Internacional

Magnata chinês enfrenta bilhões em perdas com alta do níquel

O tamanho das perdas não está claro, mas a posição vendida da Tsingshan na London Metal Exchange está na casa de 100.000 toneladas de níquel

O níquel é usado em baterias de veículos elétricos, se destacando como ingrediente crítico na luta contra as mudanças climáticas
Por Alfred Cang e Jack Farchy
08 de Março, 2022 | 03:02 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O preço do níquel subiu mais de 170% em dois dias e um magnata chinês que montou uma enorme posição vendida em contratos futuros do metal enfrenta bilhões de dólares em perdas com a marcação a mercado. A informação é de pessoas com conhecimento do assunto.

Xiang Guangda — controlador da maior produtora mundial de níquel, a Tsingshan Holding Group — encerrou parte da posição vendida de sua empresa e estuda sair da aposta por completo, segundo as fontes. Impulsionada em parte pela atuação da Tsingshan e suas corretoras, a cotação do níquel bateu recorde e passou de US$ 100.000 por tonelada nesta terça-feira, antes que as negociações fossem suspensas.

O tamanho das perdas de Xiang não está claro, mas a posição vendida da Tsingshan na London Metal Exchange está na casa de 100.000 toneladas de níquel, disseram pessoas a par dos dados. Segundo outras fontes, as perdas podem ser ainda maiores quando consideradas as posições tomadas por meio de intermediários. Isso significa que a companhia pode ter sofrido perdas diárias bem acima de US$ 2 bilhões no ponto extremo da alta do níquel na segunda-feira.

Procurados pela reportagem, representantes da Tsingshan não fizeram comentários imediatos na terça-feira.

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A situação da companhia chinesa é mais um capítulo no repentino drama de mercado que levou a bolsa de metais de Londres a suspender as negociações de níquel na terça-feira. Os preços aumentaram drasticamente à medida que detentores de posições vendidas foram forçados a fechar essas apostas por não conseguirem atender às chamadas de margem.

As câmaras de compensação pedem que corretoras depositem dinheiro — ou “margem” — diariamente para cobrir possíveis perdas nas posições de seus clientes. Se o mercado se movimentar em direção contrária a essas posições, a câmara solicita mais recursos.

A própria Tsingshan está com dificuldades para pagar chamadas de margem às corretoras, segundo pessoas familiarizadas com a situação.

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Assim como outras companhias chinesas, a Tsingshan participa de um movimento de ampliação da capacidade de níquel na Indonésia para produção de baterias. Xiang começou a montar a posição vendida em parte para se proteger do aumento da produção, mas também porque acreditava que o avanço nos preços do níquel se reverteria este ano.

Em vez disso, os preços dispararam. A alta no início do ano devido à demanda robusta e aos estoques baixos foi turbinada pelo ataque da Rússia à Ucrânia, que desencadeou o que o Citigroup classificou como mudanças “transformadoras” nos mercados de commodities.

O níquel chegou a subir 111% nesta terça-feira e as negociações foram interrompidas com a tonelada em US$ 80.000. O níquel é usado em baterias de veículos elétricos, se destacando como ingrediente crítico na luta contra as mudanças climáticas.

Até agora, não há indicação de que a perda afetaria a capacidade de operação da Tsingshan, disseram pessoas com conhecimento da questão.

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