Bloomberg Línea — Em um dia de maior aversão ao risco, dada a escalada da invasão da Ucrânia pela Rússia, após o ataque à maior usina nuclear da Europa, os mercados globais operam em queda nesta sexta-feira (4). As commodities, por sua vez, disparam em meio a temores de cortes na oferta, caminhando para o maior aumento semanal desde 1974.
Em linha com os índices acionários internacionais, o Ibovespa (IBOV), principal índice de renda variável da Bolsa brasileira, recuava mais de 1% nesta tarde.
- A baixa era puxada principalmente por empresas ligadas ao turismo e à tecnologia. Lideravam as perdas os papéis de Gol (GOLL4), Azul (AZUL4) e Méliuz (CASH3), com perdas de 6,7%, 6,5% e 5,6%, respectivamente, por volta das 14h40 (horário de Brasília).
- Também cediam na B3 as ações de CVC (CVCB3), com baixa de 5,7%, Banco Inter (BIDI11), que caía 5,5%, e Locaweb (LWSA3), cujos papéis tinham baixa de 4,6%.
Algumas empresas, contudo, apresentavam ganhos nesta sexta. Era o caso de nomes ligados a commodities, como metalúrgicas e siderúrgicas. As ações de Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4) subiam 3,4% e 2,3%, respectivamente. A maior alta do índice partia de Taesa (TAEE11), com ganhos da ordem de 5%.
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Ainda no âmbito doméstico, as atenções recaíram sobre os dados do Produto Interno Bruto (PIB), que teve crescimento de 4,6% em 2021, somando R$ 8,7 trilhões. O dado mostra uma retomada econômica em relação ao ano anterior, quando a economia do país encolheu 3,9% devido à pandemia de covid-19.
Confira o desempenho dos mercados nesta sexta-feira (4):
- O Ibovespa caía 1,2%, por volta das 14h40 (horário de Brasília), negociado a 113.778 pontos;
- O dólar à vista subia 0,87%, a R$ 5,07;
- Entre os juros futuros o movimento era de forte alta: o DI com vencimento em 2025 subia 22 pontos-base, a 12,02%;
- O Bitcoin (BTC) tinha queda de 2,97%, a US$ 40.847;
- Entre as commodities, o petróleo tipo WTI avançava 3,4%, a US$ 111,35 o barril;
Cena externa
Na Europa, o sentimento negativo dos mercados levou os índices acionários a caírem até 5%. No acumulado da semana, algumas chegaram a perder mais de 10%. É o caso do índice CAC-40, de Paris, que recuou 10,22% na semana.
Nos Estados Unidos, cerca de 80% das empresas do S&P 500 recuavam, com ações financeiras, de varejo e de tecnologia liderando as perdas. Por lá, traders repercutiram o forte impulso de contratação no país em fevereiro, aumentando as pressões inflacionárias que já estão afetando a economia e colocando o Federal Reserve no caminho para aumentar as taxas de juros este mês.
As folhas de pagamento não agrícolas aumentaram 678.000 no mês passado, após um ganho de 481.000 revisado para cima em janeiro, segundo mostrou um relatório do Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (4). O avanço foi amplo em todos os setores. A taxa de desemprego caiu para 3,8%, e o salário médio por hora permaneceu inalterado em relação ao mês anterior.
- Por volta das 14h40 (horário de Brasília), o Dow Jones recuava 0,85%, o S&P 500 caía 1,08%, enquanto o índice da Nasdaq tinha queda de 1,64%;
- Na Europa, o índice CAC-40, de Paris, cedeu 4,97%, enquanto o Stoxx 600 recuou 3,56%;
Nesta sexta, três grandes ETFs (fundos de índice, em inglês) com foco na Rússia foram interrompidos depois que a bolsa de Valores de Nova York tomou medidas com base no que disse ser “preocupação regulatória”.
Uma autoridade nuclear de alto escalão pediu conversas com a Rússia e a Ucrânia depois que o governo em Kiev disse que as tropas de Vladimir Putin provocaram um incêndio no maior complexo de energia atômica da Europa, em um ataque de artilharia. Economistas do JPMorgan Chase & Co. disseram que a guerra pode prejudicar a economia da Rússia tanto quanto o devastador default de 1998.
(Com informações da Bloomberg News)
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