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Agro

Choque de preços de fertilizantes ameaça safrinha de milho

Brasil é o maior exportador mundial de soja, açúcar e café e fornecedor número 2 de milho, e precisa importar cerca de 80% de suas necessidades de fertilizantes

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Bloomberg — O agricultor Antonio Carlos Jacobsen costuma comprar fertilizantes algumas semanas antes de semear seus campos de milho. Com a alta dos preços do insumo, ele decidiu antecipar as compras para a semeadura de março, embora possa ser tarde demais.

A situação de Jacobsen não é única entre produtores de grãos no Brasil, e os impactos podem reverberar além das fronteiras. O país é o maior exportador mundial de soja, açúcar e café e fornecedor número 2 de milho, e precisa importar cerca de 80% de suas necessidades de fertilizantes. O aumento dos preços dos insumos e a oferta limitada poderiam reduzir a produtividade do milho no Brasil no próximo ano.

A maior safra de milho do país, ou “safrinha”, é plantada no primeiro trimestre, logo após a colheita de soja. Essa segunda safra de milho poderia ajudar a esfriar as pressões inflacionárias no país, onde os preços ao consumidor sobem no ritmo mais rápido em mais de cinco anos. E também aumentar a oferta global, com alívio para os preços do milho. Usado como ração, os custos mais altos do grão elevam os preços da carne no mundo todo.

O problema é que a maioria dos agricultores brasileiros ainda não garantiu suas necessidades de fertilizantes para o primeiro semestre de 2022 ou fixou os preços, segundo dados da StoneX Group.

Cerca de 39% das necessidades de fertilizantes dos agricultores para o período, que tem a safrinha como destaque no plantio, já haviam sido negociadas até o final de agosto, segundo o analista Luigi Bezzon, da StoneX. Embora esteja em linha com a média histórica, desta vez pode ter consequências indesejáveis: a maioria dos produtores precisa comprar fertilizantes em meio a custos elevados e crescente preocupação em não receber os insumos.

Segundo Bezzon, esses temores sobre as entregas são justificáveis, pois parte do fertilizante comprado antecipadamente ainda não foi produzido enquanto aumenta o temor de que a disparada nos preços de energia resulte em gargalos no fornecimento.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro disse que o país pode enfrentar escassez de fertilizantes no próximo ano devido à queda da produção chinesa, na esteira dos altos custos de energia. Analistas dizem que esse risco é baixo por enquanto, embora existam outras preocupações.

“Um ponto de atenção é o potencial produtivo do milho safrinha”, disse Guilherme Bellotti, analista do Itaú BBA. “Por mais que haja incentivo econômico para o plantio, devido aos altos preços do milho, fertilizantes caros podem limitar o uso. Se isso coincidir com interpéries climáticas, poderemos ter problemas.”

Os preços à vista para o fertilizante fosfatado mais do que dobraram em 12 meses no mercado brasileiro, enquanto as cotações do potássio e ureia triplicaram no mesmo período. Os preços globais desses insumos têm aumentado em meio aos altos custos da energia, fechamentos de fábricas e sanções de governos, o que reforça expectativas de déficits de oferta.

Os agricultores brasileiros podem decidir abrir mão dos fertilizantes. Jacobsen disse que, se não conseguir obter os insumos a tempo, simplesmente vai plantar milho sem eles, embora contando com uma queda de 30% na produção.

“Talvez a produtividade mais baixa seja compensada por custos mais baixos, o que significaria as mesmas margens ou até mais altas”, afirmou.

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