Tratar as empresas de tecnologia como bancos, intensificando a fiscalização da segurança, pode ser uma solução
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Bloomberg Opinion — Os últimos meses foram difíceis para a internet.

Em junho, a falha da rede de entrega de conteúdo da Fastly deixou alguns dos maiores sites de e-commerce e mídia do mundo off-line. Depois, vimos violações de dados em grande escala na T-Mobile e na Twitch, serviço de streaming da Amazon. E na semana passada, o Facebook, o Instagram e o WhatsApp ficaram fora do ar por cerca de seis horas. Na sexta-feira, aconteceu o mesmo, mas o apagão durou menos.

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Todos os incidentes tiveram uma resposta corporativa em comum parecida com: Lamentamos, foi um erro de configuração não intencional, faremos melhor da próxima vez! Depois do apagão do Facebook, o diretor de engenharia da empresa de software de segurança Cloudfare considerou o evento um lembrete da natureza frágil da internet, na qual milhões de sistemas interconectados dependem uns dos outros para funcionar.

Nos primórdios da internet, essas desculpas seriam aceitáveis. Mas a internet e muitas dessas empresas agora constituem a espinha dorsal da economia moderna. Bilhões de consumidores e milhões de pequenas empresas dependem das ferramentas de comunicação do Facebook. Se a rede de interconexões é frágil, é claro que os Estados Unidos precisam tomar medidas urgentes para mitigar essas vulnerabilidades.

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O que pode ser feito?

Em primeiro lugar, devemos responsabilizar as empresas quando estas deixam de implementar salvaguardas e políticas de segurança adequadas. A frequência dos problemas mostra que, no geral, o setor não leva a questão a sério. As empresas não priorizam o problema nem investem o suficiente para corrigi-lo. Por isso é importante punir ainda mais a negligência, aumentando as sanções e as responsabilidades das equipes de gestão.

A T-Mobile é um dos exemplos mais notórios. De acordo com o Wall Street Journal, um hacker disse que conseguiu entrar nos sistemas sem fio da operadora por meio de um roteador desprotegido, com consequências devastadoras. A empresa divulgou em agosto que os dados pessoais de quase 50 milhões de contas foram comprometidos – inclusive alguns números de seguridade social e de identidade. Incrivelmente, este último incidente é a quinta violação de dados da T-Mobile nos últimos três anos.

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Outra possível solução seria aumentar a supervisão governamental. Com o Facebook e Fastly alegando que seus apagões ocorreram devido a erros simples de funcionários, não quero nem pensar no nível de dano que um funcionário desonesto poderia causar. De forma semelhante a como os os fiscais de bancos do Federal Reserve visam prevenir o risco sistêmico ao trabalhar presencialmente em instituições financeiras, uma nova equipe de reguladores deve obter autoridade para inspecionar os planos de demissão e segurança das principais empresas de tecnologia. No mínimo, precisamos fazer o que for necessário para reduzir futuros erros humanos na configuração de rede.

Veja mais: Facebook e Instagram voltam ao normal após outra interrupção

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Sim, o governo Biden reconheceu a importância das vulnerabilidades da internet do país por motivos de segurança nacional e econômica. Mas, até agora, a Casa Branca não fez muito para regular de perto o setor privado, a não ser ter desenvolvido padrões voluntários. Os governos precisam ser mais enérgicos.

Não podemos ficar isentando as empresas. Há muito a ser feito para evitar que o pior cenário se torne realidade.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Tae Kim é colunista da Bloomberg Opinion, que faz cobertura da área de tecnologia. Ele já desempenhou esta função na Barron’s, depois de uma breve carreira como analista de mercado.

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