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Negócios

Fintechs brasileiras querem surfar a onda do boleto parcelado

A Provu está lançando maquininha para BNPL no varejo físico e a Koin quer se consolidar enquanto dá primeiros passos no México

POS da Provu
07 de Fevereiro, 2022 | 08:10 am
Tempo de leitura: 6 minutos

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A fintech brasileira Provu, a MarketUP e o Grupo ABL estão lançando uma maquininha de crediário digital para clientes do varejo físico. Por meio do modelo Buy Now, Pay Later (BNPL) da Provu, o parcelamento das compras com boleto bancário poderá ser feito em totens e maquininhas usando a ABL como subadquirente de meio de cobrança.

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Os dispositivos estarão disponíveis para os mais de 150 mil empreendedores ativos na plataforma MarketUp, de gerenciamento de negócios. Funciona assim: os clientes se cadastram e a Provu realiza uma avaliação de crédito. O cliente pode parcelar as compras pagando com boleto em até 24 vezes, e a Provu recebe uma taxa do cliente e do varejista.

Porém, os lojistas que aderirem e solicitarem o terminal de pagamento terão os seis primeiros meses isentos de taxas. A nova maquininha de BNPL só é aceita na plataforma da MarketUP e não processa outros meios de pagamento. A maquininha também não faz processamento de cartão.

A Provu oferece o Buy Now, Pay Later como opção de crédito no check-out. No e-commerce, a fintech tem integrações com a VTEX e a Nuvemshop, plataformas operadoras de sites de venda.

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A empresa também tem parcerias com cerca de trezentos varejistas, incluindo grandes clientes como Polishop e Electrolux. A ideia das maquininhas veio como um meio para conseguir maior capilaridade e atingir o varejista de menor porte, que muitas vezes não tem uma presença online.

“A gente vem praticamente dobrando de volume do produto de BNPL nos últimos três, quatro meses”, disse Marcelo Ramalho, CEO da Provu.

Falar de boleto parcelado, ou pagar o “carnê”, não é novidade para os brasileiros, acostumados com o crediário há 60 anos. A grande novidade do BNPL foi trazer o modelo do crediário digital, a opção de pagamento para quem não tem cartão de crédito e deseja pagar em parcelas.

Mesmo assim, o boleto demanda que o cliente tenha dinheiro em conta para fazer o pagamento. Pelo BNPL, as fintechs financiam esse pagamento do boleto parcelado no ponto de venda.

“Vejo o fato do Brasil ter esse histórico com o crediário como extremamente positivo. Não precisa educar o varejista ou o consumidor, já que essa forma de pagamento é uma coisa familiar para ele. Mas não encaramos o BNPL só necessariamente como online. Eu diria que ele é digital, que é um pouquinho diferente. Eu posso ter tanto o digital como o online na experiência dentro da loja física, que é o que a gente está fazendo agora com essas maquininhas”, explica Ramalho.

Segundo o CEO, a Provu tem planos de trazer essa experiência de garantir crédito no ponto de venda para um aplicativo, sem a necessidade de uma maquininha. “Temos o potencial de digitalização do crediário para permitir que ele seja consumido em todos os canais”, afirmou.

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No modelo com juros para o cliente, a remuneração da Provu vem da operação de crédito. Mas, em breve, Ramalho afirma que a empresa lançará o modelo do parcelamento sem juros para o cliente, feito com uma taxa de desconto no varejista. O valor da taxa depende do perfil do varejista, do perfil do cliente, do segmento do varejista e do valor do produto.

O modelo BNPL ficou mundialmente conhecido pela australiana Afterpay e empresas globais como a Affirm e a Klarna, que também oferecem a solução de crédito para compras parceladas. Na América Latina, a Nelo, Alchemy, Addi, dLocal, Dinie, Kueski e Koin são algumas das empresas que disputam esse mercado.

“Acho que isso acaba sendo uma validação do potencial desse mercado. É um produto bastante democrático quando se fala de consumo, atinge pessoas que não têm acesso a um cartão de crédito, por exemplo”.

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No ano passado, a Provu captou R$ 1,4 bilhão da Goldman Sachs via FIDC, valor que está sendo aplicado no produto de BNPL.

O primeiro negócio da Provu é um produto de empréstimo pessoal, mas Ramalho afirma que o volume e o potencial de crescimento do BNPL tem se mostrado mês a mês muito maior. A empresa pretende atender mais de 250 mil clientes em 2022.

“Essa parceria com a MarketUp é um teste. Estamos dispostos a aprender. A gente quer oferecer a nossa solução além do canal do e-commerce, mas também permitir que seja ofertado no mundo físico, onde a gente ainda tem uma presença grande. O e-commerce tem crescido mês a mês, mas o tamanho do varejo presencial ainda é bastante significativo”, disse Ramalho.

Koin: fintech dá primeiros passos no México

A Koin, fintech que foi adquirida pelo Grupo Decolar em 2020, também oferece o BNPL no Brasil com o nome de “Boleto Parcelado”. Segundo a Koin, no mundo, o BNPL teve um crescimento de 400% em 2020 e deve movimentar US$ 680 bilhões em 2025, contra US$ 354 bilhões em 2019. Nos Estados Unidos, cerca de 56% dos consumidores utilizaram o modelo em 2020, contra 28% em 2019.

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De acordo com a Koin, os principais clientes do BNPL são nativos digitais, Millenials e Geração Z, e 49% dos consumidores gastam mais quando usam a opção do boleto parcelado.

A Koin é uma provedora de soluções financeiras para B2B e B2C e também está integrada às plataformas de e-commerce VTEX e Magento. Hoje, a fintech tem parceiras com o grupo Descomplica e com a Ame Shopping, da carteira digital Ame, do grupo Americanas. A empresa fornece o modelo de pagamento BNPL para cerca de 10 mil lojistas potenciais por meio dos marketplaces. Gabriel Lacombe, COO da Koin, explica que a empresa financia as parcelas do cliente por meio do lojista e garante a opção de pagamento tanto por boleto como por PIX.

A fintech também cobra uma taxa do estabelecimento, o MDR, que varia de acordo com o tamanho da transação. “Pode ser que a gente consiga uma taxa mais competitiva do que a do cartão de crédito”, afirmou Lacombe. A Koin também se encarrega dos processos antifraude para o lojista e já financiou mais de R$ 500 milhões via Boleto Parcelado desde 2019. A empresa processa 20 mil transações por mês.

Agora, a Koin está dando seus primeiros passos no México. Para Lucas Gonzalez, Head de Estratégia da Koin, a ideia, depois do México, é chegar à Colômbia. O motivo da expansão é porque o país tem um dos menores índices de bancarização da população de toda a América Latina, 36%, enquanto a média da região é de 55%, segundo a Koin.

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“Para fazer compras online, os latino-americanos não tinham todas as ferramentas para compras em parcelas, em um momento que o nível de e-commerce tem crescido na região”, disse Gonzalez.

O acesso ao crédito no México também é menor do que na região, 27% contra a América Latina. O mercado mexicano, além de ser o segundo maior da região e com maior percentual de desbancarizados, também é atrativo para a Koin pela liderança da Decolar no setor de turismo no país, depois da aquisição da BestDay.

Além disso, o ambiente regulatório mexicano, aliado ao crescimento da penetração do e-commerce no país, fazem do México o próximo alvo da fintech. “Para nós faz sentido sermos um player da América Latina”, explicou Gonzalez.

A Koin espera conquistar 10% de mercado em BNPL na América Latina nos próximos cinco anos. “Nosso motor de crédito está adaptado para garantir financiamento para BNPL e não empréstimo pessoal. A experiência do cliente é diferente nesses dois modelos. Nossa obsessão é que o cliente tenha a melhor experiência, que a transação seja em segundos e esse é o nosso principal diferencial contra as soluções que hoje existem no México, em que você tem que fazer o download de um aplicativo e tudo dificulta a conversão”.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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