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Firmas de private equity veem freada após embolsarem US$ 150 bi

Blackstone, Apollo Global Management e Carlyle Group venderam uma quantia somada de quase US$ 150 bilhões em ativos

Juros e inflação em alta e a perspectiva de invasão da Ucrânia pela Rússia ameaçam frear o ritmo tórrido de realização de lucros nessas transações
Por Dawn Lim e Sabrina Willmer
18 de Fevereiro, 2022 | 01:50 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — As maiores firmas de private equity geraram lucros recordes com a venda de ativos enquanto as bolsas globais subiam em 2021. Será difícil repetir isso este ano.

Blackstone, Apollo Global Management e Carlyle Group venderam uma quantia somada de quase US$ 150 bilhões em ativos, o dobro do ano anterior.

A entrada de dinheiro alavancou os lucros e a fortuna desses especialistas em compra e venda de empresas, atraindo profissionais para esse segmento enquanto Wall Street disputa talentos. Mas o aumento de caixa evidencia que os lucros gerados ao sair de empreendimentos onde a firma de private equity investiu dependem muito do andamento da economia. Juros e inflação em alta e a perspectiva de invasão da Ucrânia pela Rússia ameaçam frear o ritmo tórrido de realização de lucros nessas transações.

“Tudo que vemos nas bolsas pode reduzir os retornos das operações de private equity”, disse Andrea Auerbach, responsável global por investimentos privados da Cambridge Associates, que assessora fundos de pensão e fundos patrimoniais. As taxas de retorno nesse segmento estão boas, mas são “em grande medida construídas sobre valor não realizado”, disse ela.

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Venda de ativos atinge novas máximasdfd

Em sua busca por empresas de rápido crescimento, algumas firmas de private equity podem ficar vulneráveis quando os juros sobem e reduzem os fluxos de caixa futuros e os múltiplos das companhias.

Mas 2021 foi nada menos que um ano extraordinário.

A Blackstone embolsou uma quantia recorde de US$ 77 bilhões ao se retirar de determinados investimentos. O valor de suas participações em empresas de capital fechado e imóveis subiu mais de 40%.

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A KKR embolsou US$ 2,1 bilhões no ano passado, também um recorde, ao sair com sucesso de projetos em que investiu, marcando um aumento de 84% em relação ao ano anterior.

Mas executivos já sinalizaram durante conversas após a divulgação de balanços que 2022 será diferente.

Jim Zelter, copresidente da Apollo, espera que o “superciclo de realização de lucros continue”, mas alertou que movimentos de saída podem ser adiados para o final do ano se as atuais condições do mercado persistirem. As realizações de Apollo quase triplicaram no ano para US$ 25,7 bilhões. Seu braço de private equity converteu em dinheiro um recorde de US$ 19,1 bilhões em negócios.

O diretor financeiro da Carlyle, Curtis Buser, esfriou as expectativas dos investidores. “2021 foi um ano especial” com o dinheiro obtido nessas saídas, disse ele. Mas tais resultados “serão difíceis de replicar”.

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A Carlyle projeta entrada líquida anual média por desempenho de US$ 1 bilhão nos próximos anos. Em 2021, foram mais de US$ 1,5 bilhão.

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Em 2022, as firmas do segmento não saem ilesas da derrapada das bolsas. As ações das quatro maiores gestoras de recursos alternativos dos EUA caíram junto com S&P 500. KKR e Carlyle recuaram 22% e 17%, respectivamente, desde o começo do ano. O S&P 500 acumula baixa de 8,1% no período.

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