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Mark Zuckerberg teve uma semana horrível – e ainda é terça-feira

Em meio a denúncias de priorização de lucros sobre segurança de usuários, apagão dos serviços da empresa na segunda-feira (4) acarretou críticas a seu quase monopólio de comunicação

Apagão de outros serviços da empresa, como Instagram e Whatsapp, afetaram a comunicação no mundo todo
Por Jennifer Ryan e Aoife White
05 de Outubro, 2021 | 04:26 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg — O apagão mundial do Facebook expôs os riscos da dependência de suas redes sociais, reforçando a motivação dos reguladores europeus para conter seu alcance, ao mesmo tempo em que o depoimento de uma denunciante dos Estados Unidos ameaça atrair mais críticas indesejadas para a empresa.

Enquanto a Europa acordava e descobria que os serviços do Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger estavam on-line novamente, a extensão do apagão de segunda-feira (4) rapidamente gerou queixas. A líder em defesa da concorrência e guru digital da União Europeia, Margrethe Vestager, disse que o fracasso do Facebook enfatiza o domínio da empresa.

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É sempre importante que as pessoas tenham alternativas e escolhas. Por isso trabalhamos para manter os mercados digitais justos e disputáveis”, disse Vestager. “Como vimos, um apagão mostra que nunca é bom contar apenas com algumas grandes empresas, sejam lá quais forem”.

O problema de rede que derrubou os serviços usados por mais de 2,75 bilhões de pessoas não poderia ter ocorrido em pior hora. Depois de uma entrevista para a televisão dos EUA no domingo, a whistleblower Frances Haugen deporá perante um subcomitê do Senado na terça-feira (5) e contará às autoridades o que ela chama de “verdade assustadora” sobre o Facebook. As acusações de Haugen de que a empresa prioriza o lucro em vez da segurança do usuário ainda estavam nas manchetes quando os serviços do Facebook ficaram fora do ar.

As revelações levaram a parlamentar dos EUA, Alexandria Ocasio-Cortez, a destacar os riscos enfrentados pelos países que contam com os serviços de comunicação.

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As ações do Facebook subiam 2,4%, chegando a US$ 334, perto das 15h20 (16h20 em Brasília), após uma queda de 4,9% na segunda-feira (4).

Investigações antitruste e sobre privacidade

O Facebook já enfrenta inúmeras investigações antitruste e de privacidade em toda a Europa, bem como um intenso escrutínio até mesmo de pequenas negociações como a aquisição planejada de um provedor de software de atendimento ao cliente. A empresa foi multada em 225 milhões de euros (US$ 261 milhões) no mês passado devido a falhas de dados no WhatsApp e enfrenta investigações antitruste da Comissão Europeia e do Bundeskartellamt, órgão de controle da concorrência alemão.

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Os legisladores da União Europeia irão votar, nos próximos meses, novas leis que podem restringir a capacidade de plataformas poderosas da Internet, como o Facebook, de se expandirem para novos serviços. A interrupção dos serviços mostrou as “graves consequências” da dependência de uma só empresa para obtermos os principais canais de comunicação; também ficou claro que o Facebook nunca deveria ter sido autorizado a comprar o Instagram e o WhatsApp, segundo Rasmus Andresen, membro alemão do Parlamento Europeu.

“Todos na União Europeia, bem como nos EUA, devem perceber que precisamos de regulamentações fortes contra quase monopólios”, disse Andresen em comunicado. “Precisamos de estreita cooperação transatlântica”.

Implicações políticas

O evento fez com que o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que não tolera críticas políticas nas redes sociais, clamasse por uma nova “ordem” digital. A paralisação de algumas horas mostrou como as redes sociais são “frágeis”, disse Fahrettin Altun, seu diretor de comunicações presidenciais, pedindo um rápido desenvolvimento de alternativas “regionais e nacionais”. “O problema que vimos nos mostrou como nossos dados estão em perigo, com que rapidez e facilidade nossas liberdades sociais podem ser limitadas”, disse Altun em uma série de publicações no Twitter.

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O partido nacionalista Alternativa para a Alemanha saudou a ruptura, com a legisladora Beatrix von Storch dizendo que espera que os concorrentes se beneficiem com o ocorrido.

Na Nigéria, o apagão silenciou a equipe de comunicação do presidente Muhammadu Buhari, funcionários do governo e governadores em 36 estados por seis horas. Cada vez mais o governo depende do Facebook para informar o público depois que os serviços do Twitter foram bloqueados no país mais populoso da África em 5 de junho. Um porta-voz do gabinete do presidente não quis comentar.

Na Hungria, políticos da oposição que usam os produtos do Facebook para contornar os meios de comunicação estatais lamentaram não poder depender da empresa enquanto fazem campanha contra o primeiro-ministro Viktor Orban.

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O Facebook é “para nós, políticos da oposição, um dos últimos meios de comunicação por meio do qual podemos falar com eleitores e que não é totalmente dominado” pelo Fidesz, o partido político de Orban, afirmou o prefeito de Budapeste, Gergely Karacsony, em vídeo postado na terça-feira (5). Os problemas com a plataforma ameaçam a capacidade de propagação de informações, disse ele.

A interrupção obrigou algumas companhias telefônicas a agirem. A unidade polonesa da Play, da empresa de telecomunicações Iliad, com sede em Paris, registrou um aumento de oito vezes no número de chamadas para seu serviço de atendimento ao cliente entre 13h30 e 14h30, horário de Brasília, segundo publicação em seu site. A empresa teve de reconfigurar sua rede para impedir a sobrecarga.

Este apagão mostra a dependência excessiva que temos de uma única empresa e a necessidade de diversidade e maior concorrência”, disse Jim Killock, diretor executivo do Open Rights Group em Londres, em entrevista. “A dependência de produtos orientados a dados e que otimizam a comunicação é perigosa e precisa ser desafiada por meio de intervenções que possibilitem maior concorrência”.

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