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Agro

Descumprimento de contratos de café na Etiópia ameaça oferta

Futuros do café acumulam alta de 80% em Nova York este ano após seca e geada no Brasil e gargalos logísticos

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Bloomberg — Com o salto dos preços do café, alguns fornecedores da Etiópia não estão cumprindo acordos fechados quando as cotações estavam mais baixas, disseram pessoas a par do assunto, o que tende a apertar ainda mais a oferta para tradings e torrefadores.

Os futuros do café acumulam alta de 80% em Nova York este ano, depois que secas e geadas afetaram plantações no Brasil e gargalos logísticos prejudicaram o abastecimento de outros produtores importantes, como Vietnã e Colômbia. A Etiópia, maior produtor e segundo maior exportador da África, deve embarcar volume recorde de café nesta temporada.

Mas alguns exportadores etíopes não têm cumprido contratos acordados com compradores internacionais quando os preços estavam muito mais baixos, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. Isso porque cafeicultores agora estão pedindo mais dinheiro ou porque os exportadores etíopes foram surpreendidos pelo rápido rali, disseram as fontes.

Adugna Debela, diretor-geral da autoridade do café e chá da Etiópia, disse que o governo planeja intervir para que os contratos sejam cumpridos se as partes não chegarem a um acordo.

Os futuros do café arábica estão próximos do nível mais alto desde 2011, o que aumenta as pressões inflacionárias para consumidores atingidos pelos altos custos dos alimentos e energia. Alguns produtores de café da América do Sul também não cumpriram seus contratos, agravando o estresse financeiro para empresas de café com poucos estoques.

“A situação de default na Etiópia é algo que observamos há algum tempo, não é tão ruim quanto no Brasil ou na Colômbia, mas não acho que demore muito para chegar lá”, disse Geordie Wilkes, chefe de pesquisa da corretora Sucden Financial, em Londres.

Operadores do mercado de café agora mantêm as maiores posições líquidas vendidas já registradas, mostram os dados mais recentes do governo dos Estados Unidos. Esses investidores estão cada vez mais sob pressão à medida que os preços sobem e poderiam impulsionar ainda mais os contratos futuros se forem obrigados a fechar essas posições.

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