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Agro

Minerva Foods estuda transferir sede e listar ações em outro país

Empresa teve sinal verde do conselho para avaliar alternativas disponíveis e por em prática estratégia desenhada por concorrente

Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — A Minerva Foods (BEEF3) começou a dar os primeiros passos em busca de um novo lar. A empresa sediada em Barretos, no interior de São Paulo, vai iniciar uma série de estudos para avaliar a viabilidade de transferir seu domicílio para outro país. Na prática, a ideia é transferir a atual base acionária para uma nova empresa que seria criada no exterior, sendo que essa nova sociedade teria suas ações listadas nesse mesmo país.

Os membros da diretoria foram autorizados a iniciar estudos referentes a um potencial processo de redomiciliação da companhia, que poderá resultar na migração de sua base acionária para sociedade a ser constituída no exterior, com listagem das ações dessa sociedade no respectivo mercado estrangeiro”, disse a empresa em fato relevante à B3.

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Em agosto do ano passado, Edison Ticle, CFO e diretor de relações com investidores da Minerva Foods, disse durante uma live realizada por uma plataforma de educação financeira, que a empresa poderia fazer uma OPA para o fechamento do capital da companhia, caso o mercado continuasse ignorando os proventos da empresa, e que a própria Minerva poderia fazer uma recompra agressiva de suas próprias ações.

Na ocasião, a empresa foi obrigada a se pronunciar sobre o caso. A Minerva informou que o controlador da companhia não pretendia realizar uma OPA para aquisição de ações e posterior cancelamento de registro, pelo menos nos próximos seis meses. O novo posicionamento da Minerva acontece a exatos cinco meses depois da declaração de seu executivo no chat de uma live.

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De qualquer forma, a ideia de uma empresa brasileira de processamento de proteínas migrar para o exterior não é nova. A JBS (JBSS3) já tentou implementar uma estratégia semelhante em um passado não muito distante. Em 2017, o grupo tentou transferir sua sede de São Paulo para a Irlanda em busca de vantagens tributárias. A ideia seria colocar na empresa irlandesa os ativos estrangeiros responsáveis por gerar 80% da receita à época, abrir o capital dessa empresa nos Estados Unidos e manter em outra os ativos localizados no Brasil. O plano só não foi adiante porque, na ocasião, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tinha poder de veto pelo acordo de acionistas vigente à época e impediu a mudança.

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Dois anos depois, houve uma nova tentativa de organização societária, porém, com algumas diferenças. A ideia era manter a sede da empresa no Brasil, mas transferir para uma nova empresa no exterior os ativos estrangeiros e responsáveis pela maior parte da receita do grupo. Essa nova empresa seria listada nos Estados Unidos, mas teria como controladora uma sociedade brasileira. De lá para cá, pouco se evoluiu nesse sentido.

Tanto no caso da JBS quanto na recente estratégia anunciada pela Minerva, dois são os fatores que motivam as empresas a buscarem uma sede em outro país. O primeiro é a questão tributária. Alguns países oferecem vantagens fiscais, principalmente no que diz respeito ao imposto de renda, com tarifas muito inferiores às cobradas no Brasil. O segundo está relacionado à percepção do mercado. Ações de empresas concorrentes à Minerva e JBS listadas nos Estados Unidos costumam ser negociadas a múltiplos muito superiores aos das empresas listadas no Brasil. Na prática, a ideia é destravar um valor que existe na companhia, mas que o investidor local não reconhece da mesma forma que os investidores que operam nos Estados Unidos, mas que resistem em vir investir no Brasil.

Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.

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