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China tem posição ambígua sobre liberação de reservas de petróleo

Estados Unidos lideram esforços de um conjunto de países para uma liberação de reservas estratégicas de petróleo

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Bloomberg — A China tem se posicionado de maneira ambígua quanto a uma liberação de reservas estratégicas de petróleo coordenada pelos Estados Unidos, embora o país asiático seja apontado como um dos participantes nos esforços liderados pelos americanos para esfriar os preços.

“A China está mantendo uma comunicação próxima com as partes relevantes, incluindo os países consumidores e produtores de petróleo, para garantir uma operação estável de longo prazo do mercado de petróleo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, em uma entrevista coletiva em Pequim, na quarta-feira (24). Ele acrescentou que o país havia notado medidas recentes tomadas por grandes países consumidores de petróleo sobre as reservas.

Os EUA disseram na terça-feira (23) que liberarão 50 milhões de barris de petróleo bruto de suas reservas estratégicas em conjunto com a China, Japão, Índia, Coreia do Sul e Reino Unido - uma tentativa coordenada sem precedentes dos maiores consumidores de petróleo do mundo para controlar os preços. Até agora, os governos japonês, coreano, britânico e indiano confirmaram a ação conjunta.

“A China providenciará a liberação da reserva nacional de petróleo com base em sua própria realidade e necessidades, além de outras medidas para manter a estabilidade do mercado e publicar prontamente as informações relevantes”, disse Zhao, enfatizando que o país está empenhado em garantir segurança de seu próprio fornecimento de energia por um período mais longo, por meio do estabelecimento de um sistema nacional de reservas de petróleo independente e completo.

Estabilidade do petróleo

Quando questionado se sua posição sobre a liberação de uma reserva de petróleo bruto se trata de uma resposta ao apelo dos EUA, Zhao disse que, como uma das maiores produtoras e consumidoras de petróleo do mundo, a China tem atribuído grande importância à estabilidade do mercado internacional de petróleo e “está disposta a fortalecer a cooperação com todas as partes relevantes para responder aos desafios em conjunto.”

Embora a posição oficial do governo seja ambígua, um tabloide nacionalista - o Global Times - parecia indicar, em um editorial nesta quarta-feira (24), que a China assinou a coordenação. “O petróleo com preços mais baixos fará bem à China, e acredita-se que Pequim não agirá em oposição a Washington na questão de uma liberação da reserva estratégica de petróleo.” O jornal às vezes é usado pelas autoridades para divulgar algumas informações.

A China informou na semana passada que vai liberar parte de suas reservas estratégicas alguns dias depois que os EUA a convidaram para participar de uma venda conjunta, embora o país não tenha deixado claro se isso era um plano anterior ou se foi em resposta a um convite dos EUA. Ninguém respondeu a ligações ou faxes para a Administração Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas na quarta-feira (24).

“Pequim vai atrasar a confirmação de uma liberação das reservas para separar suas ações do anúncio feito pelos EUA”, escreveram analistas da Energy Aspects, incluindo Amrita Sen, em uma nota enviada por e-mail, na terça-feira (23). A firma de consultoria com sede em Londres espera que a China anuncie outra rodada de leilões de até 15 milhões de barris antes do final do ano, que também precisará ser reembolsada em 90 dias.

A nação asiática recorreu a seus estoques nacionais várias vezes este ano em um esforço para reduzir os preços domésticos do petróleo bruto. Em setembro, o bureau de reserva realizou seu leilão público inaugural, onde ofereceu 7,4 milhões de barris, ou o equivalente a menos de um dia de importações chinesas. O país também fez uma venda privada de suas reservas antes do leilão.

-- Com a colaboração de Alfred Cang e Jing Li.

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