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Bancos enfrentarão Basileia para atuar no mercado de carbono

Associação propõe medidas que reduziriam em mais da metade o nível de capital que os bancos são obrigados a reservar para evitar que perdas com certificados de carbono ameacem sua solvência

Setor financeiro defende revisão das regras globais de capital para garantir mercados de emissões de carbono
Por Frances Schwartzkopff
22 de Outubro, 2021 | 09:27 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O setor financeiro defende uma revisão das regras globais de capital para garantir que os bancos continuem negociando nos mercados de emissões de carbono.

A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA, na sigla em inglês) propõe medidas que reduziriam em mais da metade o nível de capital que os bancos são obrigados a reservar para evitar que perdas com certificados de carbono ameacem sua solvência.

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O grupo formado por mais de 200 bancos, seguradoras e corretoras de commodities afirma que a exigência estabelecida pelo Comitê de Supervisão Bancária de Basileia exagera os riscos e aumenta os custos a um ponto proibitivo.

As propostas chegam em um momento em que governos ao redor do mundo adotam novas regras de capital para o setor, definidas por Basileia. A Comissão Europeia deve publicar um rascunho da legislação este mês.

O plano de Basileia teria “grande impacto para os bancos atuantes no comércio de carbono”, disse Gregg Jones, diretor de risco e capital na ISDA. “É uma questão global e não confinada a uma jurisdição qualquer.”

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O mercado europeu de carbono, o primeiro do mundo, passou por períodos de extrema volatilidade. Dois anos após sua criação, em 2005, os preços despencaram para perto de zero. Este ano, as cotações dispararam quase 80%, embaladas por especulação, regras climáticas mais rígidas e o custo recorde do gás natural.

Como parte de uma revisão nas exigências de capital após a crise financeira, o Comitê de Basileia definiu uma ponderação de risco de 60% para certificados de carbono, quase o dobro do nível aplicado a carvão, petróleo e urânio. As ponderações de risco refletem a probabilidade de um ativo perder valor. Quanto mais volátil, maior será o peso de risco e a exigência de capital.

“Essencialmente, isso tira capital de outras atividades e torna um negócio menos viável economicamente ou menos atraente”, disse Panayiotis Dionysopoulos, responsável pela área de capital da ISDA. “É assim que os bancos vão enxergar essas linhas de negócios.”

A Comissão Europeia tem conhecimento da proposta da ISDA, mas se recusou a comentar além disso, disse um porta-voz, citando o lançamento iminente da proposta de implementação das recomendações de Basileia.

De acordo com a Autoridade Bancária Europeia, os certificados constituem uma “porção muito pequena” do balanço patrimonial dos bancos e são caracterizados por “um grau significativo de sazonalidade” que afeta a liquidez. A entidade indicou que pode mudar sua postura à medida que o mercado amadurece.

“Parece um mercado que tende a crescer em importância no futuro e provavelmente se tornará mais robusto”, afirmou Lars Overby, responsável por métricas de risco na Autoridade Bancária Europeia.

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