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Apple decepciona expectativas de receita por crise de suprimentos

Houve um crescimento da receita de 29% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme o balanço da gigante de tecnologia, mas naquele trimestre não havia um novo iPhone

Balanço desperta novas preocupações sobre a capacidade da Apple de enfrentar uma crise de oferta global
Por Mark Gurman
28 de Outubro, 2021 | 06:41 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — A Apple recua no pregão estendido em Nova York depois que a receita trimestral decepcionou as estimativas dos analistas, prejudicada pelas restrições de fornecimento que prejudicaram as vendas.

A receita fiscal do quarto trimestre foi de US$ 83,4 bilhões, disse a gigante da tecnologia nesta quinta-feira (28), abaixo das estimativas de US$ 84,7 bilhões. Isso representa um crescimento de 29% em relação ao período do ano anterior, mas aquele trimestre não incluiu um novo iPhone. A Apple lançou o iPhone 13 nas últimas semanas do último trimestre, ajudando a impulsionar as vendas.

Os resultados despertam novas preocupações sobre a capacidade da Apple de enfrentar uma crise de oferta global que tem causado estragos nas indústrias automotiva, de tecnologia e de produtos de consumo. A empresa tem uma série de novos produtos que precisa chegar às mãos dos consumidores antes das festas de fim de ano, um período que deve bater recordes de vendas. Além da atualização do iPhone, a empresa lançou novos Apple Watches, iPads, computadores Mac e outros itens.

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O CEO Tim Cook disse em uma teleconferência que as restrições de fornecimento foram piores do que o esperado no trimestre passado e custaram cerca de US$ 6 bilhões. A demanda do consumidor estava muito forte, disse ele.

As ações caíam cerca de 5,3%, para US$ 144,42 no pós-mercado, após a divulgação dos resultados. Os papéis acumulam alta de 15% este ano até o fechamento desta quinta-feira.

No último trimestre, a Apple gerou US$ 38,9 bilhões em vendas do iPhone - seu principal produto - incluindo a compra de modelos novos e antigos. Isso não atingiu as expectativas de Wall Street de US$ 41,6 bilhões.

A escassez de suprimentos atingiu os novos modelos imediatamente após o lançamento e persistiu nas semanas seguintes. Os clientes que desejam comprar novos iPhones, iPads, Apple Watches e modelos de Mac descobriram que os produtos não serão entregues até o final de novembro ou mesmo dezembro.

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A empresa com sede em Cupertino, Califórnia, não forneceu orientação formal para o trimestre atual, mas as estimativas dos analistas compiladas pela Bloomberg apontam para uma receita de cerca de US$ 120 bilhões.

A Apple gerou US$ 9,2 bilhões em receita com Macs no último trimestre, um aumento anual de 1,6%, que também ficou abaixo das estimativas. A Apple lançou novos MacBook Pros no início desta semana, tarde demais para ser contabilizado nos resultados do quarto trimestre. Em vez disso, a empresa contou com as vendas dos modelos MacBook Air e MacBook Pro do ano passado, além dos iMacs que foram anunciados em abril.

O iPad, por sua vez, se saiu melhor do que o esperado. Gerou US$ 8,25 bilhões no trimestre, um aumento de 21% em relação ao ano passado. Wall Street esperava US$ 7,2 bilhões. A Apple lançou novas versões do iPad mini e do iPad básico durante o trimestre. A companhia também anunciou novos modelos de iPad Pros em abril.

A divisão de casa e acessórios - uma unidade que inclui Apple Watch, Apple TV, AirPods, fones de ouvido Beats, HomePod e outros itens - gerou US$ 8,79 bilhões durante o trimestre. Isso foi 12% superior ao do ano anterior, mas abaixo da estimativa média de US$ 9,28 bilhões.

O negócio teve uma comparação difícil com os números do ano passado. Em setembro de 2020, a empresa lançou o Apple Watch Series 6, mas o Series 7 deste ano não foi colocado à venda até o trimestre atual.

A receita de serviços aumentou 26%, para US$ 18,3 bilhões, apesar das reaberturas econômicas globais que prejudicaram o crescimento. Com as pessoas voltando ao trabalho e à escola presencialmente, havia a preocupação de que teriam menos tempo para consumir serviços de entretenimento. Os analistas projetaram US$ 17,6 bilhões.

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