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ESG

Tyson Foods concorda em realizar auditoria racial após protestos

Empresa vai encomendar um estudo detalhado para determinar se suas práticas contribuem para as desigualdades raciais

Empresa vai encomendar um estudo detalhado para determinar se suas práticas contribuem para as desigualdades raciais
Por Saijel Kishan e Michael Hirtzer
10 de Dezembro, 2021 | 01:28 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A Tyson Foods, um dos frigoríficos que foi atacado durante o auge da pandemia pelo tratamento dado a uma força de trabalho formada majoritariamente por grupos minoritários, vai encomendar um estudo detalhado para determinar se suas práticas contribuem para as desigualdades raciais.

Um grupo independente fará a auditoria patrimonial da maior empresa de carne dos Estados Unidos por vendas, e a Tyson planeja publicar suas descobertas dentro de um ano, disse o porta-voz Gary Mickelson por telefone.

O American Baptist Home Mission Societies - investidor que entrou com uma resolução convidando a Tyson a realizar tal auditoria - retirou sua proposta. A empresa já pretendia realizar uma avaliação de direitos humanos, que incluiria o exame da igualdade racial, antes que a proposta do investidor fosse apresentada, disse Mickelson em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg.

A indústria de empacotamento de carne depende muito dos imigrantes para trabalhar nos matadouros. Isso significa mão de obra diversa e níveis de remuneração mais baixos, enquanto sua diretoria permanece predominantemente branca. O surto de coronavírus matou centenas de trabalhadores em frigoríficos, sendo as minorias as mais atingidas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

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A Tyson é pelo menos a terceira grande empresa dos EUA a dizer este ano que vai realizar uma auditoria após protestos por justiça racial em 2020.

As auditorias são realizadas por organizações terceirizadas, que analisam modelos de negócios - de políticas a produtos e serviços - para determinar se eles causam ou perpetuam a discriminação. O Airbnb e a Starbucks conduziram esses estudos há vários anos, antes que o assassinato de George Floyd em Minneapolis colocasse um foco maior na desigualdade racial.

Após a auditoria, o Airbnb pediu a seus usuários que aceitassem um acordo de não discriminação para ajudar a prevenir injustiças com pessoas negras em sua plataforma. A empresa removeu mais de um milhão de usuários depois que eles se recusaram a concordar com a política, evidência de que essas auditorias podem levar a mudanças.

O ABHMS apresentou a proposta de uma auditoria racial em agosto com 16 outros investidores. Com sede na Pensilvânia, o ABHMS é investidor da Tyson desde 2005 e seu Fundo de Investimento Comum administrou US$ 255 milhões no final do ano passado.

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Em sua resolução, o investidor pediu à Tyson que recomendasse medidas para eliminar as atividades comerciais que fomentam o racismo sistêmico e solicitou que o estudo incluísse a opinião dos trabalhadores afetados. O ABHMS disse que o frigorífico tinha um histórico de agravamento das desigualdades raciais, citando uma queixa apresentada ao Departamento de Agricultura que dizia que o fracasso da Tyson em prevenir surtos de Covid-19 entre seus trabalhadores negros e latinos era considerado discriminação racial.

A resolução também se referia a acusações de ex-funcionários de uma das fábricas de frangos da Tyson de que eles foram repetidamente submetidos a injúrias raciais durante quatro anos.

A Tyson, sediada em Springdale, Arkansas, contratou este ano seu primeiro diretor de diversidade, equidade e inclusão. A empresa disse ter orgulho de sua força de trabalho, afirmando que 27% dos funcionários são hispânicos ou latinos, 25% negros e 11% asiático-americanos, com mais de 50 idiomas diferentes sendo falados. Mickelson disse no comunicado que a Tyson tem um “forte foco e compromisso com a igualdade racial e direitos humanos.”

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