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Mercados

Mercado estuda cenários para aumentos de juros maiores dos EUA

Empenho de Jerome Powell contra a inflação pode exigir uma medida mais contundente se ele concluir que o Fed está muito atrasado

A Nomura Holdings revisou sua aposta e agora espera 0,50 ponto, citando a postura agressiva de Powell durante entrevista coletiva na quarta-feira
Por Steve Matthews
28 de Janeiro, 2022 | 09:43 am
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O presidente do banco central dos Estados Unidos talvez considere o primeiro aumento de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros se precisar de uma abordagem de choque para domar a inflação.

O Federal Reserve já sinalizou que anunciará em março a primeira alta de juros desde 2018 e é provável que inicie o processo com um acréscimo de 0,25 ponto, demonstrando habitual cautela quando começa a remover o estímulo monetário. No entanto, o empenho de Jerome Powell contra a inflação pode exigir uma medida mais contundente se ele concluir que o Fed está muito atrasado e precisa enfrentar um regime de preços persistente mais elevados.

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“A exigência é muito alta para 0,50 ponto em março, já que o Fed tende a ser mais cuidadoso no início de um ciclo de alta”, disse Stephen Stanley, economista-chefe da Amherst Pierpont Securities. Para isso acontecer “mais adiante neste ano, (os integrantes do Fed) teriam que acreditar que a inflação é muito pior do que eles acreditam atualmente -- talvez se os resultados mensais ficarem mais acelerados”.

A grande maioria dos economistas prevê que o Fed fará um aumento de 0,25 ponto percentual em março. No entanto, a Nomura Holdings revisou sua aposta e agora espera 0,50 ponto, citando a postura agressiva de Powell durante entrevista coletiva na quarta-feira (26). Quando perguntado sobre a velocidade de ação do Fed, ele deixou a porta aberta para uma movimentação mais rápida do que no último ciclo de aperto, destacando que o mercado de trabalho está muito mais forte e a inflação muito mais alta desta vez.

Os mercados precificam aumento de 0,30 ponto percentual na reunião dos dias 15 e 16 de março, refletindo uma chance em cinco de ajuste de 0,50 ponto.

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“Há um tanto de choque em 0,50 ponto”, disse Robert Dent, analista da Nomura que acha particularmente difícil prever essa próxima decisão. “Mais do que qualquer outro presidente do Fed, Powell enfatizou a comunicação clara e cuidadosa com o público. A sensação de que os americanos estão perdendo confiança de que o Fed está lutando contra a inflação forçaria uma demonstração de que isso é levado muito a sério”, explicou.

Powell e seus colegas estão diante de uma inflação de 7%, a maior desde 1982. A expectativa é que as interrupções de abastecimento associadas à Covid-19 eventualmente se revertam e reduzam o avanço dos preços ao longo deste ano, mas Powell disse que a inflação de dezembro foi pior do que se esperava.

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“Começar com 0,50 ponto logo de cara requer evidências ainda mais fortes de que estão atrasados”, disse Ethan Harris, chefe de pesquisa econômica global do Bank of America. “Uma maneira mais provável de demonstrar mais rigor seria mudar rapidamente para elevações de juros em todas as reuniões. Se (os integrantes do Fed) ainda se perceberem atrás da curva depois de adotar essa abordagem, então considerariam 0,50 ponto.”

“Existe risco de um número maior do que os quatro aumentos de juros que os mercados precificam. No início do mês, a Bloomberg Economics projetou um total de cinco elevações até o final do ano, com risco de chegar a seis.”, dizem os economistas da Bloomberg Anna Wong, Yelena Shulyatyeva, Andrew Husby e Eliza Winger.

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