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Brasil

Analistas veem Copom mais preocupado com inflação de longo prazo

Autoridade monetária elevou a taxa Selic para 9,25%, nesta quarta (8), sétimo aumento consecutivo

Economistas veem possibilidade de mais altas na Selic, além da já anunciada pelo BC para a próxima reunião
08 de Dezembro, 2021 | 08:53 pm
Tempo de leitura: 1 minuto

Bloomberg Línea — Nesta quarta-feira (8), o Banco Central elevou a taxa Selic para 9,25%, em linha com as expectativas de mercado. A elevação de 1,5 ponto percentual foi a segunda consecutiva por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), em um dos ciclos de aperto monetário mais agressivos entre os bancos centrais do mundo, enquanto a inflação do país avança. Segundo a decisão, que foi unânime entre os membros, o Comitê espera outro aumento da mesma magnitude para a próxima reunião.

Economistas ouvidos pela Bloomberg Línea avaliam que o BC se mostrou mais agressivo em seu comunicado e ainda mais preocupado com a inflação no longo prazo. Os riscos fiscais, tendo em vista a pandemia e as expectativas para a economia, seguem no radar do Comitê.

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Além disso, fora o aumento anunciado para o próximo encontro, economistas ainda veem a porta aberta para mais altas.

Veja os comentários de alguns economistas sobre a decisão:

Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset

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  • “O Banco Central mostrou um pouco mais de preocupação com a trajetória das expectativas de inflação mais longa”
  • “Ele está tentando ancorar esse processo, além de reduzir o risco de uma aceleração da inflação no horizonte relevante. Acredito que, apesar da decisão ter vindo em linha com com as expectativas e com a maioria do mercado, este tom mostra uma preocupação adicional, no sentido de ancorar as expectativas do médio prazo”

Alexandre Almeida, economista da CM Capital

  • O Copom apresentou um viés mais agressivo para a condução da política monetária, aumentando a Selic para 9,25%. Porém, colocando um viés de alta de mesma intensidade para o Copom de fevereiro.”
  • “Isso coloca uma preocupação do Banco Central quanto ao horizonte relevante de inflação que, hoje, no relatório Focus, se encontra marginalmente acima de 5%, que é o teto da meta, colocando os riscos fiscais, que foram acrescentados no último comunicado de outubro e permanecem no comunicado que foi divulgado hoje.”
  • “Essa preocupação quanto à condução da política fiscal e, consequentemente, do orçamento para 2022, permanece.”

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos

  • “O comunicado é hawkish, como não poderia deixar de ser frente às expectativas de inflação condicionais da autoridade. Em linha com o projetado na Ativa Investimentos, as expectativas subiram para 4,7% e 3,2%, para 2022 e 2023.”
  • “O Copom afirma: “irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.” O destaque da frase fica para o plural do final, ao qual avaliamos que esteja se referindo a 2022 e 2023, e não a um mandato dual como se pode aventar erroneamente.”
  • “Seguimos avaliando que a Selic será elevada em 1,5 pp novamente nas duas reuniões iniciais de 2022, interrompendo o ciclo em 12,25%.

Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos

  • “Na nossa opinião, o BC pode ir ainda além na alta da Selic. Esperamos que o ciclo termine em março, com uma nova alta de 1 ponto percentual na ocasião, que poderia deixar a Selic em 11,75% no fim do ciclo de alta. Isso levando em consideração o pouco espaço que o Copom tem para atuar no que diz respeito à meta 2022″
  • “Março deve ser um dos últimos Copoms que uma alta de juros possa ainda ter feito no que diz respeito a convergência da inflação para meta de 2022, a partir daí os efeitos vão ser muito mais sentidos em 2023, mas ainda sinto que o Copom deixou a porta aberta no que diz respeito a essa alta”
  • “Ela pode acabar vindo da mesma magnitude, 1,5 pp, 1 p ou até menos, tendo em vista que a gente tá fechando o ano com expectativas bem fracas para crescimento”
  • “Tendo em vista essa situação, o Banco Central deixa a porta aberta, dizendo que vai depender da evolução da economia e, principalmente, das expectativas de inflação. Se nos próximos Focus trouxerem uma estabilização, principalmente olhando 2023, pode ser que o Banco Central tire um pouco o pé do acelerador até fevereiro”

Paloma Brum - Analista de investimentos na Toro

  • “O Comitê destacou que o cenário global inspira cautela diante da persistência da inflação nas grandes economias, o que soma-se ao receio dos impactos da variante ômicron do coronavírus sobre retomada da atividade econômica.
  • “Ao passo que, na cena nacional, a evolução da economia brasileira vem ocorrendo de forma moderadamente abaixo da esperada, a inflação segue avançando acima do esperado, com crise energética inflacionando os preços de energia no País.”
  • “Embora a alta nos preços de commodities possa ter impacto positivo sobre o real face ao dólar, o risco-Brasil segue elevado, o que preocupa os membros do Copom diante da possibilidade da extensão de políticas fiscais contra a pandemia, causa um nível de desancoragem das expectativas de inflação no País e acaba pesando negativamente sobre o balanço de riscos do Banco Central.”

Samuel Cunha, economista e sócio da H3 Invest

  • “A decisão foi o que já era esperado por parte do mercado. Isso corrobora para o cenário de que a gente vem tendo uma inflação bastante pujante e isso faz com que o Banco Central tenda a ser mais austero na questão do aumento taxa de juros e de antever uma alta da mesma magnitude na próxima reunião.”
  • “Então, considerando o cenário inflacionário, que temos o desequilíbrio na parte fiscal e a pressão que isso exerce sobre a inflação, é o que se espera. O BC deve encerrar o ciclo de alta da taxa de juros ao longo do primeiro semestre do ano que vem.”
  • “O BC deve encerrar na faixa de 11% a 11,5%, considerando o cenário que temos hoje, com uma inflação que está pressionando bastante e que a alternativa que o Banco Central vê é o aumento de juros. Isso pode fazer com que a inflação seja contida e que a gente possa ter um cenário macroeconômico mais saudável, possibilitando um cenário mais estável, tanto no âmbito econômico mas no dia a dia da população também que, sem dúvida, é quem mais sofre com isso”

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Igor Sodré

Igor Sodré

Jornalista com formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com experiência na cobertura de cultura e economia, tendo como foco mercado financeiro e companhias. Passou pela Bloomberg News e TradersClub.

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