Mercados

Mercados convulsionam com disparada do petróleo e mais inflação no horizonte

Queda é generalizada nos mercados de renda variável; onça do ouro chegou a superar os US$ 2 mil esta manhã por busca por refúgio

As variáveis que orientarão os mercados
07 de Março, 2022 | 09:04 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Barcelona, Espanha — Todas as incertezas deflagradas pelos ataques da Rússia à Ucrânia estão fazendo o mercado convulsionar. A renda variável opera em queda livre, com alguns dos principais índices com quedas de 20% em relação aos seus máximos. Os preços do petróleo experimentam um rali descomunal, o barril tipo Brent encostando nos US$ 140, devido às negociações, encabeçadas pelos Estados Unidos, para proibir a compra de petróleo e outras matérias-primas energéticas da Rússia.

Os altos preços da energia ameaçam estagnar o crescimento global, um risco que está sacudindo os mercados. Outras commodities, como o gás, o paládio e o cobre, atingem máximos históricos. A busca por refúgio leva o ouro a superar os US$ 2 mil a onça. Os futuros de índices norte-americanos recuam, com destaque para a queda das ações de companhias aéreas nas operações pré-mercado. Na Europa, os bancos lideram as perdas, enquanto as empresas de defesa ganham com a escalada da guerra na Ucrânia.

📊 Dados importantes

A semana conta com dados cruciais para o mercado financeiro - relatório de inflação nos Estados Unidos e decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), ambos na quinta-feira. Mas perto do impacto da guerra, o protagonismo destes dados ganha um novo contorno. A economia global já estava lutando com uma inflação alta devido à pandemia. O Federal Reserve e outros bancos centrais chave enfrentam agora a difícil tarefa de apertar a política monetária para conter o custo do dinheiro sem prejudicar o crescimento econômico, ainda que estas medidas podem não surtir efeito sobre a recente escalada dos preços do petróleo.

🚫 De um lado...

O governo dos Estados Unidos está explorando um projeto de lei que proibiria a importação de petróleo e produtos energéticos russos, um movimento que poderia aumentar a pressão econômica sobre a Rússia. Caso não consiga convencer seus aliados europeus, a administração Biden cogita fazer a mudança por conta própria, disseram à Bloomberg duas pessoas familiarizadas com o assunto.

PUBLICIDADE
🔴 ... E de outro

Porém, o ministro chinês de Relações Exteriores Wang Yi defendeu nesta segunda-feira os laços de seu país com a Rússia, dizendo que a discórdia foi “semeada por terceiros”. O presidente russo Vladimir Putin reiterou durante o fim de semana que a guerra continuará até que a Ucrânia aceite suas exigências, diminuindo as esperanças de um acordo.

✋🏽 Sanções e debandada de empresas

Cada vez mais empresas optam por suspender suas operações na Rússia, incluindo a gigante de streaming Netflix Inc. e o serviço de mídia social TikTok, que é de propriedade da China - ByteDance Ltd. Na Rússia, o presidente Vladimir Putin assinou um decreto que permite ao governo e às empresas pagar os credores estrangeiros em rublos, procurando evitar a inadimplência enquanto os controles de capital permanecem em vigor.

Leia também: Moody’s rebaixa rating de crédito da Rússia

⚠️ Aversão ao risco

O mercado se depara com a dificuldade de traçar cenários, sobretudo depois de que a guerra escalou para ameaças nucleares. Não se pode mensurar o impacto de um eventual desabastecimento de commodities energéticas pela Rússia na inflação e nas economias globais. A escalada das cotações nos mercados internacionais não deixa outra opção senão antever uma forte pressão sobre os preços aos consumidor. Mas um aumento das taxas de juros não seria o remédio mais adequado para sanar este tipo inflação. A única certeza, neste momento, é de que os mercados trabalharão com muita pressão e volatilidade.

PUBLICIDADE

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: América Latina, novo celeiro de talentos tech

Mercados nervosos e em quedadfd

🟢 As bolsas na sexta-feira: Dow (-0,53%), S&P 500 (-0,79%), Nasdaq (-1,66%), Stoxx 600 (-3,56%), Ibovespa (-0,60%)

A guerra na Ucrânia intensificou a aversão ao risco, com os investidores temendo os seus efeitos sobre o crescimento econômico global. Os ataques da Rússia, e posterior ocupação das forças militares, à maior usina nuclear da Europa deixaram os mercados do mundo inteiro em alerta. Durante o dia, a S&P Dow Jones Indices anunciou que removerá as ações russas de seus índices de referência, juntando-se a outros compiladores de índices globais, num movimento global para isolar a Rússia e tentar colocar fim à guerra.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Crédito ao Consumidor/Jan

Europa: Alemanha (Encomendas às Indústrias/Jan; Vendas no Varejo; Transações Correntes/Jan); França (Balança Comercial); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Fev)

Ásia: China (Reservas Estrangeiras, Balança Comercial); Japão (Empréstimos Bancários; Balança Comercial; Rendimento Médio do Trabalhador, Massa Salarial de Empregados/Jan)

Na América Latina: Brasil (Boletim Focus, PMI Markit/Fev); México (Confiança do Consumidor)

PUBLICIDADE
📌 E para amanhã:

• EUA: Indicador NFIB de percepção das pequenas empresas; Balança Comercial/Jan, Índice Redbook, Perspectiva Energética de Curto Prazo da EIA,Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

• Europa: Zona do Euro (Emprego/4T21; PIB/4T21); Alemanha e Espanha (Produção Industrial/Jan); Itália (Vendas no Varejo)

• Ásia: Japão (Índice de Indicadores, PIB/4T21, Massa Monetária) Antecedentes/Jan); China (IPC/Fev)

• Brasil: IGP-DI/Fev, Produção e Vendas de Veículos/Fev

PUBLICIDADE

Leia também:

Bancos russos recorrem à China após Visa e Mastercard suspenderem negócios

Guerra entra na 2ª semana: Especialistas veem exaustão de tropa e tensão crescente

-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

PUBLICIDADE