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Mercados

Economistas veem Selic na casa dos 10% no começo de 2022

Copom decidiu por unanimidade elevar Selic para 7,75% e sinalizou outra alta da mesma magnitude

Economistas concordam com a visão do BC sobre os atuais riscos na economia
27 de Outubro, 2021 | 08:29 pm
Tempo de leitura: <1 minuto

São Paulo — Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter decidido por unanimidade elevar a Selic para 7,75%, analistas do mercado ouvidos pela Bloomberg Línea acreditam que a autoridade monetária irá elevar a taxa base de juros para além do previsto no comunicado, chegando no patamar dos 10% nas primeiras reuniões de 2022.

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Todos concordam com a visão do BC sobre os principais riscos iminentes, com as incertezas fiscais ainda predominando, diante das alterações no teto de gastos, além de outros sinais, como os dados recentes do IPCA-15, que vieram acima das expectativas.

Veja as opiniões:

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Fernando Fix, economista-chefe da Hieron

  • “Essa aceleração do ritmo da alta da taxa de juros era extremamente necessária nesse momento em que um outro pilar, do ponto de vista da das condições de estabilidade da situação da economia brasileira, foi fortemente questionado com a política fiscal e o questionamento do teto de gastos.”
  • O Banco Central tenta dar sinais de que a intenção é parar mais perto dos 10%. Nossa expectativa é, além das sinalizações do comunicado do Banco Central, mais uma alta de juros de 150 pontos na reunião em dezembro e uma alta final de 75, ficando no patamar de 10% na reunião de janeiro.”

Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos:

  • “A decisão e as justificativas vieram em linha com as expectativas. O motivo mais importante para o movimento do BC, e que é a principal fonte de ameaça para a inflação no médio e longo prazo, é o aumento da percepção de risco com o fiscal, na medida em que o governo alterou o as regras do teto de gastos na PEC dos precatórios.”
  • Esperamos uma nova alta de 1,5 pp da taxa na reunião de dezembro e também achamos que depois possa vir mais uma alta de 1pp, o que levaria a Selic para 10,25% ao ano.

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Research

  • “Teremos uma uma leve queda nos pré-fixados curtos amanhã, mas nada muito relevante. Acredito que o BC vá continuar subindo, jogando a Selic para algo acima de 10%.

Gabriela Mosmann, analista da Suno Research

  • “A Selic em 7,5% teve uma elevação em linha com as expectativas do mercado. Devido ao cenário de alta de inflação, com o IPCA-15 deste mês sendo o maior desde 1995, em conjunto com a situação instável política e risco fiscal, uma taxa de juros baixa é insustentável.”
  • “Entendo que ainda teremos algumas elevação em vista que as últimas não trouxeram os impactos esperados, com a inflação ainda acelerada.”

João Beck, economista e sócio da BRA:

  • “Essa foi a reunião com maior dispersão de opiniões do mercado dos últimos anos. De toda forma, a própria decisão da diretoria foi unânime, o que mostra comprometimento técnico e a independência de que o Banco Central vai seguir a cartilha e não se deixar influenciar pelo governo.”
  • “No geral, comunicado firme, objetivo e passando a mensagem de que irresponsabilidade fiscal será remediado com mais juros.”
Igor Sodré

Igor Sodré

Jornalista com formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com experiência na cobertura de cultura e economia, tendo como foco mercado financeiro e companhias. Passou pela Bloomberg News e TradersClub.