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Gelo do mar da Antártida encolhe para a menor área de superfície já registrada

As descobertas se somam aos sinais de que as mudanças na temperatura global estão se tornando mais extremas

“É aterrorizante testemunhar este oceano congelado derretendo”
Por John Ainger
22 de Fevereiro, 2022 | 09:30 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg — A camada de gelo da Antártida encolheu para a menor área de superfície já registrada, em outro sinal de que o ritmo acelerado das mudanças climáticas está atingindo com mais força algumas das regiões mais frias.

O gelo ao redor do continente recuou para 1,97 milhão de quilômetros quadrados, como mostraram dados preliminares de satélite do National Sea Ice Data Center, no Colorado, na segunda-feira (21). Isso está abaixo do recorde anterior de 2,1 milhões de quilômetros quadrados alcançado em 2017.

“É aterrorizante testemunhar este oceano congelado derretendo”, disse Laura Meller, conselheira polar da organização sem fins lucrativos Greenpeace. “As consequências dessas mudanças se estendem a todo o planeta, impactando as cadeias alimentares marinhas em todo o mundo.”

As descobertas se somam aos sinais de que as mudanças na temperatura global estão se tornando mais extremas. Os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados, com 2021 classificado como o sexto mais quente, de acordo com dados do governo dos Estados Unidos. Os pólos estão sofrendo especialmente, com o gelo marinho do Ártico se contraindo em uma média de 13% a cada década desde 1979.

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No Pólo Sul, os dados mais recentes fornecem ainda mais evidências de “colapso climático”, com algumas partes da região aquecendo mais rápido do que em qualquer outro lugar do mundo, segundo o Greenpeace. Os efeitos indiretos incluem aumento do nível do mar, interrupção dos padrões de migração da fauna e – à medida que a área de superfície refletiva do gelo é reduzida – aquecimento ainda mais rápido.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas alertou no ano passado que a camada de gelo da Antártida Ocidental “seria perdida quase completamente e irreversivelmente ao longo de vários milênios” com níveis de aquecimento sustentados entre 2 graus e 3 graus Celsius.

Em um estudo separado publicado na terça-feira (22), pesquisadores liderados por Raul Cordero, da Universidade de Santiago, no Chile, descobriram que o derretimento do gelo na Antártida também pode ser atribuído ao chamado carbono negro, que é produzido por navios, aviões e geradores a diesel de turismo e atividades de pesquisa na região. Isso resulta em até 23 milímetros de neve adicional derretida a cada verão em algumas áreas.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, localization specialist da Bloomberg Línea.

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