Tech

Google Analytics arrisca proibição francesa por medo de espionagem nos EUA

Empresa tomou novas medidas para tornar ferramenta mais segura a pedido de órgão francês

não protege suficientemente os dados dos cidadãos da União Europeia
Por Stephanie Bodoni
10 de Fevereiro, 2022 | 09:35 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O Google Analytics, da Alphabet, não protege suficientemente os dados dos cidadãos da União Europeia contra a vigilância potencialmente ilegal dos Estados Unidos e pode ser totalmente banido.

Esse é o veredicto do órgão de vigilância de dados francês, que disse que atualmente transferir grandes quantidades de informações através do Atlântico não é seguro. A decisão de quinta-feira (10) da Commission Nationale de l’Informatique et des Libertes, CNIL, é a mais recente devolutiva em um vai-e-vem cada vez mais acalorado entre a Big Tech e os reguladores de privacidade de dados do bloco.

Uma decisão histórica do tribunal da União Europeia em 2020 elevou o padrão para os órgãos de vigilância da região, depois que juízes expressaram dúvidas sobre as leis de vigilância americanas e as salvaguardas em vigor para proteger os dados das pessoas contra o acesso injustificado de espiões.

As transferências de dados transatlânticas “atualmente não são suficientemente regulamentadas”, disse a CNIL. Apesar das “medidas adicionais” adotadas pelo Google para tornar sua ferramenta Analytics mais segura, “elas não são suficientes para excluir a acessibilidade desses dados pelos serviços de inteligência dos EUA”.

PUBLICIDADE

Os porta-vozes do Google não responderam imediatamente a um e-mail pedindo comentários.

A decisão de 2020 também derrubou o Privacy Shield, uma ferramenta em que milhares de empresas confiavam para transferir dados com segurança para os EUA, forçando os negociadores de ambas as partes a voltarem à mesa para firmar um novo pacto.

Os comentários franceses se dão depois de um novo o alerta da Meta Platforms de que a atual situação regulatória na Europa poderia levá-la a retirar o Facebook e o Instagram da região.

Veja também: Meta ameaça tirar Facebook e Instagram da Europa por questão de dados

PUBLICIDADE

A controvérsia sobre as transferências de dados remonta a 2013, quando Edward Snowden expôs a extensão da espionagem pela Agência de Segurança Nacional dos EUA.

A CNIL disse que sua investigação foi iniciada após reclamações do grupo de privacidade Noyb contra transferências transatlânticas de dados coletados por meio do Google Analytics.

A decisão “mostra que o regulador considera que o risco de interceptação é suficiente no caso do Google Analytics”, disse um porta-voz da Noyb. “Isso significa que outros serviços baseados nos EUA, onde ainda mais dados são processados, provavelmente estarão sujeitos à mesma decisão.

No ano passado, o Facebook perdeu uma disputa judicial irlandesa devido a uma ordem inicial de seu principal órgão de vigilância de privacidade da UE, que ameaçava a proibição de suas transferências de dados através do Atlântico.

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

Veja mais em bloomberg.com

PUBLICIDADE

China acusa EUA de má gestão de riscos com satélite de Musk

TikTok aperta regras para barrar comportamentos transfóbicos

PUBLICIDADE