nos últimos anos. Agora, com o Santander, aumentaremos a escala de nosso impacto positivo, em linha com o objetivo de cumprir nosso propósito”, disse Felipe Bittencourt, CEO da WayCarbon, em nota.

PUBLICIDADE

“Esta aquisição é um passo importante para aprimorar ainda mais as ofertas de sustentabilidade do Santander, a fim de apoiar os clientes de todos os mercados em suas transições para a economia de baixo carbono”, diz comunicado da filial do banco espanhol.

Veja mais: B3 divulga ranking dos campeões de ESG; Vale e Petrobras estão fora

Os mercados de carbono permitem que empresas, organizações sem fins lucrativos, governos e indivíduos comprem e vendam créditos de carbono, que equivalem à redução de uma quantidade específica de emissões.

“Como referência em ESG, a WayCarbon nos ajudará tanto com nossos próprios objetivos quanto na transição de nossos clientes para modelos de negócios mais sustentáveis”, comentou José Linares, diretor global do Santander Corporate & Investment Banking (Santander CIB), em nota.

PUBLICIDADE

No Nordeste do Brasil, por exemplo, o Santander tem apostado em projetos de energias renováveis, como eólica e solar. O setor de energia renovável tende a atrair fundos estrangeiros, como destacou o ex-CEO do banco, Sergio Rial, em sua última teleconferência com jornalistas para discutir o resultado financeiro de 2021, no dia 2 de fevereiro. Ele se despediu do cargo de CEO, assumido por Mario Leão no começo do ano.

A Way Carbon tem assessorado organizações públicas e privadas a realizar as suas transições energéticas há 15 anos, com 170 funcionários atendendo a clientes de 18 países. A empresa oferece três serviços principais para ajudar os clientes a desenvolver e implementar estratégias para aumentar sua sustentabilidade: consultoria ESG; software de gestão de estratégias ESG e de risco climático; e originação e comercialização de créditos de carbono.

PUBLICIDADE

“Enxergamos uma oportunidade única de posicionar o Santander à frente de um mercado que irá crescer de forma exponencial. A originação e a negociação de créditos de carbono são importantes ferramentas para acelerar tanto o corte quanto a compensação de emissões, da mesma forma que os CBIOs, que são os créditos de descarbonização criados no Brasil para o setor de combustíveis, no âmbito do Renovabio. O estímulo financeiro é um poderoso acelerador, que se soma de forma decisiva às ações de educação e conscientização”, comentou Carlos Aguiar, diretor de agronegócios do Santander Brasil.

O Santander informou que tem o objetivo de mobilizar € 120 bilhões em negócios relacionados às finanças verdes entre 2019 e 2025, e € 220 bilhões até 2030 como parte de sua agenda sustentável e de seu apoio à transição de seus clientes para uma economia de baixo carbono.

PUBLICIDADE

O banco diz que já é carbono neutro em suas próprias operações e tem a ambição de atingir emissões líquidas zero para todo o grupo até 2050, em apoio aos objetivos do Acordo de Paris em relação às mudanças climáticas. E para facilitar a transição para uma economia de baixo carbono, o Santander informa que alinhará até 2030 o seu portfólio de geração de energia ao Acordo de Paris.

A compra da participação na WayCarbon deverá ser concluída no segundo trimestre deste ano, sujeita a condições de fechamento.

PUBLICIDADE

Leia também

Biden proíbe importação de combustíveis fósseis da Rússia

Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.