Negócios

Bancos mandam vender Nubank, mas ação dispara 37% na semana

Segundo dados compilados pela Bloomberg, o volume médio de negócios com ações do Nubank quadruplicou nas últimas duas semanas

Ações recuperam patamar antes de resultados
18 de Fevereiro, 2022 | 06:37 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Poucos dias antes da divulgação de seu primeiro resultado trimestral depois de abrir o capital em dezembro, as ações do Nubank (NU) tiveram forte alta ao longo desta semana em meio a um volume explosivo de negociações tanto em ações quanto em opções no mercado americano. O banco deve divulgar seu balanço na próxima terça-feira (22).

  • Apenas nesta sexta (18), as ações do banco brasileiro subiram até 17,2% na bolsa de Nova York, de volta para a casa de US$ 11,83.
  • Na semana, a alta acumulada chega a 37%, recuperando o patamar superior aos US$ 9 do IPO, perdido em meados de janeiro.

Veja também: Nubank: Lucro supera expectativa no primeiro resultado após IPO

A forte recuperação dos papéis do Nubank sugeriria que a ação teria sido alvo de um movimento de short squeeze, quando investidores que apostaram na desvalorização da ação são obrigados comprá-la para desmontar suas posições. No entanto, o movimento pode estar ligado também ao vencimento de opções das ações do banco, que costuma trazer forte oscilação nos preços.

Segundo dados compilados pela Bloomberg, o volume médio de negócios com ações do Nubank quadruplicou nas últimas duas semanas. Nesta sexta, o volume de ações classe A negociado já tinha atingido 6,3 milhões de papéis perto das 12h (horário de Brasília), ante uma média de 1,59 milhões de 20 dias. O modelo da Bloomberg estima serão negociados 25,3 milhões de papéis até o fechamento dos negócios desta sexta.

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  • No fechamento em Nova York, a ação do Nubank encerrou negociada a US$ 9,85, com baixa de 2,4%.

Nos últimos dias, analistas de diferentes bancos e gestoras de investimento têm feito recomendações para vender os papéis do Nubank. O Bradesco BBI recomendou vender as ações, dizendo que os papéis poderão cair para US$ 5 no período de 12 meses, em razão de múltiplos elevados e desafios para manter a qualidade de crédito dos clientes e de lançar novos produtos.

Na semana passada, os analistas do Itaú BBA soltaram um relatório prevendo o papel em US$ 8, também nesse horizonte de um ano, citando a qualidade de crédito e as perspectivas econômicas para o país.

Por outro lado, analistas de bancos estrangeiros continuam otimistas com o papel, cintando as perspectivas para a bancarização no país e o potencial ainda alta de crescimento dos produtos financeiros.

O Morgan Stanley vê potencial para a ação subir mais 37% e atingir US$ 16 também em um ano. A gestora Susquehanna, especializada em fundos quantitativos, estabeleceu como target US$ 14.

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O JP Morgan vê o papel em US$ 10, mesmo valor dos analistas do BTG Pactual e do HSBC.

(atualizado às 18h33 com cotação do fechamento)

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Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.

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