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Mercados

Banco da Inglaterra surpreende com a 1ª alta de juros para conter inflação

Foi o primeiro banco central do G7 a subir as taxas desde o início da crise da pandemia

Imagen de Londres
Por David Goodman, Lizzy Burden e Philip Aldrick
16 de Dezembro, 2021 | 10:56 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — O Banco da Inglaterra (BoE) subiu inesperadamente as taxas de juros pela primeira vez em três anos, deixando de lado as preocupações com um aumento nas infecções por coronavírus, para combater a inflação mais alta em mais de uma década.

O primeiro grande banco central a aumentar sua taxa de referência desde o início da pandemia optou por elevar os custos dos empréstimos em 15 pontos base para 0,25%, gerando um aumento que nenhum outro banco central do Grupo dos Sete fez desde o início da crise.

Depois da decisão, a libra esterlina subiu até 0,8%, enquanto o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro do Reino Unido aumentaram 5 pontos base. Os investidores agora veem a taxa básica do BoE subindo para 1% até setembro de 2022. O índice FTSE 100, da bolsa de Londres, interromperam os ganhos.

“Outra alta de 25 pontos-base em fevereiro está acertada”, disse Fabrice Montagne, economista-chefe do Barclays do Reino Unido. “Se for entregue, o MPC também estaria em posição de começar a reduzir seu balanço patrimonial com títulos começando a vencer no início de março.”

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Os mercados estão precificando um outro aumento de 20 pontos-base em fevereiro - o que implica em uma chance de cerca de 80% de um movimento que leve a taxa de referência para 0,5%. Isso permitiria ao BoE dar fim imediato a sua política de rolagem de títulos vencidos do QE, permitindo que até 37 bilhões de libras em dívidas do governo saiam de seu balanço patrimonial até o final de 2022.

Autoridades do banco central lideradas pelo presidente Andrew Bailey aprovaram por 8 votos a 1 para o aumento da taxa, com Silvana Tenreyro discordando a favor de nenhuma mudança. Os membro do banco central disseram que um aperto mais “modesto” provavelmente será necessário, já que a inflação se aproxima de um pico que deve ficar em torno de 6% em abril.

O que dizem nosso economistas ...

  • “As preocupações com a inflação superaram as preocupações com o ômicron na reunião de dezembro do Banco da Inglaterra. A mudança é uma aposta - é possível que a economia ignore a nova variante da Covid-19, mas ninguém sabe ao certo. Supondo que o vírus não desacelere a economia materialmente, esperamos o próximo movimento em maio, embora haja um pequeno risco de o BoE subir novamente em fevereiro.” --Dan Hanson, Bloomberg Economics.

Aperto do Fed

Nos EUA, o Federal Reserve já deu um tom hawkish na véspera do anúncio do BoE, sinalizando três aumentos de taxas no próximo ano e acelerando a retirada de seu programa de estímulo, enquanto a Noruega manteve seu próprio aperto nesta quinta-feira com seu segundo aumento de taxa neste ano.

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A mudança abrupta do BoE para o modo de aperto monetário surpreendeu a grande maioria dos economistas que não previram nenhuma mudança, e os investidores que estavam estimando cerca de 40% de chance de uma mudança. Foi a segunda supresa seguida, após a decisão de novembro de manter a política monetária ter despistado os mercados.

“A decisão do Banco da Inglaterra de aumentar as taxas de juros foi surpreendente, dada a crescente incerteza sobre o impacto econômico da variante ômicron”, disse Suren Thiru, chefe de economia da Câmara de Comércio Britânica. “Embora o aumento da taxa de hoje possa ter pouco efeito na maioria das empresas, muitos verão isso como o primeiro passo em um movimento de política mais longo.”

O aumento do BOE é uma resposta ao perigo representado pelo aumento dos preços, com um relatório esta semana mostrando que a inflação saltou para 5,1% em novembro - mais do que o dobro da meta do banco central - e um relatório separado na terça-feira mostrando que as empresas britânicas ampliaram as folhas de pagamento em um ritmo recorde.

Pandemia preocupa

A decisão de mudar a política monetária agora é ainda mais surpreendente porque o país está no caminho de uma nova onda de coronavírus impulsionada pela variante mais infecciosa ômicron, que tem aumentado os casos diários no Reino Unido no maior ritmo desde o início da pandemia.

A preocupação com que o surto potencialmente sobrecarregue os serviços de saúde é tão grande que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson reintroduziu algumas restrições sanitárias e não descarta novas medidas nos próximos dias se o surto não puder ser contido.

Com o movimento, o BoE acatou um alerta esta semana do Fundo Monetário Internacional, que advertiu sobre o risco de inação da política monetária para conter a inflação.

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O aumento da taxa é o primeiro do BoE desde 2018 e ocorre um dia depois que as autoridades concluíram seu plano de atenuação quantitativa da era da pandemia. A mudança deixou o volume de títulos do governo no banco central em 875 bilhões de libras (US$ 1,2 trilhão), ante 435 bilhões de libras antes da crise.

O banco central só aumentou as taxas uma vez em dezembro nos últimos 45 anos, e nunca desde que se tornou independente em 1997.

Com exceção das medidas de emergência durante a pandemia, essa foi também a primeira vez que as autoridades do banco central fizeram uma reunião fora da chamada “Super quinta-feira” - nome para os eventos trimestrais quando o BoE publica simultaneamente sua decisão, atas e previsões, desde que foram introduzidos em 2015.

No final desta quinta-feira, o Banco Central Europeu deve explicar seu próprio plano para deixar os estímulos. A presidente Christine Lagarde, no entanto, tem se esforçado para persuadir os investidores de que um aumento das taxas na zona do euro não vai acontecer tão cedo.

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-- Com Libby Cherry and Andrew Atkinson.

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