Negócios

Preços de lajes comerciais no coração financeiro da Faria Lima explodem

Em entrevista à Bloomberg Línea, Bruno Bianchi, diretor do Itaú BBA para real estate, diz que patamar de R$ 50 mil por m² já é realidade

Avenida Faria Lima, entre as avenidas JK e Cidade Jardim, concentra os edifícios com lajes corporativas mais caras de São Paulo, em uma região que abriga muitas sedes de multinacionais e bancos estrangeiros
02 de Novembro, 2021 | 01:15 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — O preço do m² no coração financeiro da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, explodiu neste segundo semestre, com negócios de compra superando o patamar de R$ 40 mil, refletindo a maior procura para aquisição de imóveis do segmento premium e o reaquecimento do setor de lajes comerciais após a reabertura dos escritórios com a volta do trabalho presencial nas sedes de corporações e instituições financeiras na região.

Veja mais: Os faria limers estão voltando aos escritórios com o aluguel mais caro

Bruno Bianchi, diretor do Itaú BBA para mercado imobiliário, diz que ouve de incorporadoras que ainda há espaço para preços maiores pelo m², acima de R$ 50 mil, em imóveis no trecho próximo à Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, no bairro do Itaim Bibi. “A taxa de vacância está caindo, e os preços estão aumentando. O setor de lajes corporativas está em franca recuperação”, afirma Bianchi em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo o especialista, à medida em que a região nobre da Faria Lima, sede de bancos e multinacionais (como o BTG Pactual e o Google no edifício Pátio Victor Malzoni), vai se tornando mais saturada, com preços acima da média do segmento premium, o mercado imobiliário vai investindo em outras regiões próximas, como a Avenida Dr. Chucri Zaidan e na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul da capital paulista.

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O Itaú BBA acompanha o mercado imobiliário, porque financia mais de 300 companhias da construção civil, incluindo as maiores desse setor. Segundo Bianchi, as empresas desse segmento estão com estrutura de capital sólida, pois aprenderam com as crises passadas e hoje possuem mais opções de acesso ao mercado de equities, aproveitando a onda de abertura de capital na Bolsa e o avanço dos fundos imobiliários.

Há desafios, no entanto, no caminho das incorporadoras, como o novo cenário macroeconômico que tradicionamente representa um freio ao financiamento imobiliário. O ciclo de alta da taxa Selic começou em março com avanço de 0,75 ponto percentual, para 2,75% ao ano e chegou, no mês passado, a 7,75%, com economistas prevendo os juros básicos da economia na casa dos 10% no começo de 2022.

Para o diretor do Itaú BBA para o mercado imobiliário, há hoje um clima de maior cautela com o cenário macroeconômico, o que o leva a descartar a continuidade de números recordes de lançamentos de projetos do setor em 2022, já que os custos também tendem a seguir pressionados em um contexto de inflação e juros em alta.

Levantamento realizado pela Bloomberg Línea com 15 ações de construtoras e incorporadoras aponta que 6 estão com perdas acumuladas em 2021 superiores a 50%. Só Rossi Residencial acumula ganhos (+26,84%) no ano. Além do aumento da taxa Selic e da disparada dos custos (Índice Nacional da Construção Civil acumula alta de 22% no ano, até setembro), a discussão no Congresso sobre taxar fundos imobiliários (depois o governo federal desistiu da ideia diante da repercussão negativa) também castigou os papéis do setor.

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Confira o desempenho das ações de 15 construtoras e incorporadoras listadas na B3

Rossi Residencial (RSID3)

Dia 1/11: R$ 8,41

Fim de 2020: R$ 6,63

Variação (2021): +26,84%

Direcional Engenharia (DIRR3)

Dia 1/11: R$ 10,08

Fim de 2020: R$ 12,46

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Variação (2021): (-19,07%)

JHSF (JHSF3)

Dia 1/11: R$ 5,24

Fim de 2021: R$ 7,35

Variação (2021): (-28,68%)

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BR Properties (HBRE3)

Dia 1/11: R$ 11,97

26/01 (estreia na B3): R$ 18,90 (1º fechamento)

Variação (2021): (-36,66%)

Tenda

Dia 1/11: R$ 18,09

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Fim de 2020: R$ 29,98

Variação (2021): (-39,65%)

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MRV (MRVE3)

Dia 1/11: R$ 10,62

Fim de 2020: R$ 18,46

Variação (2021): (-42,48%)

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Even (EVEN3)

Dia 1/11: R$ 6,43

Fim de 2020: R$ 11,81

Variação (2021): (-45,56%)

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Cyrela (CYRE3)

Dia 1/11: R$ 14,53

Fim de 2020: R$ 28,22

Variação (2021): (-48,51%)

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Melnick (MELK3)

Dia 1/11: R$ 3,91

Fim de 2020: R$ 7,68

Variação (2021): (-49,07%)

Trisul (TRIS3)

Dia 1/11: R$ 5,96

Fim de 2020: R$ 11,96

Variação (2021): (-50,15%)

Gafisa (GFSA3)

Dia 1/11: R$ 2,17

Fim de 2020: R$ 4,35

Variação (2021): (-50,11%)

Moura Dubeux (MDNE3)

Dia 1/11: R$ 5,71

Fim de 2020: R$ 11,60

Variação (2021): (-50,77%)

EZTEC (EZTC3)

Dia 1/11: R$ 18,73

Fim de 2020: R$ 42,35

Variação (2021): (-55,75%)

Helbor (HBOR3)

Dia 1/11: R$ 5,05

Fim de 2020: R$ 12,16

Variação (2021): (-58,46%)

Mitre (MTRE3)

Dia 1/11: R$ 6,32

Fim de 2020: R$ 14,92

Variação (2021): (-61,42%)

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

Toni Sciarretta

Toni Sciarretta

News director da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista com mais de 20 anos de experiência na cobertura diária de finanças, mercados e empresas abertas. Trabalhou no Valor Econômico e na Folha de S.Paulo. Foi bolsista do programa de jornalismo da Universidade de Michigan.