Agro

Preço do trigo sobe com ameaça de banimento e atinge limite de alta

Cotações têm alta de mais de 7% na bolsa de Chicago com a possibilidade do cereal entrar na lista de produtos proibidos de serem importados

Com risco de trigo russo ser banido das importações americanas, preços do cereal disparam na bolsa
07 de Março, 2022 | 01:15 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg Línea — Os preços do trigo iniciaram a semana em alta diante da ameaça de estar na lista de produtos banidos de serem importados nos Estados Unidos e na Europa. Os contratos com vencimento em maio operavam há pouco (12h57 de Brasília) com ganhos de 7%, cotados a US$ 12,94 por bushel, no limite de alta estabelecido pela bolsa. Os vencimentos mais longos também subiam durante o início dos negócios em Chicago, sinalizando que a perspectiva de efeitos da medida poderia ser de médio a longo prazo.

A estratégia de banir o trigo russo das importações estaria em linha com as discussões iniciadas na semana passada, quando autoridades americanas passaram a cogitar a suspensão de petróleo e gás da Rússia como medida de retaliação à invasão da Ucrânia. Para alguns analistas, o trigo poderia entrar na lista de produtos banidos, uma vez que a Rússia é a maior exportadora mundial do cereal.

Para os americanos, proibir a importação de trigo da Rússia teria um impacto mínimo ou quase nulo. Isso porque, os Estados Unidos são grandes produtores e estão entre os cinco maiores exportadores mundiais do cereal. Mesmo para a União Europeia, ficar sem o trigo russo seria muito menos crítico do que deixar de importar petróleo e gás. Entre os operadores, no entanto, há o sentimento que, caso a medida seja adotada pelos Estados Unidos, outros países poderiam adotar a mesma estratégia, o que poderia reduzir ainda mais a disponibilidade de trigo a ser comercializado no mercado.

No caso da soja, os preços iniciaram a semana relativamente estáveis, cotados a US$ 16,59 por bushel, com modesta queda de 0,06% em Chicago. Durante a madrugada, as cotações chegaram a subir um pouco mais, puxadas pela valorização do petróleo. A alta do combustível fóssil poderia puxar também os preços do biodiesel, que tem na soja uma importante matéria-prima. Na mesma linha da soja, os preços do milho operavam em queda nesta segunda-feira, com os contratos para maio cotados a US$ 7,37 por bushel, em queda de 2,19%, em um movimento de realização de lucros por parte do mercado.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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