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Cubbo compra concorrente Dedalog para expandir para o Brasil

O CEO da DedaLog vai comandar a operação de logística para e-commerce da Cubbo no Brasil

Os co-fundadores da Cubbo, Josu Gurtubay e Brian York, estão expandindo as operações para o Brasil
07 de Março, 2022 | 06:40 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Depois de levantar uma rodada Seed de US$ 4 milhões em novembro, a Cubbo, uma plataforma de atendimento para comércio eletrônico que opera no México e na Colômbia, está adquirindo a DedaLog, uma startup concorrente com sede em São Paulo. A empresa não divulga o valor da transação, mas disse que o acordo foi uma mistura de dinheiro e ações.

Participante do Shark Tank Colombia, a Cubbo facilita que marcas locais e internacionais vendam produtos diretamente a seus consumidores, manuseando a embalagem e o envio de mercadorias para marcas independentes. A startup estoca as mercadorias em seus armazéns e os itens podem ser entregues no mesmo dia.

Brian York, cofundador e CEO da Cubbo é um empreendedor serial. Nascido em Bogotá, mas criado nos EUA, York voltou à Colômbia em 2017 para procurar sua família biológica – e a encontrou após 18 meses de buscas – e, nesse meio tempo, acabou criando a Liftit, uma plataforma de entrega com caminhões.

Ele fundou a Cubbo em 2021. A startup é financiada pela SV Latam Capital de São Francisco e trabalha com remessas não perecíveis e não maiores que uma caixa de sapatos. Agora, com sua família, York está se mudando para São Paulo para co-administrar a operação do Brasil com Tiago Pavan, fundador e CEO da DedaLog.

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“Sempre quero ver quais empresas são semelhantes à empresa que estou construindo”, disse York. Foi assim que conheceu Pavan, trocando mensagens por meio do LinkedIn no ano passado, após o CEO da startup brasileira parabenizar York nas redes sociais ao ler o artigo da Bloomberg Línea sobre a rodada da Cubbo.

“Entrei em contato com Brian, publicamente no LinkedIn, parabenizando-o, porque estava muito animado ao ver o negócio de fulfillment na América Latina atraindo capital de risco. Foi quando começamos a trocar mensagens e compartilhar sobre as operações, que levou a este acordo”, disse Pavan.

York disse que ficou “deslumbrado” com o que a equipe de Pavan conseguiu alcançar. “Quanto mais nos aprofundamos no DedaLog, mais pensávamos ‘este é um negócio perfeito, muito sinérgico’. E queríamos chegar ao Brasil este ano”, disse o executivo.

A DedaLog começou a operar a logística para e-commerce de livros, com editoras e clubes de assinatura de livros que lutavam para entregar seus livros. “Eu vim do ramo de livros, em uma livraria no Brasil. Nesta livraria, das coisas que fizemos, a melhor foi a logística, armazenamento, embalagem, decidir como entregar mais barato ao consumidor final”, disse Pavan.

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“Tínhamos também essa ideia de ter mais pessoas lendo no Brasil, a base do nosso negócio era fornecer uma boa logística para promover a cultura do livro pelo Brasil”.

A startup tinha um pequeno armazém quando iniciou sua operação no final de 2020. Em dois meses, Pavan disse que estava supercomprometido com os clientes e a empresa não tinha mais espaço no armazém. “Nos primeiros meses, percebemos que tínhamos algo parecido com o product-market fit. Decidimos abrir um novo armazém no início de 2021, e esse novo armazém também atingiu a capacidade total até o final do ano, quando tivemos a Black Friday.”

Com clientes crescendo mês a mês, em novembro a DedaLog teve uma pico de 32 mil entregas em um único mês. A empresa diz que pode entregar itens dentro de um dia.

“O Brasil é um grande mercado, tanto que estou transferindo minha família inteira para o país. Estamos super empolgados em trabalhar lado a lado com Tiago, ele estará administrando o país e eu o apoiarei e supervisionarei o resto da América Latina”, disse York.

A empresa tem planos de abrir dois novos armazéns em São Paulo e um no Rio de Janeiro. “Seremos bastante agressivos, estamos levantando uma nova rodada de financiamento agora e a maior parte dos recursos será destinada à expansão no Brasil”.

Outra parte do financiamento que virá será para apoiar e expandir as operações da Colômbia e do México. Com a DedaLog, a Cubbo diz estar perto de 100 clientes. Em conversa com a Bloomberg Línea em novembro, York disse que a empresa teria fluxo de caixa positivo até o primeiro trimestre de 2022, mas isso não aconteceu. “Embora estivéssemos super perto de atingir um fluxo de caixa positivo neste trimestre, a única razão pela qual não conseguimos é que estamos avançando na Colômbia e expandindo no Brasil, fazendo movimentos agressivos. A DedaLog é um fluxo de caixa positivo, conforme absorvemos, será semelhante ao restante do negócio”, disse York.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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