Internacional

Peru eleva juros pelo 3º mês para conter maior inflação em 12 anos

País andino e todos os outros grandes bancos centrais com metas de inflação na América Latina estão retirando os estímulos monetários conforme sobem os preços ao consumidor

Presidente substituiu primeiro-ministro Guido Bellido
Por Matthew Bristow e María Cervantes
07 de Outubro, 2021 | 09:27 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — O Peru apertou a política monetária pelo terceiro mês consecutivo depois que a inflação atingiu sua taxa mais alta em 12 anos e a volatilidade política turvou as perspectivas para a moeda.

O banco central elevou sua taxa básica de juros em meio ponto percentual, para 1,5%, correspondendo à mediana das previsões de economistas consultados pela Bloomberg. Foi a terceira alta consecutiva das taxas do banco central liderado por Julio Velarde.

O Peru e todos os outros grandes bancos centrais com metas de inflação na América Latina estão retirando os estímulos monetários, à medida que sobem os preços ao consumidor e as expectativas de inflação. Conforme os governos afrouxam as restrições impostas para conter a disseminação da Covid-19, a demanda reprimida empurra os preços para cima, enquanto os crescentes custos globais de alimentos e de energia também prejudicam os consumidores.

O banco central do Peru está lutando com as mesmas pressões globais, bem como com uma volatilidade doméstica. As ações, títulos e moeda do país se recuperaram na quinta-feira, um dia depois que o presidente Pedro Castillo substituiu um primeiro-ministro acusado de simpatizar com terroristas por uma opção mais centrista, em uma tentativa de melhorar as relações de seu governo com o Congresso.

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Mesmo assim, o sol ainda caiu 11% desde que Castillo ganhou inesperadamente o primeiro turno das eleições presidenciais do Peru em abril.

“A maioria dos indicadores antecedentes e das expectativas econômicas melhorou ligeiramente em setembro, mas permanecem em território pessimista”, disse o banco em um comunicado que acompanha o anúncio.

O processo de normalização “continuará ao longo do próximo ano e talvez um pouco mais”, disse o ex-ministro das Finanças do Peru, Alonso Segura, em uma entrevista. “Não é que todo mês o banco central vai aumentar as taxas, o banco vai calibrar as expectativas.”

Depois que a pandemia surgiu, o banco central do Peru reduziu sua taxa básica de juros para 0,25%, a mais baixa da América Latina, e a manteve nesse nível até agosto. Em 2020, o país sofreu a retração mais profunda entre as principais economias da região, mas agora está se recuperando fortemente. O Produto Interno Bruto deve crescer 11,9% neste ano, de acordo com uma previsão do banco central.

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A taxa de inflação anual saltou para 5,2% no mês passado, seu ritmo mais rápido desde 2009. O banco central tem como meta inflação de 2%, mais ou menos um ponto percentual.

“Projeta-se que a inflação retornará ao intervalo da meta nos próximos 12 meses”, disse o banco no comunicado de quinta-feira, repetindo a postura do mês passado.

Castillo mudou o primeiro-ministro, Guido Bellido, na quarta-feira, dizendo que isso melhoraria a governabilidade. Bellido foi substituído pela ex-chefe do Congresso, Mirtha Vasquez, após semanas de confrontos entre a administração de Castillo e legisladores.

A decisão de hoje foi prevista por quatro dos sete analistas entrevistados pela Bloomberg; dois esperavam um aumento menor, de um quarto de ponto percentual, e um havia previsto nenhuma mudança.

--Com assistência de Maria Elena Vizcaino e Rafael Gayol.

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